Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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PELAS ESTRADAS DA VIDA

Escrevinhação n. 1010, redigida em 02 de maio de 2013, dia de São Marcelino e São Pedro, mártires.

Por Dartagnan da Silva Zanela


A Sagrada Escritura é uma pequena fração da dimensão celestial da realidade. É o vocábulo de Deus, comunicado a cada pessoa, através de palavras humanas. Palavras que nos descrevem fatos. São símbolos que nos auxiliam na compreensão de nosso lugar na criação e sobre os passos a serem trilhados por nós na confecção de nosso destino. Nisto reside o sentido moral das santas letras que nos auxiliam em nossa jornada por esse vale de lágrimas rumo a Pátria celeste.

Todavia, não é um nem outro que afirmam ter pouca confiança na Escritura. São muitos. Uns a colocam num segundo plano em favor das novidades modernas pretensamente superiores. Outros até aceitam sua autoridade originária, porém, com muita parcimônia, visto que, essas almas não seriam capazes de aceitar tudo que está presente em suas páginas. Onde já se viu não termos um olhar crítico em relação a um texto tão antigo quanto contraditório, diriam.

Pois bem, tais imposturas decorrem justamente de nosso esquecimento do tratamento devido a um texto revelado. Imposturas essas que não passam de frutos de nossa soberba desídia intelectual, muitas das vezes inflada por nossa presunção diplomada (ou quase).

Primeiramente, o que revela a comicidade deste quadro é o fato de que o sujeito que não consegue interpretar razoavelmente uma obra da grande literatura universal, ou mesmo um libelo jornalístico, arroga para si a prerrogativa de crítico-mor dum texto sacro, desdenhando todos os elementos exegéticos, teológicos, metafísicos, históricos e simbólicos que tal investida exige. Não é por menos que um indivíduo com sua alma imersa numa profunda confusão cognitiva e espiritual consiga apenas reconhecer na Bíblia um texto confuso e contraditório. Aliás, em regra, esses críticos são desonestos até a medula, pois, dum modo geral, apenas leram poucos fragmentos da Sagrada Escritura e já se julgam acima de estudiosos como Santo Agostinho e Joseph Ratzinger.

Diante do que fora exposto acima, julgo que algumas questões seriam interessantes. Questões essas que, penso eu, devem ser meditadas com uma grave seriedade, principalmente por aqueles que afirmam, com seus lábios, ter fé (ou algo do gênero).

A primeira: com que autoridade nós selecionamos as partes que julgamos verazes e falazes do pio texto? Será que essa nossa leviandade em impor escrúpulos à Palavra de Deus não está a revelar, através das Santas Letras, o que há de veraz e falaz em nossa alma, em nossa maneira de viver? Não seria mais interessante, ao invés de criticarmos o texto Bíblico, procurarmos criticar a nossa maneira de viver à luz do que este nos ensina?

Ora, naturalmente que é difícil para nossos olhos carnais e secularizados compreender razoavelmente os ensinos divinos e, mais ainda, concordar com todos eles. É natural porque todos temos em seu coração a marca do pedado original, mesmo que negamos esse fato ululante. Entretanto, também somos abençoados pelo livre-arbítrio e podemos escolher pedir à Providência a graça do entendimento, do discernimento, da sabedoria e, principalmente, da perseverança, para que compreendamos a grande diferença que há entre uma novidade e a Verdade, entre as seduções mundanas e a Vontade de Deus, entre o olhar humano sobre a vida e a visão divina sobre cada um de nós.

Mas, para tanto, temos de recuperar a nossa humildade. Virtude essa que perdemos, ou largamos, nas longas e tortuosas estradas da vida moderna.

Pax et bonum
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E OS ÓCULOS REPOUSAM NA GAVETA

Escrevinhação n. 1009, redigida em 27 de maio de 2013, dia de Santo Agostinho da Cantuária.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Sejamos francos: atualmente há um fetiche em torno do ato de ler. Ao mesmo tempo em que se celebra a urgente necessidade de cultivar-se tal arte, despreza-se a mesma com uma indignidade tão dissimulada quanto feroz. E, quando cultivada, o é dum modo leviano como todos os modismos que são apresentados no frescor do momento. Modismo este que não ultrapassa a pose momentânea e desavergonhada com a qual nos apresentamos nos círculos de conversa fiada que, por esporte, amam encenar toda ordem de papos cabeça.

A desonra ao mérito chega ser apoteótica. Não em sua hipocrisia, mas sim, em seu cinismo. Sim, o brasileiro, dum modo geral, e os adultos de modo especial, não lêem e orgulham-se disso. Afinal, adultos são pessoas muito ocupadas com suas lides diuturnas e esse negócio de ler (literatura, principalmente) é coisa de gente desocupada. Quem ouve esses sujeitos falando imagina que eles puxam pedras em suas horas vagas pra descansar. Horas essas que se forem devidamente mensuradas revelarão a sua grande fartura e mau aproveitamento.

Santo Afonso de Ligório (e tantos outros), nos advertia sobre a forma como muitas das vezes nos entregamos as distrações, sejam elas reles passa-tempos inocentes ou a companhia de pessoas com as quais partilhamos nossas miudezas. Tanto as primeiras como as segundas nos arrastam para momentos vazios onde risos sem sentidos em misto com finalidades sem propósitos ocupam longas e longas horas de nosso preciso tempo. Preciosidade essa desperdiçada por nós sem a menor cerimônia ou pudor.

Nesta altura do campeonato pode ocorrer a uma e outra alma a pergunta: mas por que eu deveria ocupar uma parcela de meu tempo livre na leitura das obras da grande literatura universal? Veja bem, não é para progredir profissionalmente, nem mesmo para ter assunto para conversar com os seus pares. Aliás, aí mesmo que você não teria mais o que conversar com eles. A leitura das obras de grandes escritores é sumamente recomendada para que não mais sejamos como ordinariamente somos.

Ensina-nos G. K. Chesterton que a maior utilidade da boa literatura, reside em impedir que sejamos puramente modernos. “Ser puramente moderno é condenar-se à limitação; assim como gastar o último centavo que há na terra no mais novo lançamento [de qualquer coisa]. A estrada dos séculos passados está repleta de homens que morreram, mas que de certa forma continuam vivos. A literatura clássica e permanente cumpre sua melhor missão quando nos lembra continuamente o vigor da verdade e quando equilibra idéias mais antigas com idéias atuais, às quais, por um momento, podemos estar inclinados”.

Por um vício cognitivo, amamos muito mais nossas chulas opiniões do que a procura pela verdade, como lembra-nos Gustavo Corção. Elevamos as primeiras à dignidade da segunda, ato este que, por sua deixa, nos diminuiu em dignidade, prestatividade e bondade. E, gostemos ou não, a tendência geral é seguirmos ladeira abaixo, com nossa mesquinhez substancial dissimulada sob o fingido manto de dignidade ferida.

Resumindo: o problema não está tão somente em não sermos bons leitores, mas sim, em cinicamente fingirmos que o somos e, principalmente, dissimularmos que nos importamos com isso.

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Thomas Sowell analisa as políticas de ação afirmativa pelo mundo

O BRANDIR DO GLÁDIO DE FRANCISCO


Escrevinhação n. 1008, redigida em 20 de maio de 2013, dia de São Bernardino de Sena e de Santo Arcângelo Tadini.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Muitas vezes, encontro-me com minhas vistas marejando em lágrimas após ler uma notícia. Em algumas destas ocasiões isso ocorre por ter minha alma invadida por uma profunda tristeza frente ao horror apresentado pelas palavras impressas. Outras, elas indicam que o tinto das letras despertou em meu íntimo tamanho júbilo que este rompe as crostas de minha sobriedade fazendo jorrar contento através das janelas do meu ser.

Graças ao bom Deus, iniciei esta semana com lágrimas da segunda monta e a notícia que escavou o regozijo em mim é sobre o Papa Francisco. Após a Santa Missa de Pentecostes, como é do feitio do Santo Padre, este se colocou a caminhar junto aos fiéis saudando-os e abençoando-os. Entretanto, algo neste domingo foi diferente. 

Ele se aproximou dum grupo de fiéis enfermos para abençoá-los com seu doce semblante e gestos singelos. De repente, quando ele colocou-se diante dum certo jovem e, após ouvir as palavras proferidas pelo padre que acompanhava o rapaz, o gentil sorriso senil do Vigário de Cristo deu lugar para uma expressão séria e introspectiva seguida da imposição de suas mãos e do movimento incessante de seus lábios a orar. Com esse gesto o jovem se retorceu. Manifestou-se em sua face uma brusca e tenebrosa expressão acompanhada dum furioso rugido emitido por sua boca. Após isso, o padre entregou aos seguranças do Papa algumas folhas com um envelope.

Para bom entendedor, um pequeno gesto basta. Diante dos olhos de milhares, o Bispo de Roma, estava proferindo uma oração de libertação (exorcismo) por aquele rapaz, o que levou o espírito imundo a se manifestar diante de todos (coisa que eles odeiam). Claro que a grande mídia não comentou o ocorrido. Provavelmente nem entendeu e, por isso mesmo, desdenhou o fato. Entretanto, inúmeros exorcistas de distinta cepa compreenderam claramente o que estava ocorrendo. Era uma piedosa oração de exorcismo sendo recitada com grande intensidade pelo Papa. Não o rito completo, obviamente, mas uma oração de libertação.

Tal fato seria uma novidade pontifícia? Não mesmo. O bem-aventurado Papa João Paulo II, de acordo com o padre Gabriele Amorth, durante muitos anos trabalhou em três exorcismos (essa lide não é nem um pouco simples). Aliás, o mesmo bem-aventurado predecessor do atual pontífice, trabalhou intensamente para realizar a escolha e formação de padres para essa tarefa e estimulava vivamente os bispos para que também laborassem neste esforço. 

Quanto ao Papa emérito Bento XVI, o esforço não era distinto. Principalmente em seu infatigável trabalho de relembrar a importância do zelo na celebração da Santa Missa. Zelo este que, muitas vezes, nestas plagas brasílicas, é substituído por improvisos, inovações e exageros simiescos, advindos dum orgulho inconfesso que, literalmente, desvirtuam a Santa Missa, esvaziando o seu sentido sacramental.

Quanto ao Papa Francisco, este, desde o primeiro dia de seu pontificado, não cansa de lembrar a todos nós, sem medo ou rodopios linguísticos, quem é o grande inimigo de nossa alma e da Santa Madre Igreja. Por isso, a realização duma oração que fez o demônio manifestar-se à luz do dia na Praça de São Pedro diante de todos, a meu ver, é um piedoso sinal da Providência para que tomemos ciência da presença e da ação de nosso adversário, um lembrete para que usemos as armas apropriadas para enfrentá-lo e, principalmente, para não cairmos na esparrela moderna que prega a sua inexistência.

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Roda Viva | Ronaldo Laranjeira | 20/05/2013

O OUTRO ME (DES)HUMANIZA


Escrevinhação n. 1007, redigida em 20 de maio de 2013, dia de São Bernardino de Sena e de Santo Arcângelo Tadini.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Um exercício que julgo imprescindível na formação dum indivíduo é o estudo atendo de biografias de grandes homens. Santos, sábios, místicos, militares, estadistas, escritores, cientistas, em fim, conhecer a vida de pessoas que procuraram dilatar sua existência para além da mediocridade cotidiana.

Recomendamos tal prática não com vistas a habilitarmo-nos na soturna compreensão do devir histórico. Não mesmo. Temos em vista o propósito muito mais interessante que uma reles e impotente masturbação mental edificada em meio a idas e vidas de conceitos ocos dum materialismo vazio.

Dito isso vamos direto ao assunto. Primeiro ponto: fiando-nos num estudo biográfico de grandes almas estamos elevando a nossa medida com relação às potencialidades humanas. Em regra, a sociedade, a grande mídia e bem como o sistema educacional, nos apresentam um panteão de figuras mesquinhas, medíocres e insignificantes moralmente em misto com idéias abstratas que passam a ser tidas como forças agentes que controlam e manipulam a todos, menos aqueles que as repetem simiescamente. Sim, temos que rir para não chorar.

Inevitavelmente quando temos como modelos de realização humana as figuras que nos são apresentadas pela grande mídia e pelo establishment a expectativas que construímos em relação às possibilidades humanas tornam-se às priores possíveis. A inexistência de figuras que encarnem a realização dos grandes valores convida a uma redução no horizonte das possibilidades humanas, visto que, os modelos que são colocados ao centro da vida em sociedade são a encarnação da baixeza.

Não é por menos que atualmente, mais do que em outras épocas, muitos indivíduos, principalmente os inteligentinhos, não sejam capazes de compreender o que é a santidade, o heroísmo, o senso de dever, o desprendimento, o amor a sabedoria, a coragem moral e toda a plêiade de valores que caracterizam a vida humana. E, é claro que não há nada que os medíocres mais odeiem do que serem lembrados da existência de pessoas que superam suas limitações ao invés de choramingá-las.

Segundo ponto: ao conhecermos a vida duma alma exemplar temos a oportunidade única de, imaginativamente, nos colocar nas situações que eles vivenciaram. Cenários, muitas das vezes espinhosos, mas que receberam destas pessoas respostas que ecoaram pelos séculos como a um brado hercúleo. Ora, as situações humanas que a vida nos apresenta não são tão variadas. Todavia, a resposta que é dada pelos indivíduos é vasta e dependem dum cálculo simples: a multiplicação as qualidades (morais, intelectuais e físicas) dum indivíduo pela sua capacidade de decisão (vontade). É desta tensão que se edifica o caráter de um indivíduo e forma-se a dignidade duma sociedade.

Todavia, não nos colocamos no lugar destes, nos cenários em que eles tiveram que tomar decisões que afetaram as suas vidas e a de milhares. Preferimos a confortável posição de ficar na condição infantil e ridícula de murmurar nossos infortúnios. No Brasil, isso se chama criticidade.

Veja só, nestas mal fadadas linhas não estamos a defender o culto de heróis, mas sim, em nos colocar em situações humanas possíveis para aprendermos a realizar as potencialidades presentes em nós por meio do exemplo daqueles que nos antecederam neste vale de lágrimas e vermos que a vida humana é capaz de muito mais do que a mediocracia reinante.

Tal estudo mudará a sociedade? Não. Aliás, esse é um intento deveras mesquinho por si só. Porém, este poderá mudar a sua maneira de viver a sua vida e de julgar as pessoas. E isso, penso eu, é algo de grande valia, inclusive para a sociedade.

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