Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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A imbecilidade, segundo ela própria


Por Olavo de Carvalho

A queda do nível de consciência geral  é chamada de "imbecilização", quando a mera redução do número de gênios seria, mais apropriadamente,um "empobrecimento".

Faz dezessete anos que publiquei O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras, onde ilustrava com toda sorte de exemplos o desmantelamento da cultura superior no Brasil e sondava as causas de tão deprimente estado de coisas. Desde então, à medida que o fenômeno  alcançava dimensões maiores e mais alarmantes, não cessei de acrescentar a essa obra, em artigos e conferências, inúmeras atualizações, esclarecimentos e novas análises.

Ao longo de todo esse período, não veio, da mídia ou do establishment universitário, nenhum sinal de que alguém ali desejasse discutir seriamente o problema ou reconhecer, ao menos, que um cidadão desperto havia soado o alarma.

Ao contrário: tudo fizeram para ocultar a presença do mensageiro e dar por inexistente o mal que ele apontava, do qual eles próprios, por suas ações e omissões, eram os sintomas mais salientes.

Chegaram ao cúmulo de, não podendo ignorar de todo as obras essenciais que eu recolocava em circulação com extensas introduções, notas e comentários, noticiá-las sem mencionar o nome do preparador, como se os textos abandonados no fundo do baú da desmemória nacional tivessem saltado dali por suas próprias forças, sem nenhuma ajuda minha.

Inaugurado quando da minha edição dos Ensaios Reunidos de Otto Maria Carpeaux em 1998, o "Consenso Nacional da Vaca Amarela", como o chamei na ocasião, continua em pleno vigor, como se vê por dois exemplos recentes.

Na Folha de S. Paulo, um sr. Michel Laub faz ponderações sobre a Dialética Erística de Schopenhauer, usando a edição comentada que dela publiquei pela Topbooks em 1998 e esmerando-se em suprimir o meu nome ao ponto de atribuir ao filósofo alemão o título editorial "Como Vencer um Debate sem Precisar Ter Razão", como se fosse do texto original e não dos meus comentários.

Em recente edição da Carta Capital o sr. Mino Carta deplora o que ele chama de "imbecilização coletiva", no tom de quem soa um alerta pioneiro e fingindo ignorar que esse termo, há muito tempo, já deixou de ser uma expressão genérica para se tornar alusão a um dos livros mais lidos das últimas décadas.

Talvez eu devesse estar contente de que, mesmo sem menção ao tremendo esforço que fiz para revelá-lo, o fenômeno mesmo se tornasse por fim objeto de alguma atenção. Mas o sr. Carta só toca no problema com a finalidade de encobrir suas causas, lançar as culpas sobre os bodes expiatórios de sempre e bloquear, enfim, toda possibilidade da discussão séria pela qual venho clamando desde 1996. [continue lendo]

Jean Borella, nossa verdadeira identidade (legendado - em 5 partes)

A LUTA DO PAPA


Por Carlos Ramalhete

A surpreendente renúncia anunciada de Bento XVI, como se poderia prever, suscitou toda sorte de comentário absurdo. De especulações sobre o motivo – que o próprio Papa declarou ser sua saúde – a delírios que só fazem expor a ignorância de quem os profere, vimos de tudo. Cabe, assim, apontar as circunstâncias da guerra interna da Igreja, para que se possa perceber com mais clareza a dureza do múnus pontifical.

Nos anos 60, imediatamente antes da revolução de costumes que varreu o Ocidente, os bispos da Igreja se reuniram em um concílio, dito Concílio Vaticano II. Um grupo de bispos oriundos do Norte europeu (especialmente Alemanha, Holanda, Bélgica e Áustria), soberbamente organizados, virou de pernas para o ar a organização do concílio, desprezando os documentos preparatórios e conseguindo aprovar – contra a oposição liderada, entre outros, pelo arcebispo de Diamantina (MG), dom Geraldo Sigaud – documentos finais um pouco confusos, que poderiam propiciar a pessoas mal-intencionadas uma leitura heterodoxa.

E foi o que aconteceu. Durante o pontificado de Paulo VI (1963-1978), o “espírito do Concílio” foi usado como desculpa para negar, dos púlpitos, não só o que a Igreja sempre pregara, mas até mesmo os próprios textos conciliares. Paulo VI chegou a afirmar que a Igreja parecia estar em processo de autodemolição. No Brasil, a Teologia da Libertação esvaziou as igrejas e levou à fundação do PT.

Conferências episcopais inteiras estão em cisma material, desobedecendo abertamente às ordens papais. Nesses territórios, mesmo os bons clérigos se veem forçados a ceder à heterodoxia e desobedecer ao Papa, sob pena de ostracismo. Em algumas, como a austríaca, a situação é gravíssima. Em outras, como a CNBB brasileira, é apenas grave. Para que se tenha uma noção do nível da desobediência daqui, basta mostrar que, pela legislação canônica, é proibido aos padres usar roupas comuns (como as dos leigos) em vez da batina, e leigos não podem distribuir a Eucaristia nas missas dominicais. [continue lendo]

A Farsa da aprovação de 80% de LULA

PARA LIMPAR OS OLHOS


Escrevinhação n. 991, redigida em 08 de fevereiro de 2013, dia de São Jerônimo Emiliano e de Santa Josefina Bakhita.

Por Dartagnan da Silva Zanela


O Viagra fez mais pela humanidade do que duzentos anos de marxismo. Essa afirmação, feita pelo filósofo Luiz Felipe Pondé, tem lá seus ares jocosos, porém, se suspendermos as nuanças de seu humor cáustico, e refletirmos sobre as razões que o levaram a essa constatação, o gargalhar calar-se-á para dar lugar a um sisudo silêncio.

Se calcarmos nossos cotovelos sobre a mesa e fiarmo-nos a calcular o número de vidas ceifadas em nome da revolução rubra, veremos claramente que essa ideologia que arvora para si a candura duma pia imagem de preocupação para com os pobres é, na verdade, a ideologia mais assassina que já foi parida em toda a história. Isso mesmo! Se estudarmos com a devida atenção as ações inspiradas e orquestradas por ela, notaremos que, em nome do tal mundo novo possível, genocídio pouco é bobagem. Aliás, como nos ensina o professor J. S. Rummel, democídios, visto que, eram as populações governadas por esses regimes, que propagandeavam protegê-las, as suas principais vítimas.

Mais de cem e dez milhões de vidas foram ceifadas pelos regimes marxistas no correr de pouco mais de setenta anos. Vidas que diziam ansiar por libertar dos grilhões que as oprimiam, mas que, apenas os trocou por correntes mais pesadas.

Quando lemos “O livro negro do comunismo”, organizado por Stéphane Courtois, o que nos chama a atenção não é apenas o número, mas também, a forma cruel e sádica que o extermínio era realizado. Torturas, testemunhos falsos assinados à força, infanticídio, perseguições religiosas e extermínios lentos utilizando-se a arma da fome, conforme as palavras de Stalin.

Outra nota que os “comissários da verdade” não gostam de ouvir, são os campos de concentração marxistas que antecederam os campos nacional-socialistas alemães e que continuaram suas lides mesmo após o término da Segunda Guerra Mundial. Sobre este ponto, a leitura “d’O arquipélago Gulag” de A. Soljenítsin e “Torturado por amor a Cristo” de R. Wurmbrand é obrigatória. Estes livros são testemunhos vivos deste pesadelo que muitos se recusam a reconhecer porque crêem que a história os absolverá de seu silêncio frente a esses crimes de lesa-humanidade. Aliás, inúmeras foram as condenações auferidas aos crimes perpetrados pelos comunistas, porém, esse assunto no Brasil é ignorado.

E o que dizer do tráfico internacional de drogas e do crime organizado? A atuação das FARC e sua ligação com inúmeros partidos políticos da América Latina é algo que salta a vista, porém, muitos preferem desdenhar o fato ao invés de investigá-lo.  Livros como “O eixo do mal Latino-Americano” de Heitor de Paola, “La máfia de Havana” de Luis Grave de Peralta Morell e “Red Cocaine - Drugging the Americas and the West”, de Joseph D. Douglass são leituras que nos fazem arregalar as vistas.

É por essas e outras que o Viagra merece tanto crédito. Ele tem o mérito de ter trazido uma potência e a intimidade de uma alegria que até então estavam perdidas para muitos. Já o marxismo, com sua promessa de desenvolver todas as potencialidades da humanidade, conseguiu apenas hipertrofiar os delírios de onipotência de seus partidários que se encastelam junto a um Estado deificado.

Para os fiéis e simpatizantes deste credo, tudo o que eles desconhecem, e não querem conhecer, não existe, mesmo que os fatos ensangüentados batam à porta de sua alma. Estou sabendo. Porém, nada nos impede de conhecer com nossos próprios olhos a verdade silenciada sem termos de usar as viseiras ideológicas que eles tanto idolatram.

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Especial: Renúncia de Bento XVI - Vortex

O AVESSO DAS PALAVRAS


Escrevinhação n. 990, redigida em 02 de fevereiro de 2013, dia da Apresentação do Senhor, de Nossa Senhora de Belém e da Bem-aventurada Maria Domenica Mantovani.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Quanto mais uma palavra é utilizada, mais epidérmico torna-se seu significado. Sua única serventia é encobrir, mal e porcamente, a turva alma de seu repetidor. De mais a mais, como bem nos ensina o filósofo Tarcísio Padilha, em seu livro “Filosofia, Ideologia e realidade Brasileira”, quando se fala muito em liberdade, democracia, ética, amor, respeito, educação, etc., desconfiemos! Provavelmente, os valores representados por elas estão sendo distorcidos ou mesmo, como ocorre em muitos casos, sorrateiramente eliminados.

Em regra, essas palavras são repetidas a exaustão não porque o sujeito acredite piamente no que elas representam, mas sim, porque ao aderir ao coro da vanguarda papagaiesca ele sente-se uma pessoa, como direi: muito legal, superior a todos por, supostamente, respeitar as diferenças, menos aquelas que não se enquadrem em seu imaginário distorcido, que não ascendam aos píncaros da (in)compreensão de seu intelecto amortecido pelo uso excessivo de expressões não significativas que pouco, ou nada, dizem a respeito da realidade, mas que externam, sutilmente, o universo subjetivo de sua alma carcomida pelo rancor.

Penso que este fenômeno tem uma relação umbilical com o hedonismo crescente da sociedade atual e que, por sua deixa, colabora de modo profícuo com a expansão do relativismo moral. Aliás, eis aí um ponto que merece ser meditado à luz do que fora exposto acima. Uma alma embebida no néctar hedonista coloca a necessidade de satisfazer sua ânsia por prazer como valor primeiro, invertendo, de modo sórdido, a ordem axiológica, como bem nos ensina Miguel Reale em sua obra “Filosofia do Direito”. Ora, eleger a busca pelo prazer como causa final da existência é um poderoso elemento desagregador da personalidade. Basta, para perceber esse óbvio ululante, apenas uma pequena dose de sinceridade.

Doravante, tão rápido quanto um corisco, estes escudam-se com aquele relativismo moral chinfrim, para o qual, todos os valores são relativos e toleráveis, desde que a sua forma de viver e interpretar a vida seja aceita de maneira absoluta por todos, sem hesitação. Resumindo: tolera-se tudo, menos o que os contraria.

Essa é a ditadura do relativismo, a apologia duma moral autônoma e egocêntrica, como nos lembra o Papa Bento XVI, que anseia por edificar uma visão redutivista do ser humano através dum sorrateiro uso de expressões ambíguas para melhor dissimular as reais intenções que estão, melindrosamente, por traz de todo esse bom-mocismo forçado. Bom-mocismo que despreza o bem ao mesmo tempo em que diz representá-lo. No fundo, é isso que se encontra no fundo desta alcova rasa.

Esse trem é tão ridículo que chega a dar vergonha do compadre. Sei disso. Porém, não nos preocupemos, porque o grotesco também está sendo relativizado para que ninguém se sinta mal diante da verdade revelada pelos fatos.

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