Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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COMENTÁRIOS RADIOFÔNICOS DA SEMANA


Comentários proferidos através das ondas da Rádio Cultura AM/FM entre os dias 30 de agosto e 03 de setembro de 2010.

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COMUNICADO


Em breve estará na rede o podcast NO AREÓPAGO. Um sucinto comentário semanal voltado especialmente para os meus alunos, amigos e a todo aquele que tiver interesse em ouvir este bufo escrevinhador.

[pdf] PARTILHA SOLITÁRIA EM POUCAS PALAVRAS – parte III

PARTILHA SOLITÁRIA EM POUCAS PALAVRAS – parte III

PARTILHA SOLITÁRIA EM POUCAS PALAVRAS – parte III

Escrevinhação n. 847, redigido em 29 de agosto de 2010, dia da Bem-aventurada Joana Maira da Cruz e do Martírio de São João Batista.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“A verdade é o alimento da alma”.
(Sto. Agostinho)

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“Se alguém quiser me seguir, renuncie a si mesmo, toma a sua cruz de cada dia, e então me siga” (Lucas IX; 23). Muita coisa pode ser dita a partir deste pequeno e luminoso versículo das Sagradas Páginas, principalmente se refletirmos sobre o guiamento que este apresenta aos homens de todos os tempos e, principalmente, para nós que vivemos nestes degenerados dias.

Um ponto bem simples e que é sumamente desdenhado pelos relativistas que em suas comparações irresponsáveis e levianas costumam comparar uma religião com outra como se fossem realmente idênticas, tipos do mesmo gênero, sem se perguntar quem é Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele não é um líder, nem um profeta ou um simples sábio. Ele é o Verbo divino encarnado. É Deus que se fez homem para nos lavar de nossas pustulentas chagas e nos reavivar no real sentido da vida humana.

Por isso, seguir o Cristo é seguir a Verdade divina que se fez carne e sangue entre nós. Cotidianamente, seguir ao Cristo é literalmente procurar fazer da procura pela Verdade o caminho de sua vida. Aliás, viver verdadeiramente significa procurar ser humanamente verdadeiro em cada gesto de nossa vida, convertendo nossa vida em uma grande prece que seja recitada em espírito e verdade (João IV, 23) permitindo, deste modo, que sejamos elevados com ela transfigurando-nos na medida em que somos capazes de amar sinceramente a verdade e, principalmente, a procura por ela.

De mais a mais, como nos ensina São Dionísio Areopagita, o tende sempre à união como o objeto amado. E aí vem a nossa mente a primeira inquirição: em que medida realmente amamos a verdade? Em que medida realmente a procuramos? O dito popular que afirma que a verdade deve ser dita doa a quem doer é facilmente de ser entoado, porém dificilmente vivido e praticado.

Opa! Sem delongas, lembramos que não nos referimos a aplicação deste dito no anunciar verdades em público, não mesmo. Referimo-nos a condição fundamental de sermos capazes de fazer isso intimamente, de confessarmos francamente perante o tribuno da consciência quem nós somos. Quem realmente somos.

E o Verbo divino que Se fez carne sabe desta dificuldade que há em nosso coração, sabe claramente do quão pedregoso é o terreno do jardim de nosso mundo interior que já nos advertia que se formos seguir a Verdade em seu caminho para termos vida real nós temos que, primeiramente, renunciar as nossas verdades, as nossas pseudo-verdades, esvaziando e limpando nossa alma do entulho mundano para que esta possa ser habitada pela Sabedoria.

Muito bem, mas o que significa isso? Significa que devemos ser realista para conosco mesmo. Significa que devemos ser humildes e curvar nossa inteligência diante do Real para que esse possa nos elevar e nos iluminar interiormente. Podemos comparar nossas pseudo-verdades (opiniões) com uma porção de água infecta que está em um copo (nossa alma). Todo dia recebemos uma boa dose de água cristalina da Verdade. Todavia, misturamos esta com a nossa água sórdida. Trocando por miúdos, não é que a Verdade complementa nossas opiniões. A Verdade nos liberta delas (João VIII; 32).

Naturalmente, meu caro, que tal tarefa não é fácil. Por isso, abraça a sua cruz, dia após dia, e siga aquele que É o Caminho, a Verdade e a Vida. Nós não nos tornamo dignos da noite para o dia, não nos encontramos com a Verdade em um reles estalar de dedos, não mesmo. Leva-se literalmente uma vida inteira de dedicação e zelo, disciplinando-nos nesta via para que Ela nos discipline.

Esse é a senda para formação de uma pessoa digna, prestativa e boa. E o que marca essa vereda é o sacrifício. A formação de uma pessoa que seja cônscia da necessidade de se realizar gestos de auto-sacrifício na consagração de nossa vida a algo que seja Vida.

Falando em português bem claro, uma boa educação não se mensura por dados estatísticos ou pela quantidade de disciplinas que integrem o currículo. Ela se avalia pelo senso de responsabilidade que se cultiva na alma do mancebo levando-o a compreender uma lição muitíssimo simples: se desejamos realmente realizar algo de significativo em nossa vida, teremos de sacrificar um prazer momentâneo em nome da pessoa ideal que pretendemos ser.

Mas, como hoje poucos desejam conhecer e abraçar a sua cruz e seguir o Caminho que pode nos levar a transfigurar-se é que temos uma sociedade onde vergonhosamente os indivíduos se orgulham de sua ignorância, onde se considera uma vida bem vivida quando esta é entregue a corrupção. Uma vida assim vivida, não é vida humana e muito menos animal. É infra-humana. Compreender isso, em nosso ver, é capital para que de maneira sadia possamo-nos realizar como pessoa.

Pax et bonum
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Comentários proferidos através das ondas da Rádio Cultura AM/FM entre os dias 23 e 27 de agosto de 2010.

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[pdf] DA PÁTRIA CELESTE

DA PATRIA CELESTE

DA PÁTRIA CELESTE

Escrevinhação n. 846, redigido em 16 de agosto de 2010, dia de São Roque, Santo Estevão da Hungria e São João Francisco Régis.

Por Dartagnan da Silva Zanela

"Uma só coisa importa: comportar-vos como cidadãos de maneira digna do Evangelho de Cristo". (Filipenses I; 27)

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Frithjof Schuon, grande sábio islâmico, nos lembra que a função essencial da inteligência humana é o discernimento entre o real e o ilusório; e a função da vontade é apegar-se ao que é permanente e real. Segundo o mesmo, esse apego e esse discernimento são a quintessência da sabedoria. Tais considerações vão de encontro ao que nos diz o Verbo Encarnado quando proclama que “não é apenas de pão que viverá o homem”. Cada um de nós não nasceu para perecermos e desaparecer na decomposição das moléculas que compõem o nosso corpo. Cada um de nós é um ser imortal, criado para glória celeste, apesar de decaídos pelo pecado e tendo nosso discernimento turvado, nossa vontade viciada por medirmos a realidade unicamente pela dimensão terrena, desdenhando a realidade celestial que é permanente.

Todos nós, Cristãos, vivemos como exilados neste mundo, pois, nenhuma pátria neste vale de lágrimas a nós pertence. Nossa cidadania a ser vivida e testemunhada em qualquer rincão do globo é esta, a da Jerusalém Celeste. Todavia, vivemos em um mundo tão imerso em valores materialistas, imanentistas, hedonistas, relativistas que nos esquecemos dia após dia de nossa filiação divina, passando a agir e a tomar decisões dentro do que Dinesh D’Souza, pesquisador do Hoover Institution, denomina como sendo um ateísmo prático. Ou seja: o indivíduo declara-se um fiel, freqüenta os ritos de sua confissão religiosa, porém, em seu dia a dia age como se Deus não existisse. E é assim que, infelizmente, tomamos nossas decisões em nossa vida, desde as mais corriqueiras até as mais graves.

Quando tomamos em mãos os documentos do Concílio Vaticano II, em especial, neste caso, a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, lemos que “[...] a Igreja não pode deixar de reprovar, dolorosamente, com toda a firmeza, como reprovou até agora, aquelas doutrinas e atividades perniciosas que contradizem à razão e à experiência humana universal e privam o homem de sua grandeza inata”. No caso, o documento se refere ao materialismo e ateísmo economicista e marxista de todos os matizes (conforme se lê na 16ª. nota de rodapé do referido documento) que reduzem a compreensão do humano e, conseqüentemente, nos distancia da finalidade de nossa existência que, absolutamente, não é nem carnal e muito menos mundana.

Ainda o texto conciliar nos lembra que devemos, urgentemente, tornarmo-nos homens e mulheres que se dediquem a compreensão da Verdade, detentores de uma personalidade forte. O indivíduo se fortalece como pessoa quando se dedica vivamente aos seus, quando abraça a sua comunidade encontrando o seu lugar nela, assumindo a sua responsabilidade de maneira abnegada. Não a procura de vanglórias, mas sim, desejando apenas ser um anônimo e pequeno instrumento da Vontade de Deus, permitindo a edificação de Seu reino em nosso coração tal quais os luminosos exemplos de São João Maria Vianney, de São Tomás Becket, e de todos os Santos de Deus.

Por essa razão que mais do que nunca nós devemos clamar a Santíssima Trindade para que nos infunda uma profunda fortaleza e uma impávida coragem moral para agirmos de acordo com nossa Fé, pois é esta que deve dar forma ao nosso caráter e não os preceitos ignóbeis do mundo atual.

É fundamental que vivamos nossa fé de maneira profícua. Lembramos essa questão tão simples porque ela é sumamente desdenhada devido as influências abomináveis citadas a cima. Hoje em dia, a Fé passou a ser sinônimo de crença cega, desvinculada da razão. Todavia, não é isso que Deus quer de nós. Quem quer isso é o mundo moderno com suas intrigas sórdidas. Ter fides (fé), meu caro, é esforçar-se em manter-se fiel as promessas de Nosso senhor. É disso que nossa sociedade hodierna carece, de que cada um de nós lute vigorosamente contra esses valores que querem não apenas dar forma as nossas decisões, mas perverter a natureza humana.

Pode parecer ao amigo leitor que essa conversa toda foi um tanto que fora de ritmo. Entretanto, creio que não sejam estas palavras que estão fora do tom, mas sim, as veredas que temos trilhado na sociedade contemporânea. Nossa sociedade está se apartando cada vez mais dos valores que nos religam a nossa Pátria Celeste, procurando nos agrilhoar a anti-valores que reduzem a nossa dignidade originária através de pseudo-esperanças mundanas como nos adverte o Papa Bento XVI em sua Encíclica Spe Salvi. Por isso é imprescindível que sejamos capazes de discernir a realidade divina das ilusões mundanas.

Por isso, sou franco em dizer que pouco importará sufragar ou não nosso voto nas urnas moderninhas sem levarmos em conta nossa real cidadania. De que adianta ganharmos a leviandade do mundo se perdermos a nossa alma? Votar é apenas um diminuto detalhe. Viver e dar testemunho de Cristo são o cerne de nossa cidadania. De mais a mais, como nos ensina Santo Agostinho, “ainda que fujas do campo para a cidade, ou da rua para tua casa, tua consciência vai sempre contigo. De tua casa só podes fugir para teu coração. Porém, para onde fugirás de ti mesmo?” Pra onde? É essa a questão que importa. O resto não passa de um de flácido colóquio de pusilânimes e misantropos presunçosos e nada mais.

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