Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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ATRAVÉS DO ZÓIO DE MINERVA




OU É ASSIM, OU É ASSADO



(1)
SE NÃO SOMOS CAPAZES DE silenciar para ouvir, não estamos aptos para dizer qualquer coisa que preste.

(2)
CONHECER É SIMILAR A COZINHAR. Se o produto de nosso labor intelectual é puro azedume e azia mental é porque, definitivamente, a matéria de nossas reflexões, e o proceder de nossa investigação, se houverem, será indigesta e não vai nos levar a lugar algum.

(3)
FILOSOFAR NÃO É - DE JEITO MANEIRA - o exercício duma profissão, a ocupação dum cargo público e, muito menos, a prática duma atividade de caráter escolar. Filosofar é o atendimento amoroso e abnegado ao chamado duma vocação superior.

(4)
LEMBRE-SE: UMA ALMA INQUIETA, tomada por paixões desordenadas, poderá apenas reagir aflitivamente diante dos desafios que são apresentados pela vida. Nunca como um adulto.

Dartagnan da Silva Zanela
professor, caipira, escrevinhador e bebedor de café.

NÃO ME VENHA COM LENGA-LENGA


SE NÃO SOMOS CAPAZES DE NOMINAR e descrever uma coisa simples, como os objetos que estão presentes em nosso quarto, não sejamos presunçosos ao ponto de imaginarmos que estamos mais que habilitados para nominar e descrever qualquer coisa que esteja minimamente acima dessa diminuta escala. Não sejamos presunçosos ao ponto de acreditar que temos algo minimamente relevante pra dizer sobre qualquer coisa.

Dartagnan da Silva Zanela
professor, caipira, escrevinhador e bebedor de café.

A LIBERDADE COBRA SEU PREÇO


ENTENDAMOS UMA COISA BEM SIMPLES: somente a verdade nos libertará. A ideologia não liberta ninguém; nem o partido, nem a política, nem o Estado, nem fulano ou sicrano. Nada disso. É somente ela, a verdade, e nada mais. Se não somos capazes de entender essa obviedade, com o perdão da palavra, não somos capazes de entender nada com um mínimo de decência. Nada.

Dartagnan da Silva Zanela
professor, caipira, escrevinhador e bebedor de café.

PARA ALÉM DE NOSSOS TEMORES



NÃO DEVEMOS PROCURAR ALGO QUE apenas nos dê uma sensação de segurança não. Isso é para almas fracas, para aqueles que temem a realidade e não suportam encarar a vida face a face.

Infelizmente, quando muitas pessoas dizem estar trilhando o caminho da filosofia, o que elas anseiam desesperadamente encontrar é algo que tão somente confirme a sua inconformidade consigo e com o mundo. Só isso. Jamais a sabedoria em seu esplendor porque ela, a sabedoria, não cabe no minimalismo de seu horizonte de consciência.

Enfim, de jeito maneira essas pobres almas procuram a verdade. Na real, elas fogem dela como o coisa ruim foge da santa cruz.

Pior! Muitas vezes nós mesmos acabamos resvalando por esse turvo viés. Basta que sejamos sinceros para conosco mesmo para constatarmos essa vergonha nada original em nossa caminhada por esse vale de lágrimas.


Agora, se estamos de fato à procura de algo que fortaleça a nossa personalidade, é a verdade que devemos procurar e, tal procura, necessariamente, irá nos fortalecer pelo simples fato de estarmos procurando algo que não seja limitado pelos nossos desejos e temores. Ponto.

Dartagnan da Silva Zanela,
professor, caipira, escrevinhador e bebedor inveterado de café.

COMO NUNCA SE VIU


A casa não caiu. Foi derrubada pelo mais frio dos monstros frios.
Friamente foi feito, à sombra da suja toga de tretas e malícias mil
Que vive amancebada com a mais suja das castas, ignóbil e vil
Rindo, cinicamente, enquanto o infante e o homem senil
Choram ao ver que o trabalho de suas vidas inteiras caiu
Rente ao chão, junto a esteira do trator que tudo destruiu.
O trator destruiu o que o trabalhador, com seu suor, construiu.
A esperança que luzia no olhar do infante lacrimou e sumiu
Quando a ganância e a vileza contra sua família investiu
Sem clemência, sem justiça, sem dó, como nunca se viu.

por Dartagnan da Silva Zanela,
07 de dezembro de 2017.

UM CADINHO MAIS DE TEMPO


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

Queria ter mais tempo. Mais tempo para estar com aqueles que amo, que são a razão de meu existir. Queria tê-lo, fartamente, para poder ler e escrever mais e, quem sabe, melhor. Queira ter mais tempo para revolver a terra e cultivá-la, pra ver as sementes lançadas germinar e crescer. Queria. Como queria. Mas não o tenho. Entretanto, não me lamento por isso. Não mesmo. Faço o que posso com o cadinho que disponho em minhas mãos, aproveitando todo o tempo que tenho para fazer valê-lo. Para me fazer valer.

(*) Professor, caipira, escrevinhador e bebedor inveterado de café.