Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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SOMOS COMO CEBOLAS

Por Dartagnan da Silva Zanela


            E POR QUE NÃO? - Da mesma forma que, certa feita, Ulisses Guimarães foi anticandidato a presidência da República, por não reconhecer como legítimo o processo eleitoral que levou o General Ernesto Geisel à presidência da República, hoje, mais do que nunca, toda pessoa minimamente decente deveria portar-se como um anti-cidadão para afrontar essa esbórnia geral que tanto deforma nossa república e enxovalha a nossa dignidade. Seguir caninamente pelo catecismo da cidadania vigente, respeitar essa a choldra ignóbil que se apossou de nossa vida (depre)cívica, é dar-lhe a honorabilidade que apenas é devida a majestade da democracia.

            UM VELHO E ATUAL CONSELHO Se você estiver em dúvida quanto ao que devemos obedecer, se a Lei de Deus ou as leis dos homens, pergunte-se apenas: qual delas não passará? Qual delas existe para nos guiar para a eternidade? Feito isso, faça a sua escolha. Escolha que refletirá o tesouro que seu coração ama verdadeiramente com todas as forças do teu ser.

            O PROFESSOR IGNORADO - Às vezes fico conjuminando cá com meus botões o que o Bruxo do Cosme Velho escreveria a respeito da sociedade brasileira de hoje, o que diria sobre essa cloaca pustulenta que se tornou nosso país. Com toda certeza seria tão cáustico quanto divertido e nos ajudaria, e muito, a vermos com mais clareza e leveza os dramas hoje vividos por todos nós. E, na falta dum novo Machado de Assis, deitemos nossas vistas nas obras do velho que tem muito a nos ensinar, mesmo que os néscios franzam o narizinho para disfarçar sua patética nulidade existencial.

            UM BOM COMEÇO - Para formar um indivíduo com autonomia fuja longe da anti-educação e dos contra-ensinamentos da pedagogia da autonomia. Para emancipar os oprimidos e torna-los independentes, livres dos caudilhos que parasitam as potestades estatais e que querem apenas cabresteá-los com favores e cartões esmolas, vare muito longe da pedagogia do oprimidoe de tudo mais que esses livretos representam.

            DIRETO DO TÚNEL DO TEMPO Lembrar é viver! Assim diziam os antigos. Pois é, então lembremos: a mais de trinta anos, o então presidente Ernesto Geisel disse: "Se é a vontade do povo brasileiro eu promoverei a Abertura Política no Brasil. Mas chegará um tempo que o povo sentirá saudade do Regime Militar. Pois muitos desses que lideram o fim do Regime não estão visando o bem do povo, mas sim seus próprios interesses." Ora, podemos discordar em praticamente de tudo o que esse homem disse e fez, porém, não temos como negar que essas palavras, a muito ditas, tem lá os seus ares proféticos.

            UMA CONTRA-IDEOLOGIA - Ser conservador, em matéria política, não é sinônimo de defesa do que é ultrapassado, muito menos de ser à favor de tudo o que representa o atraso, como querem fazer crer os néscios com duas mãos esquerdas.

            Ser conservador, nessa matéria, é defender alguns princípios perenes e cultivar uma atitude prudente frente a todas as novidades que a patuleia progressista tanto festeja de maneira tão descuidada.

            Por isso, uma atitude política conservadora não é uma ideologia a mais que pode ser apresentada no cenário nacional, mas sim, uma contra-ideologia, uma vacina para nos imunizar contra todos os modismos mentais que nos imbecilizam sob o falso augúrio duma hipotética emancipação humana. É isso. Ponto.

            IDEOLOGIA, POLÍTICA E MODISMOS - Para sabermos o quando os modismos intelectuais e políticos são ridículos basta que, como nos ensina São Josemaria Escrivá, olhemos algumas fotos antigas onde as pessoas trajavam a última moda de sua época. Não é que os modismos, com o tempo, tornam-se ultrapassados. Não mesmo. A verdade é que todo e qualquer modismo é, desde o princípio, algo fundamentalmente bufo. Ridículo. Principalmente os modismos intelectuais e políticos.

            RECALQUE PURO - Querer mudar o mundo, fazer a tal revolução disso e daquilo, é coisa de moleque mimado que só perdia nas disputas de bola-de-gude na hora do recreio. Aí o sujeito cresceu “traumatizado” e, sob o manto redentor duma hipotética e farsesca justiça social, quer ir à desforra, ferrando com tudo e com todos, como uma forma de compensação psicológica.


PARA ENSURDECER

Por Dartagnan da Silva Zanela

SILENCIOSA GRAÇA – Devemos saber ceder no pouco para poder conviver civilizadamente no todo. É imprescindível saber conceder o benefício da dúvida a todos para poder contar com a confiança do outro. É fundamental aprender a desconfiar de nossas certezas para que o próximo não duvide de nossa integridade. É necessário afastar-se do alarido bestificante para no silêncio encontrarmos a confiança inabalável na bondade Daquele que nos deu tudo e que nós, de nossa parte, tão pouco cedemos a Ele e ao próximo. Muito pouco! Nem mesmo a piedosa graça do silêncio que, ao seu modo, revela a nossa deferência, ou indiferença, para com o outro, pois, quando o respeito impera, o silêncio fala e a egolatria cala. Experimente. Já quando o egocentrismo grita e gargalha, abrem-se as portas para a mais vil barbárie. Silencie e testemunhe.

É DESSE JEITO - Nossas palavras evocam, nossos gestos ecoam e juntos, palavras e gestos, dão testemunho daquilo que somos.

UMA QUESTÃO DE TRABALHO - O talento não é algo que cai dos céus. Na verdade, qualquer talento é, necessariamente, uma longa e paciente caminhada para a realização de algo que apenas nós podemos fazer. Resumindo: os talentos são semeados pelos céus e cultivados pelas virtudes, ou sufocados pelos vícios.

O GRANDE GARGALO - O imperador da língua portuguesa, o Padre Vieira, nos ensina que não basta que as coisas que se digam sejam grandes, se quem as diz não o é. O crédito e a autoridade não emanam espontaneamente dum cargo ou duma posição. Não! Eles são auferidos às palavras e aos atos pelos autores dos ditos e feitos, não dos títulos que esses ostentam a frente de seus nomes. É nisso, e não noutra coisa, que reside toda a crise institucional que assola o nosso país de norte a sul.

BASTA QUERER - Os critérios utilizados por nós para julgarmos as miudezas do dia a dia são os elementos que dão sentido a nossa caminhada por esse vale de lágrimas que é a vida. O tamanho que atribuímos às pequenas querelas e dificuldades diárias equivalem à grandeza de nossa mesquinhez ou de nossa magnanimidade. Basta observar e, realmente, querer perceber esse óbvio ululante.

APENAS UM CAUSO - Certa feita, uma amiga havia me contado que seu avô fora professor numa comunidade agrícola duma cidadezinha do interior. Esse senhor era conhecido por falar muito pouco. Pouco mesmo. Aliás, quase não falava.

Passaram-se os anos e o velhinho pendurou a toga do magistério e, numa determinada ocasião, um parente fez graça com o homem, dizendo: “mas vô, o senhor, quando foi professor, conseguiu ensinar os seus alunos a falar?” No mesmo instante as gargalhadas foram fartas. Todos os presentes riram. Porém, o velhinho, silencioso e prudente, aguardou até o estardalhaço diminuir e então, só então, disse laconicamente: “Sim, aprenderam. Mas apenas o necessário”.

VERDADE ÓBVIA - Todo bom entendedor sabe que dependendo de quem venha um elogio esse pode ser um insulto ou uma declaração incriminatória.

E COMO - O pecado, como muito bem nos lembra o Padre Paulo Ricardo, emburrece. No mínimo, limita nossa capacidade de entendimento e compreensão. Porém, o orgulho do pecado, transformá-lo num projeto de vida, é eficazmente idiotizante.

UMA QUESTÃO DE INVERSÃO - Quando você transforma suas preferências carnais em sua identidade, quando você eleva ao patamar de ponto central da personalidade humana esse ou aquele gosto, literalmente, você está vendo a vida de maneira sinistramente invertida.

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NÃO ME VENHA COM TRELELÉ

Por Dartagnan da Silva Zanela

TAPETE NÃO FALA - A oposição feita pelo PSDB ao governo é similar à contraposição do capacho à sola imunda dum velho sapato dum ignóbil senhorio.

BOBINHOS - Otimistas são tontos assustados. Tão assustados que tentam disfarçar seu medo com postiças esperanças. Pessimistas, por sua deixa, são tontos desesperados que tentam disfarçar a sua languidez com toda sorte de azedumes supostamente realistas. No fundo, ambos são bobinhos da mesma estirpe com polaridades contrárias. Ponto.

ISSO BASTA PRA ENTENDER - As humanidades, a grande literatura universal de maneira especial, existem para defender a grandeza humana de todos os tempos da mediocridade humana do tempo presente.

A CIDADANITE DE CADA DIA - Quando ouço alguém falar em cidadania não sei se começo a chorar, se dou uma escandalosa gargalhada, ou se simplesmente corro pra bem longe. É muita besteira presunçosa mal disfarçada com uma simplória palavra.

CRISTÃO LIGHT - Quer um resuminho da mentalidade do cristão moderninho, do assim chamado cristão light? É bem simples: é o cristão que desconhece os ensinamentos de Cristo, despreza os ensinamentos da Igreja de todos os tempos e que deseja transformar a sã doutrina Cristã numa simplória ideologia social que verse sobre algumas atitudes sociais politicamente-corretas. Ele quer ser bonzinho com tudo por temor do que o mundo fala delezinho, mesmo que isso signifique negar o Cristo bem mais de três vezes.

É DESSE JEITO - Somente as almas medíocres amam aconselhar. Os notáveis mostram como se faz.

É POR AÍ MESMO - Ensina-nos o Padre Vieira que dos inimigos que mais devemos temer, em primeiro lugar estão a soberba e a ingratidão. Vícios que nos fazem imaginarmo-nos maiores do que realmente somos, nos dando uma imagem muito menor daqueles aos quais somos devedores e, desse modo, agiganta-se as nossas fraquezas e debilita-se as qualidades que poderiam nos elevar em dignidade e verdade.

UMA QUESTÃO DE MEDIDA - O silêncio nem sempre é a melhor resposta e o grito, por sua deixa, muitas vezes não é a menos apropriada.

ORAR, LUTAR E ESTUDAR - Qualquer reação contra um projeto político organizado, com planos de médio e longo prazo, somente tornar-se-á eficaz quando os indivíduos que o combatem procurarem conhecer a estratégia de médio e longo prazo desse projeto para saber claramente quais são as finalidades que se intenta realizar através do dito cujo e como se pretende chegar a isso.

Sem esse trabalho, silencioso e soturno, toda e qualquer organização que vise enfrentar tal monstrengo irá malograr.

Sim, combater sem recuar, no momento, é uma atitude necessária; porém, aprender com o inimigo, em meio ao combate, como fez Catão em sua luta contra Aníbal Barca, é urgente.

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PARA NÃO SER CANASTRÃO

Por Dartagnan da Silva Zanela


ESTUDANDO – Todos nós sabemos muitas coisas. Muitas. Porém, raríssimas vezes procuramos organizar essas nossas quinquilharias em nosso porão mental. Simplesmente recebemos as informações e as jogamos lá dentro e que lá fiquem. Não é à toa que nos sentimos um tanto que aturdidos quando somos indagamos sobre o que sabemos, pois, a bagunça é tamanha que fica difícil encontrar algo.

Por isso estudar nada mais é que colocar ordem nessa edícula cerebrina. Para tanto é indispensável que tenhamos um guia (uma lista de temas ou de questões simples e diretas) para fazermos um check-list gnosiológico. Listar o que devemos saber e como o devemos. Eis aí um bom e criterioso começo.

Além da lista, é de fundamental importância que tenhamos uma disciplina vontade para organizar essa bagunça epistêmica. Sem isso, meu amigo, não há Cristo que resolva nosso problema, nem lista que dê conta da zoeira, porque onde a desídia viceja é a balburdia e a ignorância voluntária que imperam; não o conhecimento.

Resolva-se isso, com decisão e prontidão, e tudo o mais será possível, inclusive e principalmente ampliar nosso entendimento.

PRA REMEDIAR - Estudar ao invés de palpitar levianamente não lhe garante boas respostas, na ponta da língua, para todas as perguntas que lhe são apresentadas. Entretanto, lhe permite ter um bom critério para reconhecer com facilidade e tristeza que a maioria dos palpiteiros não passam de evacuadores verbais que, sem a menor cerimônia ou pudor, revelam a todos os dejetos mentais que abunda em suas cucas.

PARA ALÉM DA VISÃO - Tatear pelo mundo, às vezes, é a melhor forma para compreendê-lo. Às vezes, fechar os olhos para as imagens do mundo midiático é o caminho mais eficiente para compreendermos tanto os sortilégios da grande mídia quanto o mundo criado, e o ocultado, por ela.

TEIMOSIA POUCA É BOBAGEM - Aquelas pancadas doloridas que a vida nos dá são, frequentemente, gestos de pura e cristalina misericórdia para com nossas confusas almas. Almas tão confusas que, na maioria das ocasiões em que isso ocorre, não compreendemos o tamanho do generoso regalo que Deus está nos ofertando. Chegamos, inclusive, ao ponto de recusar o presente redentor que está sendo gentilmente entregue em nossas mãos por pura arrogância vaidosa.

Eita bichinho teimoso esse tal de ser humano.

DIRETO AO PONTO (i) - A liberdade é um dom que se conquista, e reconquista-se, todo santo dia com a consciência em vigilante prontidão e de mãos dadas com uma espartana disciplina da vontade. O resto é colóquio flácido de coitadismo indisfarçado.

DIRETO AO PONTO (ii) - Eita bicho teimoso esse tal de ser humano! Insiste, sem parar ou cansar, em querer conquistar uma pequena parte do mundo, como se essa fosse todo o mundo, ao custo da perdição perpétua de sua alma. E a perde, tolamente, em nome duma conquista ínfima, duvidosa e instável, que nada é diante da grandeza da imortalidade de nossa existência eviterna. Tamanha é nossa cega vaidade.


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PALAVRAS PRA QUE TE QUERO

Por Dartagnan da Silva Zanela

É ISSO - Ele, o Cristo, é o caminho, a verdade e a vida. E você, é o que? Ele, o Verbo divino encarnado, ofereceu-Se em sacrifício por todos nós. E você, tem prova maior de amor a nos oferecer?

É SIMPLES ASSIM - Onde a descrença grassa, viceja a desgraça.

SILÊNCIO NOSSO DE CADA DIA - O homem moderno foge do silêncio a todo custo. Em toda ocasião, em qualquer momento que seja, procuramos o conforto que nos é oferecido pelo alarido hodierno. Ora pelas multidões, ora pelas mídias, seja qual for o subterfúgio, pouco importando as dimensões dum ou doutro, ambos, cada qual ao seu modo, nos aliciam a fugirmos de nós mesmos e, consequentemente, a fazermos ouvidos loucos para os conselhos que nos são sussurrados por nossa consciência, o arauto de Deus que habita nosso íntimo.

Não é por menos que o mundo moderno seja tão agitado. Do mesmo modo, não é à toa que nos neguemos tão facilmente ao silencioso recolhimento em nós mesmos. 

E estando todo imerso nessa confusa multitude de ruídos, podemos até afirmar que cremos em Deus, porém, sem estar crendo a Ele. Noutras ocasiões, podemos até dizer cremos a Deus, sem, necessariamente, estar crendo em Deus, tamanha é a nossa dificuldade de silenciarmos e compreendermos que é apenas Nele que somos, existimos e vivemos verdadeiramente, da mesma forma que grande é nossa vaidade que nos faz imaginar que somos algo independente Dele. Enfim, tal tolice facilmente seria sanada com uma boa dose dum generoso e contemplativo silêncio. Silêncio esse que não queremos nem saber de ouvir.

MAIS UM CONSELHO DO FILÓSOFO – Em 29 de janeiro de 2014 o filósofo Olavo de Carvalho disse, através duma publicação no facebook, o seguinte: “Fórmula infalível. Antes de julgar quem quer que seja, sobretudo negativamente, certifique-se de que você já se tornou, de maneira mais ou menos estável e geral, alguém BONDOSO, VALENTE, HUMILDE e CAPAZ. Exija de si essas qualidades básicas e, quando as alcançar -- porque ninguém tem as quatro de nascença --, seus julgamentos sobre os demais seres humanos serão razoavelmente justos, na medida do possível. Até chegar lá, contenha seu impulso de julgar. Praticamente todos os males do mundo vêm de que as pessoas exigem mais dos outros que de si mesmas”. Estando ciente disso, não diga, de jeito algum, faço minhas essas palavras. Não mesmo. Diga apenas: de agora em diante, faço minha essa atitude. Que tal? Pode ser?

UMA QUESTÃO DE TEMPERAMENTO - Não sou idealista. Na verdade, abomino esse cinismo travestido de hipocrisia. No fundo, não passo dum realista esperançoso. Só isso. O resto é bobagem.

DIMINUTA PORÇÃO - Não sou um homem muito afeito aos bate-bocas que, em nossa cambaleante sociedade, convencionou-se chamar pela elegante alcunha de “debates”. Não mesmo. Prefiro fiar meu passo pelo silêncio dos estudos para guiar-me em meio a esse oceano de murmurações rancorosas que banha a alma nacional. Fazer o contrário parece-me apenas mais uma bobagem vaidosa. Mais uma entre tantas.

A PARTE QUE ME CABE - Sei quem sou na ordem do dia e aceito estoicamente o pouco peso que minhas palavras têm. Certas ou erradas, minhas palavras nada movem a não ser minha carcaça e olhe lá.

Nessas condições, dissimular grandeza é posar de ridículo achando bonito o figurino de papelão e é por essa e outras razões que me privo dessa frivolidade contentando-me com o status de caipira escrevinhante. Isso já está de bom tamanho. Bom mesmo.

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LOUCO É QUEM ME DIZ...

Por Dartagnan da Silva Zanela

DE DELFOS À CÁTEDRA PETRINA - Quando procuramos sinceramente conhecer Deus, quando nos dispomos francamente a nos conhecer é justamente aí que começamos a cultivar, de fato e inevitavelmente, a virtude da humildade.

Dum modo geral, por soberba e vaidade, temos uma medida diminuta de Deus e uma expectativa superestimada de nós mesmos. Em muitos casos, sem percebermos, colocamos nossos pífios juízos (ou a falta deles) acima dos decretados pelo Altíssimo e achamos isso a coisa mais normal do mundo.

Muitas vezes chegamos ao ponto de imaginarmo-nos como sendo mais bondosos que Ele ousando, inclusive, a sugerir correções a Sua obra. Pra falar a verdade, raramente nos ocorre que deveríamos nos empenhar em corrigirmo-nos à luz Dele, tamanha é nossa vaidosa soberba quanto falsa é a imagem que temos de nós mesmos e de Deus, esse ilustre desconhecido que fingimos amar sem querer, de fato, conhece-lo. Quem o diga obedecê-lo e respeitá-lo.

MAL ESTAR SOCIETÁRIO - Eleições, a muito em nosso país, segundo João Ubaldo Ribeiro, era algo assim: o sujeito ia lá, até a urna, tapava o nariz e votava. Pois é, era assim, mas, ao que tudo indica, o povo após os últimos pleitos está passando mal e, em vista disso, não para mais de enjoar-se e de vomitar frente à pestilenta carniça que tomou conta dos brasílicos ares. Por isso, penso eu, está mais do que na hora de desinfetar o corpo político de nossa sociedade e de lavar a nossa (depre)cívica alma. Do jeito que está não dá mais. É muita porquice numa época só.

NÃO SE DÁ, NEM SE COMPRA - Um conselho curto e grosso que nos é ofertado por Thomas Mann: “Pensai como homens de ação, atuai como homens pensantes”. Luminosas palavras, sem sombra de dúvida, porém, aqui no Brasil, os conselhos não são vistos como coisas boas, porque se o fossem, não eram dados. Não é assim que todos falam? Logo, se fiamos nosso passo neste rastro, deixemos quieto e continuemos a pensar como homens de inação e a atuarmos feito uma massa estulta e ululante.

TENHA MISERICÓRDIA DE NÓS - Apesar de todo neo-paganismo propagandeado e macetado através dos mais diversos meios, ardis e artimanhas sombrias, o coração do povo ainda encontra-se aberto para receber o Rei dos reis com suas dolorosas chagas para imperar em suas vidas. O que falta, muitas vezes, é a presença de vassalos que não temam anuncia-Lo e que não queiram bajular esse mundo vil que não mede esforços para tentar expulsá-Lo de nossas vistas e, principalmente, de nossas vidas.

UM GESTO - O imperador da língua portuguesa, o Padre Antônio Vieira, nos ensina que nós somos o que fazemos. O que não fazemos não existe. O que deixamos de fazer deixa de existir. Portanto, só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos apenas duramos sem existir. Indo direto ao ponto, somos verdadeiramente Cristãos apenas nos dias em que lembramos que devemos servi-Lo. Quando nada fazemos do que devemos fazer, apenas nos colocamos soberbamente presentes diante Dele sem sermos alguém verdadeiramente. Sem sermos aquilo que deveríamos fazer.

OUTRO GESTO - Sejamos tão generosos em nossas orações quando somos dadivosos para com nosso lazer e diversão. Procuremos ser pródigos em nossas práticas piedosas quando somos abundantes na procura pela realização profissional e material. Ponto.

É POR VOCÊ - Somente um tolo presunçoso é capaz de escarnecer a dolorosa paixão de Nosso Senhor.

Somente um tosco que pensa que o universo todo foi criado para que o seu umbigo fosse o centro da criação é capaz de imaginar que seu amor próprio é mais excelso que o amoroso gesto do Verbo divino por nós.

Somente um estulto de pedra diz que entende a razão de tudo menos a paixão de Cristo. Estulto e leviano ao ponto de nunca ter meditado devidamente sobre a razão da existência dramática de um Deus que faz tudo por criaturas ingratas como eu e você.

Enfim, se você nunca tentou entender isso, na real, você nunca entendeu nada.

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CONSELHOS FURADOS

Por Dartagnan da Silva Zanela

AMANTES VULGARES - Uma frase dita com frequência pelos pretensos conhecedores da História e, principalmente, pelos supostos amantes dessa distinta dama: “Por que ficar estudando as sociedades greco-romana e medieval? Isso é uma perda de tempo quando poderíamos estar estudando algo mais atual do que essas coisas que não tem nada haver conosco hoje, com o nosso dia a dia”.

Essa frase, na real, é um claro sinal de estultice, uma cristalina demonstração duma sabedoria histórica postiça parida por sujeitinhos de minguado quilate. Não apenas isso. Uma clara confissão de má intenção.

Explico-me: Quando um sujeito diz que nós não devemos conhecer os fundamentos da experiência civilizacional, desconsiderando o valor de toda experiência humana que fora acumulada no correr de milênios, ele está declarando, discretamente, o seu total desamor não apenas pela história, mas por tudo que dignifica o ser humano.

No fundo, o que ele quer mesmo é convencê-lo da posição política que considera como sua, mas que, devido a sua superficialidade histórica inconfessa, é ele que a ela pertence feito uma marionete que apenas repete as palavras que seu ventrículo oculto sussurra em seus ouvidos. E o faz de maneira tal que o bonecão imagina estar agindo por conta própria. Tadinho. Tão bobinho quando presunçoso. Tão curto no entendimento quanto profundo em seu discernimento histórico.

PRA ESTUDAR HISTÓRIA – Outro comentário recorrente vindo da parte daqueles que dizem amar a tal da História é que, muitas vezes, a dita cuja apenas apresenta figurões que, segundo eles, apenas representam a classe dominante e que, por isso, os mancebos das classes menos abastadas, acabariam não se identificando com eles por não pertencerem à mesma classe social (há livros didáticos com essa consideração logo no início).

É obvio que as figuras que ganham destaque nas páginas da História são selecionadas e que essa seleção é feita no intento de atender a determinados critérios que, dum modo geral, refere-se a importância das ações desencadeadas por Fulano ou Sicrano. Importância essa que deve ser mensurada pelo efeito das ações que são desencadeadas ou simbolizadas neste ou naquele indivíduo. Podemos até discordar, desaprovar e repudiar as ações de muitas figuras que ganham o seu lugar nas laudas da mestra da vida, todavia, não temos como não reconhecer o impacto que as escolhas e decisões desses tiveram sobre a vida de milhares (às vezes de milhões).

Mais que isso! Há aqueles cujo efeito de suas ações se prolongam através dos séculos. E há outros que simplesmente são figuras de tamanha magnificência que nos inspiram a imitá-los e a querer aprender a ser digno, prestativo e bom com os feitos e desfeitos de sua vida a muito vivida.

Quando defrontamo-nos com essas figuras, em especial quando estamos diante dos últimos, dum modo geral, não estamos preocupados se eles eram reis, sacerdotes, escravos, operários ou guerreiros. Nada disso. O que importa é que essas figuras nos inspiram uma sincera admiração e um profundo respeito. Enfim, reverenciamos certas figuras não por elas em si, mas sim, pelas virtudes que elas encarnam.

É por essa razão que tanto Júlio César e bem como Spartacus e Epicteto ocupam seus merecidos lugares na história. Um general, um gladiador e um filósofo-escravo, homens que, cada qual ao seu modo, abalaram o mundo. Homens que nos ensinam a sermos maiores que nossas penúrias e problemas circunstanciais e o fazem não por serem oriundos dessa ou daquela “classe social”, mas sim, por serem quem eles são.

Enfim, somente pessoas destituídas de qualidade humana não compreendem isso.

O CAMINHO SUAVE PARA A VERDADE – O Papa Emérito Bento XVI, na sua homilia proferida em Havana no dia 28 de março de 2012, falou aos presentes, e a todos aqueles que tiverem ouvidos para ouvir, algumas considerações a respeito da vocação natural do ser humano para a procura pela Verdade, que é o caminho que todos nós estamos naturalmente inclinados para verdadeiramente vivermos, mas que, infelizmente, os três grandes inimigos de nossa alma tentam, através de todos os meios, nos afastar.

Diz-nos ele que: “[...] a verdade é um anseio do ser humano, e procurá-la supõe sempre um exercício de liberdade autêntica. Muitos, todavia, preferem os atalhos e procuram evitar essa tarefa. Alguns, como Pôncio Pilatos, ironizam sobre a possibilidade de conhecer a verdade (Jo XVIII, 38), proclamando a incapacidade do homem de alcançá-la ou negando que exista uma verdade para todos. Esta atitude, como no caso do ceticismo e do relativismo, produz uma transformação no coração, tornando as pessoas frias, vacilantes, distantes dos demais e fechadas em si mesmas. São pessoas que lavam as mãos, como o governador romano, e deixam correr o rio da história sem se comprometer”.

E como lavamos nossas mãos! Negamos diariamente as verdades mais elementares para que estejamos sempre em paz com os ditames do mundo. Não queremos ser rotulados pelos outros como chatos, atrasados ou retrógrados, porém, não paramos nem por um instante para considerarmos a verdade sobre nossa alma que está sendo apresentada por nós à Deus com esse nosso descuidado gesto.

E não apenas isso. Bento XVI, na mesma homilia ainda nos lembra que: “[...] há outros que interpretam mal esta busca da verdade, levando-os à irracionalidade e ao fanatismo, pelo que se fecham na ‘sua verdade’ e tentam impô-la aos outros. São como aqueles legalistas obcecados que, ao verem Jesus ferido e ensanguentado, exclamam enfurecidos: ‘Crucifica-o!’ (Jo XIX, 6). Na realidade, quem age irracionalmente não pode chegar a ser discípulo de Jesus. Fé e razão são necessárias e complementares na busca da verdade. Deus criou o homem com uma vocação inata para a verdade e, por isso, dotou-o de razão. Certamente não é a irracionalidade que promove a fé cristã, mas a ânsia da verdade. Todo o ser humano deve perscrutar a verdade e optar por ela quando a encontra, mesmo correndo o risco de enfrentar sacrifícios”.

Enfim, a ânsia pela verdade não pode ser calada em nosso coração, porém, diante da má inclinação de nossa sociedade, muitos acabam substituindo-a pelas mais elegantes mentiras que, ao final das contas, obscurecem a nossa razão, empalidecem a nossa fé cambaleante e aviltam a dignidade humana que foi em nós semeada por Deus.

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