Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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Regra geral


Por Olavo de Carvalho

Se vocês ainda não notaram, aproveitem o festival de homicídios em São Paulo como ocasião perfeita para notar esta regra geral nunca desmentida: com a mesma constância com que em qualquer nação agrária e atrasada as revoluções socialistas resultam imediatamente na instauração de ditaduras genocidas, em todo país mais ou menos próspero e democrático onde a esquerda se torne hegemônica as taxas de criminalidade sobem e não param mais de subir. O primeiro desses fenômenos observou-se na Rússia, na China, na Coréia do Norte, no Camboja, em Cuba etc. O segundo, na França, na Inglaterra, na Argentina, na Venezuela, nos EUA, no Brasil e um pouco por toda parte no Ocidente.

Por que? E há alguma relação entre essas duas séries de fatos?

Todo o esquema socialista baseia-se na idéia de Karl Marx de que o proletariado industrial é a classe revolucionária por excelência, separada da burguesia por uma contradição inconciliável entre seus interesses respectivos.

Quando um partido revolucionário toma o poder numa nação atrasada, predominantemente agrária, como a Rússia de 1917 e a China de 1949, não encontra ali uma classe proletária suficientemente numerosa para poder servir de base à transformação da sociedade. O remédio é apelar à industrialização forçada, para criar um proletariado da noite para o dia e “desenvolver as forças produtivas” até o ponto de ruptura em que a burguesia se torne desnecessária e possa ser substituída por administradores proletários. Para isso é preciso instaurar uma ditadura totalitária que possa controlar e remanejar a força de trabalho a seu belprazer (Trotski chamava isso de “militarização do trabalho”). Daí a semelhança de métodos entre os regimes revolucionários socialistas e fascistas: ambos têm como prioridade a industrialização forçada, com a única diferença de que os fascistas a desejam por motivos nacionalistas e os socialistas pelo anseio da revolução mundial. [continue lendo]

Com a palavra a Beata Teresa de Calcutá


Somente através da meditação e da leitura espiritual podemos cultivar o dom da oração. A oração mental cresce simultaneamente com a simplicidade, ou seja, o esquecimento de si próprio, a superação do corpo e dos sentidos, e a renovação das aspirações que alimentam a nossa oração. É, como diz São João Maria Vianney, «fechar os olhos, fechar a boca e abrir o coração». Na oração vocal somos nós que falamos com Deus; na oração mental, é Ele que nos fala. É neste momento que Ele se derrama em nós.

A nossa oração deve ser feita de palavras quentes, nascidas da fornalha do nosso coração cheio de amor. Nas tuas orações, dirige-te a Deus com grande reverência e confiança. Não te atrases nem te precipites, não grites, nem te entregues ao mutismo, mas com devoção, com grande delicadeza, com toda a simplicidade, sem qualquer afectação, oferece o teu louvor a Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma.

Finalmente, deixa que o amor de Deus possua inteira e absolutamente o teu coração e deixa esse amor tornar-se no teu coração uma segunda natureza; não permitas que o teu coração seja penetrado do que lhe é contrário; deixa-o aplicar-se continuamente ao crescimento deste amor, procurando agradar a Deus em todas as coisas, não Lhe recusando nada; deixa-o aceitar tudo o que lhe acontece como vindo das mãos de Deus; faz com que esteja firmemente determinado a jamais cometer qualquer ofensa deliberada ou conscientemente - ou, se não, deixa-o humilhar-se e aprender a erguer-se logo a seguir. Então, esse coração estará continuamente em oração.

INDO E VINDO DE ARRASTO


Escrevinhação n. 976, redigida em 08 de novembro de 2012, dia de São Godofredo e do Bem-aventurado Dun Scoto.

Por Dartagnan da Silva Zanela


As palavras movem, os exemplos arrastam. Esse é um brocardo que todos conhecem. Os exemplos, ninguém ignora, podem ser apresentados intencionalmente ou de modo velado através de nossos gestos e ações. Em muitas ocasiões, o primeiro é contradito quando defrontado com o segundo, noutras, complementam-se. Bem, dum jeito ou doutro, sempre estamos tendo diante de nossas vistas modelos de conduta que guiam nossas escolhas.

Doravante, René Girard demonstra, com elegância e argúcia, através de sua teoria do “desejo mimético” o quão presente os exemplos se fazem na formação de uma pessoa e, bem como, na estruturação da vida em sociedade. Segundo o referido antropólogo, somos seres ciosos por ser, em nos realizar como indivíduo, por não sabermos exatamente quem e o que somos. Frente a essa angústia substancial, somos movidos a preenchê-la com algo que dê sentido a nossa vida. Sentido que, por sua deixa, é colhido no pomar de modelos que tornam latentes todas as possibilidades humanas almejáveis e indesejáveis.

Levantamos essa pedra tendo em vista a grande confusão mimética reinante. Os noticiários apresentam-nos a vilania moral como padrão de comportamento por meio de pessoas públicas, celebridades, de suas novelas e tutti quanti. Temos de modo onipresente a baixeza como padrão. Sim, há exceções, porém essas são minguadas, caricatas, e apenas auxiliam na reafirmação da torpeza reinante.

Na seara educacional, o cenário não é diverso. Aliás, nesta temos um agravante maior. Devido ao pensar, e ao educar, dito crítico, cultiva-se um grande desdém pelo que seja realmente representativo do potencial humano ao mesmo tempo em que se estimula um largo sentimento de rancor no coração dos infantes. Sentimento esse que é devidamente sevado pelas posturas e imposturas que são apresentadas a estes em sala e fora dela que coloca os púberes no patamar de juízes universais do que realmente pode ser tido como respeitável e louvável. Francamente, somente tolos são capazes de idolatrar o mimado discernimento juvenil. 

Destruindo-se a imagem dos modelos de conduta humana que refletem os valores perenes não se está libertando os infantes, não mesmo. O que se está fazendo, cônscio ou não disso, é substituir um exemplo de elevado valor por um de pérfida mediocridade que, em regra, é a cara de seus proponentes.

Com a ausência de modelos que realmente figurem as reais potencialidades da alma humana, perde-se o sentido da admiração e bem como o senso de grandeza que são substituídos por sentimentos e desejos fúteis guiados pelas referências torpes apontadas pelas almas embebidas num rancor advindo do fato de serem elas, simplesmente, pessoas desprovidas de qualquer qualidade. Não é por menos que estamos a viver sob as rédeas de uma mediocracia. Não é de espantar que nada mais escandalize a alma brasileira.

Por essas e outras que a futilidade nos subiu a cabeça e tornou-se marca distintiva de cívica brasilidade.

Pax et bonum
Site: http://zanela.blogspot.com
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com 

Quem manda no mundo?

Por Olavo de Carvalho

Nas minhas leituras de juventude, mais de quatro décadas atrás, poucas  perguntas me impressionaram como aquela que dá título à segunda parte de La Rebelión de las Masas, de José Ortega y Gasset: “Quién manda en el mundo?”

O filósofo não a formulava em sentido metafísico, onde poderia ser respondida por algo como “Deus”, “o acaso”, “a fatalidade”, mas em sentido geopolítico, e chegava à conclusão de que era uma lástima a Europa ter perdido seu posto de liderança, cedendo a vaga para a Rússia e os Estados Unidos.

A resposta parecia deslocada da pergunta. Estados, nações, governos e continentes não mandam. Quem manda são os indivíduos e grupos que os controlam. Antes da geo-política vem a política tout court.  E aí tudo se complica formidavelmente. É fácil perceber quais Estados ou países predominam sobre os outros. Mas descobrir quem realmente manda num Estado ou país – e através dele manda nos outros -- é um desafio intelectual mais atemorizante do que o pode imaginar o analista político usual.

O verbo “mandar” vem do latim manus dare: quem manda empresta os seus meios de ação (sua “mão”) para que outros realizem algo que ele pensou. Um governante dá ordens a seus subordinados, mas, examinando bem, você verá que só raríssimos governantes, na História – um Napoleão, um Stálin, um Reagan –, foram eles próprios os criadores das idéias que realizaram. Os primeiros teóricos do Estado moderno acertaram na mosca quando inventaram a expressão “poder executivo”: em geral o homem de governo é o executor de idéias que ele não concebeu nem teria a capacidade – ou o tempo -- de conceber. E os que conceberam essas idéias foram os mesmos que deram a ele os meios de chegar ao governo para realizá-las. Quem são eles? [continue lendo]

¿Piensan los jóvenes?


Por Jaime Nubiola

La impresión prácticamente unánime de quienes convivimos a diario con jóvenes es que, en su mayor parte, han renunciado a pensar por su cuenta y riesgo. Por este motivo aspiro a que mis clases sean una invitación a pensar, aunque no siempre lo consiga. En este sentido, adopté hace algunos años como lema de mis cursos unas palabras de Ludwig Wittgenstein en el prólogo de sus Philosophical Investigations en las que afirmaba que "no querría con mi libro ahorrarles a otros el pensar, sino, si fuera posible, estimularles a tener pensamientos propios".

Con toda seguridad este es el permanente ideal de todos los que nos dedicamos a la enseñanza, al menos en los niveles superiores. Sin embargo, la experiencia habitual nos muestra que la mayor parte de los jóvenes no desea tener pensamientos propios, porque están persuadidos de que eso genera problemas. "Quien piensa se raya" —dicen en su jerga—, o al menos corre el peligro de rayarse y, por consiguiente, de distanciarse de los demás. Muchos recuerdan incluso que en las ocasiones en que se propusieron pensar experimentaron el sufrimiento o la soledad y están ahora escarmentados. No merece la pena pensar —vienen a decir— si requiere tanto esfuerzo, causa angustia y, a fin de cuentas, separa de los demás. Más vale vivir al día, divertirse lo que uno pueda y ya está. [continue lendo]

A História do Mensalão em Quadrinhos

O Círculo Vicioso Brasileiro



Por Mario Guerreiro

Há uma coisa que acontece frequentemente comigo, mas estou certo de que acontece também com muita gente. Como não uso óculos para ler, quando começo a ler um livro ou um jornal tiro imediatamente os óculos e os ponho em algum lugar.

Terminada a leitura e quando tenho que sair à rua, procuro então meus óculos. Mas, para encontrá-los onde os pus, preciso de óculos. E como enxergar os óculos sem óculos?

Esse é um dos muitos círculos viciosos com os quais costumamos deparar na vida cotidiana, mas o que pretendo formular aqui é muito mais grave e angustiante.

A educação no Brasil vem sofrendo há muitos anos uma deterioração crescente. Isto é algo facilmente reconhecível por qualquer pessoa com um mínimo de percepção das coisas.

Desde o ensino básico até o superior, a educação tem piorado exponencialmente. As conseqüências mais palpáveis talvez possam ser detectadas no vocabulário pobre e no linguajar tosco da maioria da população em todas as classes sociais.

Não só as pessoas em geral falam mal como também debocham dos que falam bem e, além disso, carecem de algumas noções elementares de geografia, história, matemática, etc. – nada que não faça parte dos currículos do primeiro e do segundo grau e que era de se esperar que as pessoas tivessem aprendido ao concluir essas duas etapas do ensino.

As pessoas que chegam à universidade - e que são um pequeno número em relação à grande população do Brasil - carregam todas as deficiências herdadas de uma péssima formação básica – coisa que dificilmente pode ser suprida no terceiro grau.

Mas até aqui estivemos nos restringindo à educação formal, quer dizer: a que é fornecida pelas escolas, colégios, universidades, etc.. Esta forma de educação complementa-se com a educação informal, quer dizer: a que começa em casa. E esta é tão ruim quanto aquela. [continue lendo]