Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

Pesquisar este blog

NOTAS CONTEMPORÂNEAS

Escrevinhação n. 1091, redigida no dia 30 de janeiro de 2014, dia de Santa Batilde e de Santa Jacinta Mariscotti.

Por Dartagnan da Silva Zanela


1. 
O passado sempre se faz presente em nossas vidas com suas preciosas lições. Infelizmente, o homem moderno, por encontrar-se agrilhoado aos momentos fugidios destacados da concretude da realidade, faz-se surdo para tais ensinamentos.

Todo o tempo o drama duma multidão de vidas pretéritas está nos advertindo a não repetirmos os mesmos erros. Todavia, insistimos bestialmente em fazermos ouvidos loucos para essas vozes, preferindo ouvir o canto sedutor dos íncubos do presente que nos apartam da experiência a muito vivida em sociedade.

Íncubos que insistem em nos enfeitiçar com suas promessas dum futuro melhor. Melhor como nunca se viu antes na história e, assim será, segundo eles, repetindo os mesmíssimos erros cometidos em épocas anteriores.

Isso sim, meu caro Watson, deve ser a tal da alienação.

2. 
O Silêncio é uma dádiva rara na sociedade contemporânea. Aliás, tão pouco desejada, até mesmo temida por boa parte das pessoas que não abrem mão da confusão urbana, da fragmentação televisiva e do permanente ruído que é característico tanto duma quando doutra.

Não é por menos que se confunde, com tanta facilidade, a multidão de vozes externas que sem serem convidadas habitam nosso íntimo, apresentando-se como sendo a nossa própria voz interior.

Tamanho é o furdunço que essa massa anômica de opiniões acaba tomando, lentamente, o lugar de nossa consciência individual, apresentando-se como uma consciência coletiva - versão 2.0 e, chamada por alguns, pelo epíteto de consciência crítica.

Tal é o estado crítico de demência que toma conta de boa parte de nossa sociedade que confunde a pose firmada em estereótipos politicamente-corretos com o exercício silencioso e solitário da consciência.

Pax et bonum
Blog: http://zanela.blogspot.com
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com

O MAQUIAVALISMO RUBRO

Escrevinhação n. 1088, redigida no dia 28 de janeiro de 2014, dia de Santo Tomás de Aquino.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Dum modo geral, os partidos em nosso país, nas palavras de Oliveira Vianna, são clãs políticos que arregimentam interesses grupais (e familiares) em torno de figuras oligárquicas formando uma agremiação de mesquinharias ou, simplesmente, sistematizando a bandalheira, como diria Euclides da Cunha.

Todavia, esse não é o único modelo partidário atuante em nosso país, nem mesmo o mais perverso. Muitos são os teóricos do assunto, porém, um dos que muito escreveu sobre o tema foi Lênin. Tanto escreveu e agiu que muito influenciou. Mas o que esse homem nos diz a respeito da organização e das funções duma agremiação partidária marxista?

Uma das tarefas fundamentais do partido são a agitação e a propaganda. Tais tarefas, de curto e longo prazo, devem ser fixadas por critérios de flexibilidade e eficácia, pois a revolução (não só a tomada do poder) não nasce pronta e acabada. Para tanto o partido deve agir aberta e/ou clandestinamente, realizando as combinações que o favoreça neste propósito.

O mesmo também lembra que se deve aproveitar as condições objetivas existentes no intento de criar as condições necessárias para se obter o poder e implantar o Estado revolucionário. Ou seja: através duma eficaz maquinaria Estatal, instrumentalizada pelo partido e pelas organizações ligadas a ele, deve-se promover a transição do quadro presente para um regime totalitário, reajustando as condições objetivas em todas as estruturas, sejam elas econômicas, sociais, culturais e políticas.

Trocando por miúdos: tudo é válido em nome da revolução. Em seu livro “Esquerdismo – a doença infantil do comunismo”, Lênin diz que é preciso estar disposto a todos os sacrifícios, empregar todos os estratagemas, ardis e processos ilegais, silenciar e ocultar a verdade para realizar um trabalho comunista.

Todas essas orientações da lavra do velho bolchevique ajudam-nos a compreender porque os mensaleiros, juntamente com seus partidários e “simpatizantes”, sentem-se vitimados. Eles acreditam candidamente que estavam apenas procurando criar as condições necessárias a partir das condições objetivas para realizar as metas de longo prazo ditadas por sua ideologia.

Metas que continuam vigentes e sendo galgadas por todos aqueles que são devotos desta ideologia mundana. A prisão desses indivíduos significa apenas uma nova circunstância em que se adaptarão para continuarem na realização com seu projeto de poder que é bem mais amplo que um esquema de corrupção.

Por isso, abra olhos, navegante, que o mar é tenebroso.

Pax et bonum
Blog: http://zanela.blogspot.com
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com

VELHAS PALAVRAS DUM VELHINHO

Escrevinhação n. 1089, redigida em 24 de janeiro de 2014, dia de São Francisco de Sales.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Não é conto de fadas! Mesmo assim, iniciemos o causo nestes termos: era uma vez um rapazinho todo intoxicado com aquela velha patacoada comuna, dissimulada em trocentos tons de cinza relativista. Politicamente-corretíssimo! O orgulho mimoso de seus mentores.

Esse espécime caricato tinha um desafeto inconfesso. Era um velho. Funcionário público aposentado, carola, de vida rotineira, caridoso do seu modo, gostava de jogar dominó e doutras estripulias.

Andava meio arquejado pelas ruas, devido o peso dos anos. Muitas das vezes era visto dedilhando o seu rosário, outras tantas, tomando umas pinguinhas e jogando conversa fiada no bar do Sucuri.

Ele detestava o velhote! Não porque o infeliz tivesse feito algum mal para ele. Não é disso que se trata! É porque o senhor representava tudo o que havia de mais reacionário no mundo, conforme seus doutos ídolos de barro haviam lhe ensinado na escola cidadã que freqüentava.

Ele via o semblante enrugado e logo vinha à sua mente todos os ensinamentos iluminados dos seus professores.

Seu sonho era poder esculachar com ele. Isso mesmo! Esculachar! Em público, de preferência! Mas não havia, até então, encontrado a ocasião apropriada para tão elevada empreitada ética.

O tempo passou, o desejo ficou, e eis que o dia chegou! Lá estava o homem do rosário, e das pingas, sentado num banco da praça do bairro.

O garoto decidiu-se! Firmou o passo rumo a ele e foi. Cumprimentou-o com os modos dum íncubo e disse-lhe, decoradinho, o cacoete que havia aprendido: “o que me espanta, meu senhor, é o tamanho da tua hipocrisia! Como pode um homem tão devasso, tão mau, rezar tanto e imaginar-se bom. Como pode?”

O senhor, na sua simplicidade, mirou as tíbias vistas do rapaz e disse-lhe: “eu também não sei meu jovem. Eu também não sei. Mas peço a Deus que me ajude a deixar de ser um homem tão mau. Sozinho sei que não sou capaz. Mas que Ele me livre de ser uma pessoa tão boa e justa como você.

“O que o senhor quer dizer com isso?”, Retrucou o rapagão de maneira tão assustada quanto ríspida.

“Nada que você já não saiba, mas recusa-se a reconhecer”.

De imediato, o rapaz calou-se. Não sabia o que dizer. Sentou-se ao lado do velhote que lhe ofereceu um trago após ter-lhe apontado o caminho para tão obvia verdade.

Pax et bonum
Blog: http://zanela.blogspot.com
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com

POR UMA CRÍTICA DA RAZÃO CURTA

Escrevinhação n. 1088, redigida no dia 21 de janeiro de 2014, dia de Santa Inês.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Uma sociedade democrática deve ter em seu bojo grupos políticos tanto de direita como de esquerda. Quesito que o Brasil encontra-se mui distante. Sim, nessas terras cabralinas temos a presença de partidos de centro-esquerda, esquerda, extrema-esquerda e, todos eles, tingidos nos mais variados tons de vermelho de ideologia marxista. Agora, quanto aos partidos de direita, defensores de princípios conservadores ou duma política liberal, inexistem.

O que se convencionou chamar de destra em nosso país é o atraso. Isso mesmo! Tudo o que representa o clientelismo, o fisiologismo, o mandonismo e demais hostes. Por isso, em nosso país, termos como direita, conservador ou liberal são tidos como insulto, haja vista que aqueles que detêm a rubra-hegemonia, com uma estratégia de ação em longo prazo, acabam por estereotipar qualquer visão de mundo contrária à sua.

Ora, sejamos francos: quem no meio intelectual, letrado e nos círculos políticos, discute, por exemplo, as obras de Edmund Burke, Russell Kirk, Eric Voegelin? Quem nessas esferas lê as obras de Murray Rothbard, Ludwig Von Mises e Friedrich Hayek? Intelectuais conservadores e liberais neste país são ilustres desconhecidos e, quando lembrados, o são para ser escarnecidos devido a ocupação de espaços realizada pela intelectuária canhota.

Quanto ao fisiologismo, que não é direita política em canto algum do mundo, pode e é muito bem utilizado por qualquer um. Por oportunistas de ocasião ou por estrategistas gramscianos que, por sua deixa, são exímios interpretes de Maquiavel. 

É claro que os mandonistas julgam-se espertos, feito raposas. Todavia, no jogo político atual, mais do que em épocas pretéritas, esse tipo de agente político não passa dum mero instrumento nas mãos daqueles que tem objetivos muito mais amplos que uma reles vantagem eleitoreira na forma de cargos e facilidades.

Não é uma questão de gosto ou simpatia, mas aquele que tem um projeto de poder de longo prazo sempre capitaliza todos os projetos de curto prazo para a realização do seu. Neste caso, um amontoado de lideranças políticas sem princípios é facilmente instrumentalizada por aqueles que vêem o jogo político muito além duma roleta quadrienal porque seu projeto de poder é muito maior que isso. Resumindo: no frigir dos ovos não há, de fato, oposição ao consórcio rubro de poder reinante. Lamento informar.

Pax et bonum
Blog: http://zanela.blogspot.com
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com

REGRA DE TRÊS

Escrevinhação n. 1087, redigida no dia 14 de janeiro de 2014, dia do Bem-aventurado Pedro Donders.

Por Dartagnan da Silva Zanela


J. O. de Meira Penna em seu livro “A ideologia do século XX” nos ensina que para compreender a atuação dum grupo político deve-se observar atentamente três dimensões: a ideológica, as discussões internas e as ligações externas.

Antes de qualquer coisa, jamais percamos de vista que o objetivo dum grupo desse gênero é a obtenção do poder. Dito isso, sigamos com o andor. Por dimensão ideológica entendamos o conjunto de valores que justifica a luta pelo poder e que modela a forma de seus membros encararem a realidade.

O segundo quesito são os debates realizados e as deliberações tomadas pelos membros do partido nos seus mais variados escalões. Atas, boletins internos, revistas, jornais do partido são documentos basilares para entendermos, razoavelmente, qual é a agenda do mesmo. Detalhe importante: sempre que se fala com os seus, as palavras são sempre mais verazes e espontâneas do que aquelas que são ditas para o público em geral.

Por fim, temos as ligações externas que se resumem no mapeamento dos grupos (políticos ou não), indivíduos, empresas e, em alguns casos, organizações criminosas e para-militares com as quais um partido tenha ligações discretas e/ou alianças estratégicas.

Resumindo o entrevero: se perguntamos a um indivíduo (ou partido) qual é sua escala de valores, o que e como ele pretende realizar como metas de médio e longo prazo e quais seriam os parceiros dessa tarefa, iremos saber com quem estamos lidando.

Dito isso, vejamos o seguinte: o que podemos dizer de um partido que fundou uma organização continental, em parceria com Fidel Castro, reunindo praticamente todos os partidos marxistas da América Latina, as FARC, MIR e demais organizações desta estirpe? Aliás, essa organização declarou que pretende recuperar na América Latina o que foi perdido no Leste Europeu. Mas, o que foi perdido?

Meu caro Watson, essa organização, fundada no início dos anos noventa, é o Foro de São Paulo. O partido é o que hegemonicamente nos governa. O que sentimos em relação a ele, pouco importa. O que interessa são suas ações, objetivos e parceiros para ficarmos cônscios do rumo que está sendo dado ao nosso país, independente do nosso [des]afeto, voto ou veto.

Pax et bonum
Blog: http://zanela.blogspot.com
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com

MEMÓRIAS DO FAXINAL DO CÉU

Escrevinhação n. 1086, redigida entre os dias 08 de janeiro de 2014, dia de São Pedro Tomas e São Severino, e 14 de janeiro de 2014, dia do Bem-aventurado Pedro Donders.

Por Dartagnan da Silva Zanela

1. 
Certas vezes vejo-me imerso em minhas lembranças. Lembranças de minha infância a muito vividas. Não esquecidas.

Lembro-me dos dias em que vivi na rua rio Borboleta, na vila operária de Faxinal do Céu, que hoje não passa dum abandonado Faxinal distante do céu.

Era uma casinha branca e azul entre muitas casas similares rodeadas de mata nativa no meio dum sossegado ermo.

A imagem que me vem agora, destes dias, é viva. Meu pai cuidando de suas ferramentas no porão improvisado. As chaves de “ako” (chaves de fenda) e tudo mais no seu devido lugar entre as colunas irregulares de concreto.

Ainda ouço o som da voz de minha mãe chamando-nos numa rotineira tarde de sábado para comermos. Não me esqueço do cheirinho do café, pão fresco, da visão da velha bacia de massa de pão frita ao lado dos pastéis recheados com carne moída, ovo, pimentão verde e arroz.

A imagem da cozinha parece-me ainda hoje presente, tal qual o cheiro dos quitutes e bem como o gostinho da saudade dos inocentes dias que a muito ficaram pra traz.

2. 
Tropa de elite 2. Um filme que deve ser visto e revisto. Digo o mesmo do um, mas refiro-me substancialmente a sua continuação.

Muitos pontos merecem destaque. Muitos mesmo. Porém, nestas breves notas, permitam-me destacar apenas um. A jornada trágica e solitária do herói.

Todos aqueles que ele, Capitão Nascimento, ama não o querem mais próximo.

Conforme segue sua jornada, ao invés de vislumbrar o êxito sonhado ele vê desenhando-se em sua frente uma humilhante derrota.

Nesta solidão e abandono o capitão Nascimento levanta-se como um colosso contra todas as forças reinantes e continua a lutar sua batalha desolada numa guerra perdida. Guerra em que perdeu tudo, menos a coragem e o senso de dever.

E esse é o traçado dum homem imprescindível claramente visível no drama da personagem. Sem isso, coragem e senso de dever, não há herói. Apenas pacatos cidadãos.

Pax et bonum
Blog: http://zanela.blogspot.com
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com