Pesquisar este blog
O AVESSO DO AVESSO
Por Dartagnan da Silva Zanela
- - - - - - - - - - + - - - - - - - - - -
[i] Muitas vezes somos insultados, noutras tantas somos nós os agentes das ofensas, infelizmente. Para realização de tal indelicadeza a nossa natureza demasiadamente humana nos oferta várias possibilidades. Infindáveis possibilidades, diga-se de passagem.
A mais sorrateira, a forma mais cretina de desrespeitar uma pessoa (ou várias ao mesmo tempo), é a de gerar falsas expectativas no sujeito. Por exemplo: descumpre-se promessas ao mesmo tempo que anuncia outras, ou muda-se as regras e contratos das regras do jogo do ganha-pão a seu bel prazer, sem anúncios ou comunicados prévios.
Como havíamos dito anteriormente, não há limites para isso, porém, dum jeito ou doutro, o sujeito que assim procede, seria similar a um moleque que muda as regras da partida de futebol só porque é o dono da bola ou porque acredita ser o mais fortinho da turma. Resumindo: em regra, é sempre um babaca mimadinho que acha que pode fazer tudo sem ter que dar explicação a ninguém.
Gente dessa baixeza inclusive gaba-se de tirar o chão dos outros como se estivesse fazendo uma grande coisa. Nesses casos, aqueles que levaram o tombo, inevitavelmente, se enervam com o biltre que lhe fez isso, xingando-o, mandando-o, no mínimo, para PQP. Entretanto, nesses casos, a vítima não está insultando o biltre. Isso mesmo! Nesse contexto, um palavrão proferido pela alma ultrajada não é uma ofensa. É apenas um desabafo.
[ii] Um sujeito sem caráter ocupando o poder executivo é lastimável. Seja a Presidência da República, o Governo dum Estado ou a cadeira dum Paço Municipal qualquer, invariavelmente, um biltre com poder nas mãos é o receituário certo para o padecimento de toda sociedade, menos, obviamente, dos asseclas do crápula governante.
Mas pior que isso, bem pior, é termos um legislativo leniente e indigno de representar a sociedade, de defendê-la frente aos abusos dos biltres que agem de maneira autocrática. Seja no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas Estaduais ou numa Câmara Municipal qualquer, pouco importa o lugar, esse tipo vil de gente faz de nossa democracia uma brincadeira de faz de conta sem graça e espinhosa. Brincadeira dantesca e cara essa que, ao final das contas, deve ser paga pelos cidadãos de bem.
[iii] Uma posição política razoável: ser favorável a tudo que seja bom e contrário a tudo que seja ruim.
[iv] Pode-se até errar e confundir-se aqui e acolá. Somos humanos e, nessa condição, o erro faz parte do borogodó. Corrigir o erro também. Todavia, persistir nos equívocos cometidos é estupidez pura e simples.
[v] José do Patrocínio, o grande líder abolicionista, já em idade avançada, fora ao púlpito da pátria discursar. Posto nele, devido ao peso dos anos, demorou-se para parlar. Gaguejou um pouco e, em meio a essa demora, surgiu rapidamente no meio da multidão alguns gracejos permeados por um punhado de risos amarelados.
O velho orador, diante da patuleia ululante, disse em alto e bom tom: “O Brasil... o Brasil... que somos nós?” O silêncio pairou sobre a assembleia. Então ele prosseguiu: “Sim, que somos nós? Somos um povo que ri, quando devia chorar”.
Pois é, os anos passaram e, ainda hoje, infelizmente, as palavras do velho abolicionistas continuam atuais. Quanto ao povo, ao que tudo indica, esse está mais desfibrado que o de antanho.
@dartagnanzanela
http://zanela.blogspot.com/
CARTA ABERTA AOS REPRESENTANTES DO POVO PARANAENSE
- - - - - - - - - - + - - - - - - - - - -
Senhores legisladores, legítimos representantes do povo paranaense, por meio dessa missiva, apresentamos aos senhores um apelo. Uma súplica, pra sermos sinceros. Não por nós ou por uma categoria em particular, mas sim, pelas futuras gerações que pisarão esse abençoado chão vermelho.
Esse Estado que, primeiramente, fora presidido por Zacarias Góis de Vasconcelos, hoje encontra-se sob a governança do senhor Carlos Alberto Richa, vulgo Beto Richa, que, como é de conhecimento de todos e escândalo geral de todos os cidadãos, vem demonstrando grande incapacidade em capitanear o Paraná, brindando-nos com um amargo cálice de medidas para tentar, aparentemente, corrigir os equívocos advindos de seu “apagão de gestão”, conforme fora apontado, certa feita, pelo Senador Álvaro Dias.
Com as atitudes recentes, o senhor governador vem portando-se de maneira truculenta, ultrajando os funcionários públicos Estaduais e os cidadãos dessa terra de pinheirais dum modo geral e escarnecendo, de modo particular, com os professores da Rede Pública, tratando-os como peças descartáveis, desgastadas e dispensáveis. Conjunto de atitudes essas indignas dum indivíduo que ocupa um cargo de tão elevada dignidade, que é o de Governador dum Estado da grandeza do Paraná. Na verdade, tais atitudes são indignas por si só, independente do poder que o sujeito tenha em suas mãos.
Ao que tudo indica, num primeiro momento, o senhor Beto Richa não apresenta a menor boa vontade em curvar o seu inflado ego para os clamores da educação. Aliás, apenas homens baixos nunca se curvam, como nos ensina José de Alencar. Esperamos, francamente, que o senhor Governador não seja um desses homens, da mesma forma que confiamos que os senhores não são almas de tão diminuto quilate.
Por isso viemos, na pequenez de nossa condição de cidadãos, pedir-lhes, encarecidamente, que votem em favor do futuro do Estado, que os senhores votem na defesa dos direitos elementares dos cidadãos, na defesa da educação, que é dever áureo de todo Estadista esclarecido.
Confiante na boa vontade dos ilustres representantes do povo paranaense reiteramos nossa súplica, para que, tal qual o Visconde do Rio Branco, os senhores possam dizer, sem temor ou tremor, que: “Confirmarei diante de Deus tudo quanto houver afirmado diante dos homens”.
A hora é agora e confiamos que cada um dos senhores estará a altura da excelência do cargo que ocupam e dirão NÃO ao desmonte do Estado do Paraná, NÃO a espoliação dos cidadãos dessa terra e, definitivamente, dirão NÃO ao descaso e ao desrespeito a primazia da educação.
05 de fevereiro de 2014.
E-mails dos Deputados Estaduais:
deputado.adelino@hotmail.com; traiano@alep.pr.gov.br; deputadoademirbier@hotmail.com; alexandrekhury@alep.pr.gov.br; andrebueno@alep.pr.gov.br; anibelli@alep.pr.gov.br; artagaojunior@alep.pr.gov.br; bernardo@bernardocarli.com.br; cantoramaralima@terra.com.br; douglas@pps.org.br; drbatista@alep.pr.gov.br; eliorusch@uol.com.br; evandrojr@alep.pr.gov.br; deputado@fernandoscanavaca.com.br; franciscobuhrer@alep.pr.gov.br; gilbertoribeiro@alep.pr.gov.br; jonasguimaraes@alep.pr.gov.br; paranhos@deputadoparanhos.com.br; uizcarlosmartins@alep.pr.gov.br; romanelli@pr.gov.br; mrequiaofilho@gmail.com; mauromoraes@mauromoraes.com.br; nelsonjustus@terra.com.br; nelsonluersen@rline.com.br; nmoura@pr.gov.br; nleprevost@alep.pr.gov.br; pastoredson@pastoredson.com.br; dep.pedrolupion@gmail.com; pericleshm@uol.com.br; contato@plauto.com.br; lemos@professorlemos.com.br; rrasca@uol.com.br; tadeuveneri@terra.com.br; deptercilioturini@gmail.com
DIÁRIO DE CLASSE – parte II
Por Dartagnan da Silva Zanela
- - - - - - - - - - + - - - - - - - - - -
[i] Podemos fazer o que quisermos e dizer o que nos der na ventana, porém, nem tudo convêm. Assim nos ensina São Paulo através duma de suas epístolas.
Mesmo que com a admoestação do apóstolo dos gentios, seja conhecida por todos, sua prática é ignorada por muitos. As razões para tanto podem ser as mais variadas possíveis, entretanto, podemos resumir a duas que são conhecidas de todos nós a muitíssimo tempo. São elas: a soberba e a vaidade.
Embebido em nossa soberba de cada dia, cremos que sempre temos algo a dizer a respeito de tudo ignorando nossa real condição e, por isso, nos inflamos a uma posição bem acima de nossos méritos.
Não é por menos que esse é o primeiro pecado. O pior de todos. Ele se aproxima de tudo para tudo destruir em favor de nosso engrandecimento auto-bajulatório que é um terreno fértil para o cultivo das pútridas tulipas da vaidade. E, por essas e outras, não nos flagramos que não somos o centro da criação, mas apenas uma pequena e diminuta parte dela. Detalhe: estamos muitíssimo, mas muitíssimo mesmo, longe de ser a melhor. Basta um pouco de sinceridade para consigo pra confessar e reconhecer no silêncio da consciência o quão miserável é nossa humana condição.
[ii] Um bom homem, certa feita, confidenciou-me que ele havia ficado estarrecido com a declaração feita por uma filosofa em um determinado programa televisivo. Em meio a sua declaração, a senhora, devidamente munida dum título de doutora, ironicamente, indagou: “por que um aluno deve aprender o nome das capitais dos Estados brasileiros?” Pois é, toda cidade é igual na forma, aparência, organização, importância e localização, não é mesmo? Não. Não mesmo. Porém, se fiarmos nosso raciocínio pelo da doutora, poderíamos então concluir que também não precisaríamos saber o nome que damos para os nossos animais domésticos, apesar de suas muitas diferenças. Cão é cão e jumento é jumento, independente de suas peculiaridades e pouco importando se o moar tenha ou não um título de doutor.
Firulas à parte, poderíamos indagar e apontar muitíssimas coisitas sobre e singela pergunta, porém, sejamos breves em esse colóquio. É o seguinte: não é relevante que uma pessoa conheça as principais cidades brasileiras, com suas peculiaridades, saber localizá-las e, desse modo, saber localizar-se em seu país? Como podemos nos localizar no espaço se não sabemos nos posicionar nele? Se tudo o que existe tem nome e encontra-se nalgum lugar, como irei localizar-me se eu não sei onde estou e para onde desejo ir? Aliás, o que é um mapa mesmo?
Um e outro podem até dizer que tal prática apenas exercita a memória e que isso não é necessário. É mesmo? Que lindo. Entretanto, vale lembrar que antes de irmos para algum lugar, ou de realizarmos alguma coisa, primeiro nós temos que saber, razoavelmente, para onde estamos indo, ou o que deverá ser, aproximadamente, o resultado do que pretendemos realizar e, para tanto, necessitamos recorrer a elementos mnemônicos como estamos fazendo agora na leitura dessas turvas linhas.
É claro que saber o nome das capitais e cidades mais importantes em termos econômicos, políticos e geopolíticos não irá trazer de lambuja todas as informações sobre elas. Porém, antes de querermos aprender sobre isso é de bom alvitre sabermos os nomes e os títulos de importância das civitas, da mesma forma que é razoável que primeiro perguntemos a uma pessoa o seu nome e sua procedência antes de escrafuncharmos a sua vida.
De mais a mais, tudo o que existe tem nome e forma e nós captamos o seu conteúdo, significado, singularidade e importância porque sabemos identificar as múltiplas formas na imensidão do espaço através da singularidade duma palavra. Dum nome.
Sem mais delongas, saber tudo isso pode até não ser imprescindível, porém, não é algo que possa ser considerado totalmente dispensável como quer a inominada doutora.
[iii] Hugo de São Vitor ensina-nos que a virtude fundamental para que uma pessoa possa realmente aprender e crescer em conhecimento e verdade é a humildade.
Tal observação, feita pelo grande mestre do medievo, não é apenas válida para os infantes. Ela é perene, pra vida toda e para todos.
A referida virtude estimula em nós o desejo de conhecer porque ela fomenta em nosso íntimo uma clara visão de nossa real e diminuta condição. Se estamos com nosso ego inflado, crendo que somos a última bolacha do pacote, inevitavelmente, pouco aprenderemos, haja vista que já nos julgamos sabedores de praticamente tudo sem nada saber, ou pouco sabendo.
Podemos dizer que a humildade nos faz esvaziar o copo da alma que, frequentemente, vê-se cheio de vinagre e fel. Essa virtude nos liberta da soberba e nos purifica da vaidade para, desse modo, nos predispor a receber o vinho do saber para podermos nos embeber da verdade.
Por fim, vale lembrar que a verdade não habita onde a superficialidade da soberba e as pompas da vaidade imperam. E é por isso, somente por isso, que onde não há humildade, não há conhecimento, mas apenas um simulacro afetado de educação que, no fundo, não passa duma simplória procura por diplomação.
@dartagnanzanela
http://zanela.blogspot.com/
CONTE NOS DEDOS PRA NÃO ERRAR
Por Dartagnan da Silva Zanela
- - - - - - - - - - + - - - - - - - - - -
[i] Os pacotes de maldades estão vindo de todos os lados. As notícias não são, de modo algum, alvissareiras para a sociedade brasileira. Todos sabemos disso. Agora, enfim, todos estão sabendo.
Diante desse quadro, pra ser sincero, o que me chama a atenção, não são os fatos, mas sim, as reações que estão sendo emitidas em todas as claves e tons, cada uma à sua maneira, com suas razões, porém, praticamente todas, entoadas a partir duma pergunta pouco apropriada para a ocasião.
Tem-se a clara impressão de que a primeira pergunta que se faz, diante das maldades anunciadas é: “como isso vai me atingir?” Pergunta essa que muitas vezes pode nos levar a conjecturas absurdamente delirantes. O medo faz isso. Não que essa pergunta não deva estar presente, não mesmo. Entretanto, a primeira que deveríamos levantar é: como é que isso chegou a esse ponto? Qual é a real situação de nosso país? Infelizmente ou não, o tempo pode e deve ser utilizado nesse tipo de atividade: tentar entender para melhor agir.
Bem, dum jeito ou doutro, após essas perguntinhas, devidamente ponderadas e investigadas sem paixões pessoais, grupais ou ideológicas, podemos, ainda, perguntar: como é que eu não havia visto isso antes? Porque bem provavelmente estávamos muitíssimo mais preocupados conosco mesmo do que em compreender o que está acontecendo. Pode-se dizer que quando agimos assim, portamo-nos de modo similar a uma das partes duma briga entre marido e mulher: cheios de razão, mas sem uma visão clara da situação.
Por fim, como nós, cidadãos comuns, somos desprovidos de meios que possam efetivar uma decisão que equacione os males que assolam nosso país, o que nos resta, nesse primeiro momento, é nos esforçar para compreender razoavelmente a atual situação de nosso país para, ao menos, não sermos arrastados feito objetos inermes por essa turbulência que hoje se abate sobre o Brasil e que, ao que tudo indica, irá demorar muito, muito mesmo, pra passar. E muito disso, infelizmente, deve-se a nossa indisposição para querer compreender o que ocorre em nossa nação, contrabalançada por nossa colossal pressa pra livrar o nosso lado, pouco importando o quanto isso custará ao país.
[ii] Não existe essa de populismo barato. Todo populismo custa caro e é sempre pago com o sacrifício daqueles que os caudilhos populistas dizem estar defendendo.
[iii] Chega ser engraçado ver e ouvir as pessoas falarem a respeito da importância da educação, que ela é isso, que é aquilo e blablablá.
Detalhe: não me refiro aqui aos biltres investidos de poder. Não mesmo. A imagem que me ocorre, nesse momento, é a de pessoas anônimas, como eu e você, que sempre numa e noutra roda de conversa fiada acabam dando um jeitinho de encaixar uma fala a respeito da importância da tal educação e afirmam que o tal do professor deveria ser o profissional mais valorizado da nação. Que lindo...
Pois é, mas tal fala não passa dum flatus vocis tão artificial e desprovido de sinceridade quando os discursos daqueles que estão no poder (e, é claro, também da fala daqueles que desejam tê-lo).
Falar em favor disso ou daquilo qualquer um faz, haja vista que falar pelos cotovelos nada nos custa. Porém, se fosse pedido aos defensores casuais da educação uma doação espontânea para um e outro professor, ou para uma e outra instituição de ensino, como uma forma de reconhecimento, mesmo que modesta, da importância dos educadores, mais do que depressa todo aquele trololó furado murcharia e revelaria a verdadeira face do falador e a real importância que é dada pelo sujeito a esse trem fuçado chamado educação e bem como aos caboclos que tem suas mãos esbranquiçadas de giz.
@dartagnanzanela
http://zanela.blogspot.com/
Assinar:
Postagens (Atom)
-
Escrevinhação n. 791, redigida em 10 de novembro de 2009, dia de São Leão Magno e Santo André Avelino. Por Dartagnan d...
-
Escrevinhação n. 1082, redigida no dia 01 de janeiro de 2014, Solenidade de Santa Maria, Mãe do Príncipe da Paz. Por Dartagnan da Silva...
-
Escrevinhação n. 941, redigido em 10 de abril de 2012, dia de Santa Madalena de Canossa e de São Macário da Antioquia. Por Dartagnan da Sil...