Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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[pdf] UMA ALOCUÇÃO INAUDITA

UMA ALOCUÇÃO INAUDITA

UMA ALOCUÇÃO INAUDITA

Escrevinhação n. 842, redigida em 28 de julho de 2010, 17ª. Semana do Tempo Comum, dia de Santo Inocêncio I, São Nazário e São Celso.

Por Dartagnan da Silva Zanela

"A caridade é como o andar do espírito. Se tens dois pés, não coxeies. Ama a Deus e ama a teu próximo". (Sto. Agostinho)

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No correr dos séculos algo que se faz patente na história da humanidade é a presença do mal e a luta do ser humano contra as suas sombras. Seja no Ocidente ou no Oriente, temos diante das vistas humanas a presença desta luta infindável que invade as meninas do olhar dos filhos de Adão se aquartelando em nossa alma, transformando o âmago de nosso ser num grande campo de batalha desta pugna que apenas terá término no fim dos séculos.

Por essa razão que lemos nas luminosas laudas da Constituição Pastoral Gaudium et Spes que a sociedade hodierna faz ressoar as palavras de São Paulo (Romanos XII; 2), quando este diz: “Não vos conformeis a este mundo”. Isso não significa, de modo algum, que devemos nos abraçar em uma ideologia política, a um partideco, partidão, ou similar, para mudar o mundo. Aliás, isso seria um cabal sinal de orgulho e soberba a tomar conta de nossa alma imortal. Devemos sim, segundo o referido documento, parido pelo Concílio Vaticano II, nos resguardar, ficarmos atentos “àquele espírito de vaidade e malícia que transforma a atividade humana, ordenada ao serviço de Deus e do homem, em instrumento de pecado”.

Porém, o mal está ficando tão garboso e vitorioso nos umbrais da alma que a pessoa humana, dia após dia, vai se habituando a esse raciocínio superficial e viciado onde tudo o que deve ser mudado e transmutado é o mundo, a sociedade, o sistema, os outros, sem ao menos ponderarmos sobre as chagas que estão abertas e pustulentas em nosso coração. Ora, mudar o mundo não é difícil. Ele sempre está mudando. A pergunta que julgamos ser apropriada é: melhorar o mundo é fácil? É necessário? E na intenção de melhorá-lo, não estamos piorando-o?

Além disso, nós esquecemos, com grande freqüência, que tudo que está na face da terra é obra do Criador. Deste modo, tudo a nossa volta, é um símbolo da realidade. Isso mesmo! Não esqueçamos que, como nos ensina o Papa Bento XVI, que o real é o espiritual. Se existe algo que o homem moderno perdeu do seu horizonte de consciência é a compreensão da natureza simbólica do universo. O homem moderno não mais vê a criação como um símbolo do Criador para que possamos aprender dele o que devemos fazer e para que direção devemos pender o nosso ser.

Por orgulho e arrogância esquecemo-nos dos atributos divinos que são Sua onipotência, onipresença e a onisciência. Tudo o que está acontecendo no mundo é porque Deus permite, pois, se assim não o fosse, Ele não seria Deus. Naturalmente que muitos se perguntam se é da Vontade do Criador que exista miséria, guerras, doenças, infortúnios, corrupção e tragédias e, obviamente, que a proposição de tal indagação está viciada pela visão turvada por nossa inclinação pecaminosa.

Sim, tudo a nossa volta está ocorrendo porque Aquele que É permite que ocorra, porque Ele é onipotente. Mas, como esse mundo é apenas um reflexo da Realidade, devemos indagar o que Deus quer que aprendamos disso tudo, porque Ele é onisciente. Se há tantas chagas no mundo, o que eu aprendo com elas? O que tenho feito pelo sofrimento de quem está próximo? De que maneira luto contra o mal que assola o meu coração? Eis a questão que o mundo, com suas chagas, suscita a todos nós, por que Ele é onipresente.

Por isso, o mundo não é o que decidimos fazer dele, mas sim, o que nós decidimos fazer de nós mesmos. O Artífice Celeste criou-nos dotado de vontade para que livremente compreendamos e aceitemos o nosso lugar em sua obra e assumamos nosso posto neste bom combate que é travado dia após dia nos átrios de nossa alma.

Agindo assim não iremos mudar o mundo, mas também não o pioraremos. Procedendo deste modo não iremos corrigir a criação, mas iremos olhá-la com outros olhos, com olhos piedosos, que irão mudar a nossa maneira de viver e de ser, irradiando silenciosamente através de nossos gestos e palavras essa perspectiva abandonada pelo ser humano em sua caminhada pelo ciclo moderno.

E, no fundo, é isso que realmente importa. Sejamos ou não capazes de perceber isso.

Pax et bonum
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COMENTÁRIOS RADIOFÔNICOS DA SEMANA


Comentários proferidos através das ondas da Rádio Cultura AM/FM entre os dias 19 e 23 de julho de 2010.

Para ouvir os comentários, clique aqui.

[pdf] A FAMÍLIA EM NOSSA ALMA

A FAMÍLIA EM NOSSA ALMA (Publicado no Boletim Diocesano)

A FAMÍLIA EM NOSSA ALMA (publicado no Boletim Diocesano)

Escrevinhação n. 841, redigido em 15 de julho de 2010, dia de São Boaventura, São Vlademir de Kiev e do Bem-aventurado Inácio Azevedo e Companheiros.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“Não se fixe voluntariamente naquilo que o inimigo da alma lhe apresenta”.
(Sto. Padre Pio)

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Se existe uma instituição que é atacada por todos os flancos é a família. Abordar e ponderar sobre todos estes ataques seria uma tarefa irrealizável em tão sucinta missiva. Entretanto, cremos que seja apropriado tecermos nestas parcas linhas algumas pequenas e simplórias considerações sobre a família e, deste modo, projetar algumas luzes, mesmo que diminutas, sobre os riscos que a alma humana corre com os ataques sórdidos que minam essa basilar configuração simbólica da alma humana.

Isso mesmo! Um dos elementos fundamentais que se perdeu do horizonte humano com o advento da modernidade foi a compreensão simbólica da realidade. Esquecemo-nos que toda criação é uma escritura codificada do Criador, inclusive a família. Ora, se todo artista deixa a sua marca na feitura de sua obra por que haveria o Grande Artífice de não deixar os Seus sinais em sua criação?

Neste sentido, a imagem da família é um símbolo que nos religa a realidades espirituais que, em si mesmas, nos são fugidias. Mas, o que a imagem da família nos ensina sobre nós, sobre nossa alma? O que a imagem de nossa família, nos ensina sobre a nossa alma imortal? Ao ver a família humana, com as suas virtudes e vícios, estamos vendo a imagem refletida de nossa alma, porém, o que vemos nela? Esse é o “x” da questão.

Muitas são as expressões da família nas mais variadas culturas, porém todas, necessariamente, têm uma tríade basilar que é a figura paterna, a imagem materna e a prole advinda da união destes. Bem, esse é o núcleo central que espelha a alma humana e, neste sentido, o símbolo não é um elemento arbitrário, mas sim, uma matriz de interpretações como nos ensina Suzanne Lange, em seu livro FILOSOFIA EM NOVA CHAVE. Ainda, segundo Frederico Gonzales, em seu livro SIMBOLISMO E ARTE, o símbolo “[...] reflete autenticamente o que expressa, requisito sem o qual seria impossível qualquer relação ou comunicação. Deve-se ter em mente que, por tomar uma forma, constitui uma estrutura na torrente do não-enunciado, na vida larval e caótica do vir a ser”.

Talhando nossas vistas por essa vereda, podemos indagar o que a figura paterna e materna representam, respectivamente. A primeira simboliza a razão e as virtudes morais como a prudência, a justiça e a temperança. O pai é aquele que representa a autoridade solene, a firmeza e o ordenamento. A mãe, por sua deixa, é um claro espelho da vontade e das virtudes teologais como a fé, a esperança e a caridade. É ela, a mãe, quem representa o consolo, a benevolência que nos conforta quando estamos temerosos e feridos.

Vislumbrando essa dimensão simbólica da realidade compreendemos porque São Paulo (1Coríntios XI; 2-3) ensina-nos que a mulher deve se submeter-se ao seu marido. A vontade deve submeter-se a razão, e a razão submeter-se ao Logos Divino e imitar o Logos Divino encarnado. Por esse mesmíssimo motivo, que o mesmo Justo nos diz que o homem deve amar a sua mulher como Cristo nos ama (Efésios V; 25), porque sem o amor a razão não dispõe de meios para iluminar a vontade. Aliás, a submissão da vontade à razão só se justifica através do amor. Qualquer outra via seria uma negação da própria razão e, conseqüentemente, uma vil abolição da humana vontade, que também é um dom divinal que nos é facultado.

Quanto à prole, o que são nesta ordem simbólica? São as paixões. Desordenados, caóticos e em boa parte do tempo se encontram em conflito um com o outro, engalfinhando-se um com o outro pelas querelas mais pífias e tolas imagináveis. Por essa razão que os infantes devem ser submetidos à autoridade da vontade (mãe) guiados pela soberania da razão (pai).

A configuração da família, deste modo, apresenta ao indivíduo uma imagem simbólica da alma e, através desta, têm-se uma ferramenta pela qual vislumbramos os umbrais que deverão ordenar nossa vida interior para que, desta maneira, possamos reproduzir no âmago de nosso ser, uma sã ordenação. Ou seja: orientar a nossa vontade à luz da razão para que assim possamos dominar nossas paixões, aprimorando-nos, lapidando-nos, tornando sublimes as faculdades que habitam potencialmente o nosso ser.

Bem, estando esse dito claro, compreendemos porque toda tentativa de ataque a família é um ataque direto a própria estrutura da alma humana. Se o símbolo nos auxilia na compreensão da realidade, todas as tentativas de minar as bases desse símbolo natural, que é a família humana, não passam de subterfúgios ignóbeis, entre tantos outros, que tem apenas um único objetivo: afastar o ser humano da dimensão real da existência, afundando-nos em uma perspectiva atomística e subjetivista, atolada em suas paixões indomadas, escravizando nosso caráter a elas.

É isso que significa uma família desestruturada. Essa é a tradução da vida de um pai, de uma mãe, que não se sacrificam na realização de sua vocação. Esse é o problema de uma sociedade onde os infantes não mais podem ser devidamente corrigidos pelas mãos de seus tutores naturais. Todas as infâmias auferidas contra a família não passam de um reflexo assustador do estado em que se encontra a alma do homem contemporâneo.

Pax et bonum
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PROGRAMA AVE MARIA, 22 de julho de 2010


O Programa Ave Maria é o Programa radiofônico da Paróquia Nossa Senhora de Belém e vai ao ar de segunda à sexta das 18h00 às 18h20. Nas quintas a apresentação do mesmo é feita por Dartagnan da Silva Zanela.



Obs.: Semana passada o programa Ave Maria não foi ao ar na quinta-feira porque estávamos em CONSELHO DE CLASSE no Colégio onde lecionamos. Dito isso, Fiquem todos com Aquele que É e até.