Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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DA IGNORÂNCIA PRESUNÇOSA

Escrevinhação n. 981, redigida em 10 de dezembro de 2012, dia de São João Roberts.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Quando o assunto é religião, em especial, o Cristianismo Católico, todo mundo dá seu palpite sapiencial. Todos têm uma dita opinião sobre o tema. Opiniões que desrespeitam tanto a Santa Madre Igreja quanto a inteligência humana. Seja da parte dos fiéis ou dos infiéis. Dum lado ou doutro da fronteira temos a manifestação do mesmo problema com intensidades e formas diversas.

Geralmente, as pessoas recebem em tenra idade os rudimentos duma instrução religiosa. Uma hora por semana. Não em todas. Passada algumas primaveras, tcha! Tcha! Já sabem tudo sobre a via salvífica aberta pelo Logos divino encarnado.

Com uma formação frágil e preguiçosa dessa é praticamente impossível não perder a fé ou vê-la tornar-se morna. No segundo caso, qualquer livreto de auto-ajuda água com açúcar “resolve”. No primeiro, um videozinho ateísta da lavra de um Richard Dawkins ou, dum Daniel Dennett, tem efeito similar de alívio para a consciência e de sedimentação da ignorância.

Tanto num quanto noutro, há-se um desprezo olimpiano às questões de ordem religiosa ao mesmo tempo em que os indivíduos afirmam, de modo soberbo, serem grandes sabedores da matéria. Nunca a estudaram com a seriedade e a maturidade devida. Agrilhoados aos seus rompantes juvenis, fecham-se em copas, tolhendo, deste modo, a inteligência e bem como a percepção do real.

Aquela visão esquemática, estereotipada, adquirida na mocidade, sobre tudo e sobre todos, nunca é revisada. Tal visão, com o tempo, passa a integrar a personalidade do indivíduo. Aliás, não temos como nos tornar maduros se não procuramos examinar nossa vida. Quem nunca teve a impressão de ser um farsante nunca fez um exame de consciência. Porca miséria! E como somos farsantes!

Por isso, são muitas as manifestações dessa ignorância inconfessa em matéria religiosa. Porém, levantemos apenas uma lasca desta pedreira para que nos sirva de critério para realizar um razoável exame de consciência, se assim desejarmos. Pergunte-se: o que é fé? Bem, fé não é crer em algo que não se vê como também não é algo que nos faz sentir bem. Muito menos um tapa-buracos frente ao desconhecido. Então, o que é?

Viu só como a sua fé, ou a ausência desta, é desprovida de substância?

Fé meu caro, em princípio, é um ato da inteligência e da vontade. É uma manifestação de confiança e fidelidade diante de evidências constatadas, ponderadas e aceitas pela inteligência em uma tomada de decisão perante a vida. Enquanto um ato de vontade, a fé não pode ser vista dissociada de certas atitudes, pois, a adesão (ou negação) à Verdade inevitavelmente nos transforma. A obediência a Ela, necessariamente, nos eleva. Por isso, fé sem adesão não é fé, mas apenas um furibundo boneco de palha.

Seja como for, a ignorância é imensa. A presunção, maior ainda. Quanto à sincera e abnegada vontade de conhecer acha-se minguada tanto quanto a Fé nestas terras onde a ignorância voluntária é uma insígnia de excelsa distinção.

Pax et bonum
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NÃO ADIANTA NEGAR


Escrevinhação n. 979, redigida em 22 de novembro de 2012, dia de São Clemente I, de Santa Felicidade e sete irmãos e de São Columbano.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Por favor, não faça beicinho. É perda de tempo. Meu coração não mais se deixa comover com esse tipo de teatrinho. Mas, afinal, do que estamos falando? Ah! Sim, desculpe-me por ter colocado a carroça à diante dos bois. É difícil não nos confundir tendo de testemunhar a loucura presente.

Bem, vamos ao ponto. A maresia “informativa”, meu caro, em seu estado bruto, apresenta-se, a qualquer um, sem fazer a menor cerimônia. Arromba nossa alma e, nosso universo pessoal, de tanto ser invadido com uma gama tão ampla quanto disforme de informações que nos acostumamos a ficar em um constante estado de dissimulação, com aqueles toscos ares de quem está à par de tudo para melhor encobrir nossa confusão interior.

Graças aos canais de televisão, as redes sociais e a antiguíssima roda de escarnecedores - círculo de colegas - edificamos em nosso íntimo não apenas uma falsa impressão da realidade, mas sim e principalmente, de nós mesmo. Na verdade, no fundo, o indivíduo moderno pouco se importa com o que está ocorrendo a sua volta ou no mundo. Quando demonstra preocupações desta monta, é por pura afetação, porque o que realmente lhe interessa é ele mesmo e a imagem que irá apresentar diante de seus iguais.

Imagem é tudo. Conteúdo e substância em um mundo partilhado por pessoas que apenas curtem seus umbigos, um luxo dispensável.

É o reino de Narciso. Estamos todos nele, principalmente, aqueles que se consideram maduros, demasiadamente preocupados com o seu mundinho pessoal que, naturalmente, tem essas preocupações miúdas transmutadas em questões de ordem pública em suas conversas estereotipadas e cansativas. Conversas essas sempre tecidas com aquela pose doutoral, naquela entonação de voz de quem (ui!) sabe do que está falando, parlando sempre para um grupo de pessoas que, por coincidência, vive na mesma atmosfera de fingimento.

Bem, é por isso que não adianta fazer beicinho. Se a mensuração do amor que devotamos ao conhecimento e aos bens culturais superiores reflete a envergadura de nossa alma, não há exagero algum em concluir que a brasílica alma diplomada vive minguadamente de subnitrato do pó de dejetos culturais.

Se prestássemos mais atenção ao conteúdo de nossas conversas, se atinássemos mais nossa percepção para as palavras que saem de nossa boca e bem como para aquelas que gentilmente permitimos adentrar em nossos ouvidos, pensaríamos duas vezes, no mínimo, para chamar alguém de estulto, ou coisa do gênero.

Somos uma sociedade que não gosta de ler, mas que idolatra as confabulações fiadas. Somos pessoas que imaginam saber muito sobre qualquer coisa sem nunca ter amado o conhecimento d’alguma coisa. Por isso a seriedade fingida é geral. Não adianta negar.

Pax et bonum
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Comentário Radiofônico de 11 de dezembro de 2012

Comentário realizado por Dartagnan da Silva Zanela para o programa CONVERSA AO PÉ DO RÁDIO, transmitido pela rádio Cultura AM/FM de Guarapuava.

Comentário Radiofônico de 10 de dezembro de 2012

Comentário realizado por Dartagnan da Silva Zanela para o programa CONVERSA AO PÉ DO RÁDIO, transmitido pela rádio Cultura AM/FM de Guarapuava.

O ÓPIO DOS INTELECTUAIS


Escrevinhação n. 980, redigida em 30 de novembro de 2012, dia de Santo André.

Por Dartagnan da Silva Zanela


O marxismo é o ópio dos intelectuais. Este livro, de Raymond Aron, é leitura obrigatória, praticamente um dever cívico, a todo brasileiro que queira compreender as razões da enfermidade que afeta a classe falante de nosso país e que, de um modo geral, fez adoecer a cultura brasileira.

Tanto ontem, como hoje, uma multidão de intelectuais sucumbiu diante da confusão advinda da secularização da cultura. Neste vazio criado pela “ausência” de Deus foi-se instalando mitologias mundanas e religiões civis que tinham por intento suprir, com arremedos pseudo-metafísicos chinfrins, essa necessidade estrutural da alma humana.

Como nos lembra Aron, no século das luzes (XVIII), havia uma tríade mitológica que encantava as classes letradas e que substituiria, em seu imaginário, a Santíssima Trindade. Esta versão trinitária secular era composta pelas seguintes “entidades”: o progresso, a razão e o povo. A partir do século XIX, essa trinca profana metamorfoseou-se em algo mais vil: a esquerda, a revolução e o proletariado.

Substituíram-se fatos dramáticos e estruturantes da vida humana por dogmas cientificistas devido a uma mistificação da ideia de ciência, onde se confunde a prática desta com o apego a crenças materialistas, dando a sensação de superioridade moral e intelectual a seus postulantes, mesmo que, em regra, estes não sejam superiores nem moral, nem intelectualmente. E assim são os marxistas, pseudo-marxistas, cripto-marxistas, marxianos e tutti quanti.

Eles falam uma mesma linguagem, comungam duma mesma mitologia, dos mesmos símbolos e, principalmente, dos mesmos “propósitos”, apesar de discordarem dos métodos para atingi-los. Trocando por miúdos: eles tem um instrumento cultural que lhes faculta sentirem-se integrantes de algo (supostamente) maior que dá sentido as suas vidas sorumbáticas.

Para eles, Marx é o novo Moisés e a luta de classes o seu Armagedom. Ditadores, juntamente com toda lavra de ideólogos rubros, integram a “hagiografia” de sua pseudo-religião pretensamente científica.

Em resumidas contas, o marxismo é uma doença do espírito, cujos principais sintomas são a crença de que só a esquerda pode anunciar o futuro, só a revolução pode eliminar o mal, somente o proletariado é capaz de salvar a humanidade e que só a história é o motor e síntese de tudo. Enfim, eles condenam a realidade e proclamam-se os demiurgos da nova humanidade, os arautos dum evangelho de ídolos ocos.

No fundo, não passam de almas infantilizadas, psicologicamente frágeis com suas frustrações políticas e pessoais lavadas num balsamo de fugas ideológicas chulas. Por isso, e muito mais, o marxismo é um íncubo ideológico que parasita a alma. Uma doença espiritual e, como tantas outras, têm cura. Porém, como toda enfermidade, depende da boa vontade da alma adoecida para enxergar seu ridículo original.

Pax et bonum
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