Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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PROGRAMA AVE MARIA, 28 de outubro de 2010.


O Programa Ave Maria é o Programa radiofônico da Paróquia Nossa Senhora de Belém e vai ao ar de segunda à sexta das 18h00 às 18h20. Nas quintas a apresentação do mesmo é feita por Dartagnan da Silva Zanela.

COMENTÁRIOS RADIOFÔNICOS DA SEMANA



Comentários proferidos através das ondas da Rádio Cultura AM/FM entre os dias 18 a 22 de outubro de 2010.

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PEQUENAS NOTAS E NADA MAIS

Escrevinhação n. 856, redigido em 27 de outubro de 2010, dia de Santo Elesbão e São Frumêncio.

Por Dartagnan da Silva Zanela

"Certos homens odeiam a verdade, por amor daquilo que eles tomaram por verdadeiro". (Santo Agostinho)

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Muitas lições podem ser aprendidas neste pleito. Dentre elas, a que julgo ser da maior importância é que nesta eleição ficou patentemente claro que o povo brasileiro é profundamente conservador e que, paradoxalmente, não possui nem canais políticos, nem midiáticos e muito menos culturais para expressar os princípios que fundamentam a sua vida, os valores que regem o seu senso de cidadania.

Naturalmente, não devemos entender a palavra conservador no sentido pejorativo que a intelectuária canhota lhe atribui. Para estes, conservador é apenas uma topus (lugar comum) para insultar os seus desafetos, ou seja, todos aqueles que não concordam com suas idéias maravilhosas de um “mundo melhor possível”.

Entendamos por conservador o que Platão, Aristóteles, Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino e tutti quanti compreendiam. Trocando por miúdos: ser conservador, em princípio, significa compreender que apesar de todas as mutações e degradações que se apresentam no mundo existe na alma humana uma estrutura permanente que deve ser preservada, porque essa é essa nos define.

Todavia, na atmosfera cultural em que estamos inseridos na atualidade, tornou-se praticamente um valor supostamente sacrossanto que a sociedade e bem como a humanidade devem ser transformados em sua essência em algo hipoteticamente melhor mediante, é claro, a concentração de poder nas mãos de um grupo político que vê a si mesmo como sendo portador das mais elevadas qualidades, tal qual nos ensina o filósofo Olavo de Carvalho.

Aliás, como nos ensina o professor Michael Oakesshott, o conservadorismo se baseia, inicialmente, em um senso de “[...] gratidão adequada por aquilo que está à disposição e, consequentemente o reconhecimento por uma dádiva ou uma herança do passado”. E, nossa cultura reinante, ao contrário, nos ínsita a revermos tudo o que nos foi deixado, sem ao menos conhecer o que estará sendo supostamente revisto, justamente porque imagina-se que o nosso tempo é superior a todas as outras épocas vividas pela humanidade e que seria um dever de nossa geração mudar tudo para que tudo fique de acordo com nosso turva imagem e semelhança.

Tal impostura, presente em nossa cultura, é essencialmente gnóstica. O gnóstico, segundo Eric Voegelin, é aquele que vê a realidade como sendo essencialmente ruim. Vendo o mundo com essa visão nebulosa, lhe restaria apenas duas alternativas: a fuga da realidade ou a revolta contra ela. O que é interessante é que para este tipo, todo mundo é ruim, menos ele, é claro. Ama a humanidade, mas é incapaz de ser ao menos gentil para com os seus próximos.

Doravante, Russell Kirk, nos ensina que o conservador “[...] acredita que existe uma ordem moral duradoura. Que a ordem está feita para o homem, e o homem é feito para ela: a natureza humana é uma constante, e as verdades morais são permanentes”. Não é à toa que todo ciclo moderno foi profundamente marcado pela ação de uma intelectuária que tinha por objetivo inverter a percepção desse dado da estrutura da realidade para assim melhor impor a sua (in)compreensão de mundo as pessoas. Ou seja: disseminando a crendice de que os princípios morais não são universais ao mesmo tempo em que se afirma, levianamente, que eles seriam apenas um reles produto cultural, absolutamente relativo, para melhor subverte a ordem moral.

Por isso toda ação política, conforme nos lembra Leo Strauss, está fundamenta em uma compreensão do que seja “o melhor” e “o pior”. Consequentemente, esse pensamento do que seja um e outro, nos leva a um entendimento do que seja o Bem, do que seja uma boa vida, uma boa sociedade. Entretanto, muitas das vezes essa compreensão está em contradição com o que o ser humano é. Esse é o caso de toda doutrina materialista como marxismo e todos os matizes totalitários que crêem poder refazer a natureza humana, melhorar a humanidade sem ao menos parar para refletir que ele enquanto pessoa deveria, antes de cogitar isso, melhorar-se, como nos ensina Confúcio já a longa data.

Bem, é neste sentido que o povo brasileiro é conservador e, para surpresa da intelectuária orgânica rubra, neste pleito, apesar de não ter encontrado um grupo político que sinceramente represente os esses princípios, muitas pessoas encontraram uma bandeira que foi abraçada vivamente que é a luta contra a legalização aborto e a conversão ignóbil disso em “direito humano”.

Porém, é fundamental que não calemos a nossa voz após o dia derradeiro. É imprescindível que procuremos ter claro em nosso íntimo os valores que nos definem como pessoa e defendê-los publicamente, ensiná-los a quem tiver ouvidos, sem medo de sermos rotulados de conservadores, pois, defender a vida é um dos princípios do conservadorismo e, insultar com jargões e cacoetes mentais esvaziados de significado é a própria essência da mentalidade dos indivíduos que se denominam progressistas. E, se o sentido das palavras revela quem nós somos, tais palavras esvaziadas de sentido revelam claramente o que há realmente no íntimo destes boníssimos sujeitos, não é mesmo?

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Obs.: Com grande alegria estamos inaugurando em nosso web site - http://dartagnanzanela.k6.com.br - uma sala virtual de conferência. Nesta segunda-feira a partir das 18h00, teremos a primeira transmissão, ao vivo, de uma breve preleção e, desde já, agradecemos a sua presença.

Pax et bonum
Site: http://dartagnanzanela.k6.com.br
Blog: http://zanela.blogspot.com

E DEPOIS O FANÁTICO SOU EU – breves considerações

Escrevinhação n. 855, redigido em 19 de outubro de 2010, dia de São Paulo da Cruz.

Por Dartagnan da Silva Zanela

“Nada se aprende sem um pouco de trabalho”.
(Sta. Teresa d’Ávila)

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É incrível como as pessoas que menos compreendem as suas próprias razões são as primeiras a lhe chamar de fanático. Incapazes de flagrar-se como sendo os únicos a estar dando uma clara demonstração de obscurantismo secular ideológico em uma efusiva massa ululantemente “crítica” com seus jargões e cacoetes mentais que cansam qualquer ouvinte. Bastou que inúmeros cidadãos, Cristãos Católicos, Cristãos Evangélicos, Espíritas e inúmeras outras tantas almas que se esforçam em reger suas vidas pela régua do bom senso declarar o óbvio para elas se enfurecerem civicamente. Bastou apenas ser lembrado que legalizar a prática do aborto é um absurdo moral, que, mais do que imediato, os patrulheiros ideológicos rubros, sempre de plantão, já começaram a vociferar: “Fanáticos! Inquisidores! Conservadores! Retrogradas! Reacionários! Manipuladores da fé popular!” E por aí verga o andor de dissabores.

Tudo bem, se pessoas como eu são fanáticas, vamos então aos fatos: se volvermos as nossas vistas para as laudas do PNDH – 3, especificamente em suas páginas 91 e 92 encontraremos o seguinte: “Considerar o aborto como tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços de saúde. (Redação dada pelo Decreto nº 7.177, de 12.05.2010).[e...] Recomenda-se ao Poder Legislativo a adequação do Código Penal para a descriminalização do aborto”. Não precisamos lembrar que o Programa Nacional de Direitos Humanos é um documento da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Trocando por miúdos: não se está difamando, insultando e muito menos manipulando ninguém, mas apenas apontando um fato que, em meu ver é, ao mesmo tempo, óbvio e de grande relevância.

Como também julgamos ser de grande relevância lembrar que o atual governo se comprometeu junto a ONU, em abril de 2005 a legalizar o aborto nesta terra de Vera Cruz e em agosto do mesmo ano, junto a mesma, a reconhecer o aborto como um Direito Humano da Mulher. Inclua-se aqui o boicote que houve a chamada CPI do aborto que iria investigar as origens do financiamento por parte de organizações internacionais para a legalização e a promoção do aborto no Brasil. Conclusão: bandeiras de longa data como estas não são abandonadas, meu caro Watson, mas apenas arriadas por conveniência e oportunismo que este momento sugere.

Doravante, lembro aqui as falas de algumas vozes oficiosas que afirmavam que esse documento (PNDH – 3) é fruto das discussões ceifadas nos movimentos sociais e que, por isso, representaria a vontade da sociedade. Todavia, perguntamos: em que medida esses ditos movimentos são legítimos representantes da sociedade brasileira? Ora raios, 87% da população brasileira é contra a legalização do aborto. De mais a mais, cabe destacar que muitas das mulheres e homens que praticaram ou foram coniventes com um aborto arrependem-se do feito e se colocam contra isso. Para os defensores do aborto isso seria um sinal de hipocrisia. Para os defensores do bom senso isso se chama arrependimento mediante um exame de consciência. Ah! Mas é claro que para se fazer e compreender o que é isso é preciso ter uma, não é mesmo?

Poderíamos ir para um pouco além dos fatos e refletirmos sobre os valores que estão presentes na defesa da legalização deste “problema de saúde pública”. A questão do aborto não é um reles pomo de discórdia ocasional e eleitoreiro, apesar de muitas almas obtusas apenas ver isso na querela. Temos presente nesta discussão toda uma peia em torno de uma concepção de civilização e de ser humano em jogo. Uma fundada em princípios metafísicos e sacros que compreendem o humano como um ser que transcende o material, tal qual nos ensina a Santa Doutrina Cristã. A outra apresenta-nos uma concepção materialista, utilitarista e hedonista do sentido da vida humana e vislumbra o indivíduo apenas como humano na medida em que possa mundanamente “ser” e nada mais.

Sobre este ponto, sabemos que a querela é muito mais extensa do que o parvo parágrafo que antecede a este. Aliás, a documentação sobre o tema é deveras significativa para ser desdenhada do mesmo modo que o que está em jogo é muito mais sério do que a vitória ou a derrota do candidato “A” ou “B” neste pleito.

Antes de findar, voltemos ao fanatismo. Estas “pessoas maravilhosas”, que acham um absurdo falar-se que o aborto não deve ser legalizado, afirmam sempre defender a liberdade de expressão, porém, sempre ficam espantadas, acachapadas, quando outras pessoas, adversários ou não, tem a ousadia de expressar idéias e ideais diversos dos seus. Que coisa em? Como podem ser assim tão ousados e abusar tanto assim da boa vontade destes indivíduos organicamente iluminados e comprometidos como eles? É, e depois o fanático sou eu.

Por fim, cremos que quem conseguiu descrever esta mentalidade da intelectuária militante coletivista de uma forma absurdamente clara foi o sociólogo Raymond Aron em sua obra clássica “O ópio dos Intelectuais”, o historiador Paul Johnson em seu livro “Os Intelectuais”, o Embaixador J. O. de Meira Penna em “A ideologia do século XX” e os filósofos Albert Camus em seu imperdível “O Homem revoltado” e Olavo de Carvalho em seus memoráveis “O Imbecil Coletivo” e “Da Nova Era à Revolução Cultural – de F. Capra à A. Gramsci”. Mas, para que apresentar essas obras juntamente com os seus autores? Ué, ao contrário do que os iluminados imaginam, as pessoas que não partilham de seus “ideais” estudam e, por incrível que pareça, existe muito mais coisas entre o céu e a terra do que julga a sua vã idolatria materialista.

[um dia desses, continua...]

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