Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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O futuro em boas mãos


Por João Ubaldo Ribeiro

Como estamos vendo nos noticiários, a campanha eleitoral já começou. Acho um pouco cedo, mas o pessoal fica nervoso com a disputa e a ansiedade parece ser geral. A política, o governo e a administração do Estado são das mais nobres atividades a que o cidadão pode entregar-se, pois se trata de um admirável exercício de altruísmo, amor à coletividade e ao semelhante, de nobre renúncia a interesses subalternos e vantagens indevidas e até mesmo a projetos pessoais. O homem público epitoma a virtude, não no sentido piegas que estamos acostumados a associar a esta palavra, mas na ]dedicação resoluta e firme ao bem público e às aspirações e direitos dos governados, numa vida cuja maior recompensa será o zeloso cumprimento dessa missão e nada mais. E o Brasil está coalhado de gente disposta a sacrifícios extremos para servir ao país e levá-lo a um futuro de prosperidade, justiça, segurança e felicidade.

Para canalizar tamanho empenho cívico, dispomos de mais ou menos 50 partidos. O partido político, como sabemos, destina-se a formular projetos e objetivos para a condução da sociedade, aglutinando visões do mundo, ideologias ou interesses. Isoladamente, o cidadão pode muito pouco. O partido, por conseguinte, é indispensável para a ação política. Por meio deles, aqueles que pensam de forma semelhante conseguem juntar seus esforços para chegar ao poder e daí transformar em ações concretas seu ideário. Assim, cada partido tem um perfil claro e definido e o cidadão deve escolher entre eles o que mais se aproxima de seus interesses ou pontos de vista legítimos.

No Brasil, os políticos são virtuosos, ou procuram ser virtuosos? Engabelados pelo noticiário leviano, venal, deturpador, difamador, caluniador, injurioso e irresponsável de praticamente todos os veículos de comunicação, muitos de nós diriam que não. [continue lendo]

Confirmador do imutável


Por Carlos Ramalhete

Hoje a Sé de Roma fica vacante, com hora marcada. O mais difícil, no mundo de hoje, é entender o que é a Sé de Roma, o que é um papa, para que ele serve, qual o seu papel.

O historiador francês Alain Besançon, três anos atrás, escreveu no L’Osservatore Romano (o jornal oficioso do Vaticano) que Bento XVI “encontra-se numa posição semelhante à de Paulo VI após o Concílio Vaticano II, enfrentando o que aquele chamou de ‘autodestruição’ da Igreja. Desta vez, contudo, a autodestruição é de toda a sociedade, da natureza e da razão”. Uma sociedade em autodestruição não consegue entender para que serve alguém cuja função é testemunhar o Eterno. [continue lendo]

O Testamento de Bento XVI


Por Padre Paulo Ricardo

Em sua última audiência pública, o Papa Bento XVI se despediu dos fiéis e deu a todos uma grande lição de fé católica. Trata-se de uma fé muito específica e rara nos dias de hoje: uma fé que professa a presença e a ação de Deus na história da Igreja.

Todos deveríamos saber disto, mas nem sempre nos damos conta: a Igreja não é somente um sujeito da fé; a Igreja é também objeto de fé. Ou seja, a Igreja não somente crê, mas ela deve ser crida.

Bento XVI tem consciência de que a Igreja é portadora de um mistério divino. Como a lua, ela é reflexo de Cristo "luz dos povos". Por isto, nos convida a uma visão de fé:

"Deus guia a sua Igreja, ele sempre a sustenta, também e sobretudo, nos momentos difíceis. Não percamos nunca esta visão de fé, que é a única visão verdadeira do caminho da Igreja e do mundo. No nosso coração, no coração de cada um de vós, haja sempre a alegre certeza que o Senhor está ao nosso lado, não nos abandona, está perto de nós e nos envolve com o seu amor".

Estas foram as suas últimas palavras. Poderíamos dizer: este foi o seu testamento. Nada poderia ser mais marcadamente católico, pois nós católicos, ao contrário dos protestantes, cremos que o organismo visível da Igreja não é uma "invenção" humana, mas o Corpo do Cristo ressuscitado que continua vivo na história. [continue lendo]

Yoani Sánchez, insultada: "Ojalá en Cuba se pudiera hacer lo mismo"


PARA DESENVENENAR A ALMA


Escrevinhação n. 993, redigida em 25 de fevereiro de 2013, dia de Santa Valburga e de São Tarásio.

Por Dartagnan da Silva Zanela


O futuro está nas mãos dos jovens. Sim, podemos afirmar isso com toda aquela lengalenga populista que insufla nos tenros corações desejos ululantes de mudar o mundo ou, simplesmente, lembrar o óbvio: nossa geração irá perecer e eles envelhecer, queiramos ou não.

Com esse espírito, o Beato João Paulo II, em sua primeira visita ao Brasil, pronunciou-se, numa dada ocasião, aos jovens brasileiros. Wojtyla tomou como ponto de partida as seguintes palavras da Sagrada Escritura (Isaías LVI; 1): “Cumpri o dever, praticai a justiça”. Estas palavras, penso eu, devem tocar os corações de todas as gerações, porque nos acostumamos a apenas recitar opiniões como um boneco de ventríloquo e, na verdade, urge que aprendamos a ser testemunhas fiéis de nossos compromissos firmados com Aquele que é o caminho, a verdade e a vida. E, se formos sinceros, reconheceremos que falhamos neste quesito.

Neste sentido, lembra-nos o predecessor de Bento XVI que a justiça apenas se faz verdadeira se baseada no sujeito humano, incluindo o reconhecimento de sua dimensão transcendente, que é a imagem e semelhança de Deus. Toda vez que imortalidade da alma é desdenhada, o ser humano vê-se reduzido a um reles instrumento.

Por essa razão, Karol, o homem que se tornou Papa, nos lembra que “um jovem cristão deixa de ser jovem, e há muito não é cristão, quando se deixa seduzir por doutrinas ou ideologias que pregam o ódio e a violência”. Ideologias estas que fomentam e destroem as liberdades humanas fundamentais. Ideologias que facilmente injetam no coração dos mancebos a ideia de que os fins justificam os meios. Ideologias que os exaltam como pessoas únicas em seus desejos, ao mesmo tempo em que os atiram à alienação aliciante duma multidão massificada crendo candidamente que estão fazendo algo bom e justo.

Penso que um bom exemplo disso é a forma como alguns jovens, com suas almas carcomidas pela ideologia marxista reinante nestas plagas, trataram a blogueira cubana Yoani Sánchez, com toda ordem de vitupérios. Qual a razão? Ela escreve e fala contra a ditadura da dinastia Rubro-castrista que impera no Caribe a mais de meio século e que eles, jovens obscurecidos pela ideologia que os instrumentaliza, idolatram.

Por essas e outras que acredito que as advertências de Karol Wojtyla, que sentiu na pele o que significa viver num país onde tudo e todos são instrumentalizados em nome de um projeto de poder totalitário, são muitíssimo apropriadas para refletirmos sobre os rumos que estão sendo apresentados aos jovens que, dum jeito ou doutro, são o futuro de nossa envergonhada nação.

Por fim, naquela saudosa ocasião, João Paulo II indagou aos jovens: Para onde pretende ir juventude brasileira? A nobreza ou a indignidade de nosso futuro está prenhe na resposta que for dada a essa pergunta. Resposta essa que, queiramos ou não, já está sendo tecida através de atitudes mesquinhas como a que foi apontada em meio a essas linhas.

Pax et bonum
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Roda Viva | Yoani Sánchez | 25/02/2013

“Quero um ensino de qualidade, não quero cota”


Leo Daniele

Sou contra as cotas. Por que eu deveria ser privilegiada se eu tenho a mesma capacidade que meu colega?“, declarou Tawany Gabriela de Oliveira, 16 anos, estudante da Escola Estadual Hiroshima (*).

Defender as cotas raciais equivale a considerar negros e pardos como “pessoas que sem privilégios não chegam a lugar algum”. É o que fazem os defensores das cotas. Ora, isso é racismo!

Em 2005, a 7a Vara da Justiça Federal deu ganho de causa a um jovem que tinha sido preterido no curso de engenharia química da UFPr, por causa do sistema de cotas universitárias. Ele tinha obtido 611,3 pontos, enquanto o melhor cotista tinha apenas 489,3.

Não se trata apenas de ser ou não uma injustiça ‒ e o é ‒ mas também de baixar a qualidade do ensino e assim prejudicar o País, e os futuros usuários.

Já que se fala tanto em função social, qual o efeito social da disseminação desses diplomados na sociedade, simpáticos mas despreparados? Será benéfico para o desenvolvimento do País? E para eles mesmos?

Imaginemos uma Faculdade de Medicina. O exame de admissão deveria ser bastante rigoroso e justo, pois seria uma maneira de melhorar a segurança e o tratamento das doenças, e diminuir espantosos erros médicos.

Se alguém desejasse aumentar o tamanho da escola, não deveria, irresponsavelmente, diluir o rigor dos exames de admissão, mas melhorar os cursos de preparação, próxima e remota. Se fosse feito isso, mais alunos seriam aprovados no exame de ingresso, sem ser preciso apelar para cotas. [continue lendo]