Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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O Testamento de Bento XVI


Por Padre Paulo Ricardo

Em sua última audiência pública, o Papa Bento XVI se despediu dos fiéis e deu a todos uma grande lição de fé católica. Trata-se de uma fé muito específica e rara nos dias de hoje: uma fé que professa a presença e a ação de Deus na história da Igreja.

Todos deveríamos saber disto, mas nem sempre nos damos conta: a Igreja não é somente um sujeito da fé; a Igreja é também objeto de fé. Ou seja, a Igreja não somente crê, mas ela deve ser crida.

Bento XVI tem consciência de que a Igreja é portadora de um mistério divino. Como a lua, ela é reflexo de Cristo "luz dos povos". Por isto, nos convida a uma visão de fé:

"Deus guia a sua Igreja, ele sempre a sustenta, também e sobretudo, nos momentos difíceis. Não percamos nunca esta visão de fé, que é a única visão verdadeira do caminho da Igreja e do mundo. No nosso coração, no coração de cada um de vós, haja sempre a alegre certeza que o Senhor está ao nosso lado, não nos abandona, está perto de nós e nos envolve com o seu amor".

Estas foram as suas últimas palavras. Poderíamos dizer: este foi o seu testamento. Nada poderia ser mais marcadamente católico, pois nós católicos, ao contrário dos protestantes, cremos que o organismo visível da Igreja não é uma "invenção" humana, mas o Corpo do Cristo ressuscitado que continua vivo na história. [continue lendo]

Yoani Sánchez, insultada: "Ojalá en Cuba se pudiera hacer lo mismo"


PARA DESENVENENAR A ALMA


Escrevinhação n. 993, redigida em 25 de fevereiro de 2013, dia de Santa Valburga e de São Tarásio.

Por Dartagnan da Silva Zanela


O futuro está nas mãos dos jovens. Sim, podemos afirmar isso com toda aquela lengalenga populista que insufla nos tenros corações desejos ululantes de mudar o mundo ou, simplesmente, lembrar o óbvio: nossa geração irá perecer e eles envelhecer, queiramos ou não.

Com esse espírito, o Beato João Paulo II, em sua primeira visita ao Brasil, pronunciou-se, numa dada ocasião, aos jovens brasileiros. Wojtyla tomou como ponto de partida as seguintes palavras da Sagrada Escritura (Isaías LVI; 1): “Cumpri o dever, praticai a justiça”. Estas palavras, penso eu, devem tocar os corações de todas as gerações, porque nos acostumamos a apenas recitar opiniões como um boneco de ventríloquo e, na verdade, urge que aprendamos a ser testemunhas fiéis de nossos compromissos firmados com Aquele que é o caminho, a verdade e a vida. E, se formos sinceros, reconheceremos que falhamos neste quesito.

Neste sentido, lembra-nos o predecessor de Bento XVI que a justiça apenas se faz verdadeira se baseada no sujeito humano, incluindo o reconhecimento de sua dimensão transcendente, que é a imagem e semelhança de Deus. Toda vez que imortalidade da alma é desdenhada, o ser humano vê-se reduzido a um reles instrumento.

Por essa razão, Karol, o homem que se tornou Papa, nos lembra que “um jovem cristão deixa de ser jovem, e há muito não é cristão, quando se deixa seduzir por doutrinas ou ideologias que pregam o ódio e a violência”. Ideologias estas que fomentam e destroem as liberdades humanas fundamentais. Ideologias que facilmente injetam no coração dos mancebos a ideia de que os fins justificam os meios. Ideologias que os exaltam como pessoas únicas em seus desejos, ao mesmo tempo em que os atiram à alienação aliciante duma multidão massificada crendo candidamente que estão fazendo algo bom e justo.

Penso que um bom exemplo disso é a forma como alguns jovens, com suas almas carcomidas pela ideologia marxista reinante nestas plagas, trataram a blogueira cubana Yoani Sánchez, com toda ordem de vitupérios. Qual a razão? Ela escreve e fala contra a ditadura da dinastia Rubro-castrista que impera no Caribe a mais de meio século e que eles, jovens obscurecidos pela ideologia que os instrumentaliza, idolatram.

Por essas e outras que acredito que as advertências de Karol Wojtyla, que sentiu na pele o que significa viver num país onde tudo e todos são instrumentalizados em nome de um projeto de poder totalitário, são muitíssimo apropriadas para refletirmos sobre os rumos que estão sendo apresentados aos jovens que, dum jeito ou doutro, são o futuro de nossa envergonhada nação.

Por fim, naquela saudosa ocasião, João Paulo II indagou aos jovens: Para onde pretende ir juventude brasileira? A nobreza ou a indignidade de nosso futuro está prenhe na resposta que for dada a essa pergunta. Resposta essa que, queiramos ou não, já está sendo tecida através de atitudes mesquinhas como a que foi apontada em meio a essas linhas.

Pax et bonum
Site: http://zanela.blogspot.com
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com

Roda Viva | Yoani Sánchez | 25/02/2013

“Quero um ensino de qualidade, não quero cota”


Leo Daniele

Sou contra as cotas. Por que eu deveria ser privilegiada se eu tenho a mesma capacidade que meu colega?“, declarou Tawany Gabriela de Oliveira, 16 anos, estudante da Escola Estadual Hiroshima (*).

Defender as cotas raciais equivale a considerar negros e pardos como “pessoas que sem privilégios não chegam a lugar algum”. É o que fazem os defensores das cotas. Ora, isso é racismo!

Em 2005, a 7a Vara da Justiça Federal deu ganho de causa a um jovem que tinha sido preterido no curso de engenharia química da UFPr, por causa do sistema de cotas universitárias. Ele tinha obtido 611,3 pontos, enquanto o melhor cotista tinha apenas 489,3.

Não se trata apenas de ser ou não uma injustiça ‒ e o é ‒ mas também de baixar a qualidade do ensino e assim prejudicar o País, e os futuros usuários.

Já que se fala tanto em função social, qual o efeito social da disseminação desses diplomados na sociedade, simpáticos mas despreparados? Será benéfico para o desenvolvimento do País? E para eles mesmos?

Imaginemos uma Faculdade de Medicina. O exame de admissão deveria ser bastante rigoroso e justo, pois seria uma maneira de melhorar a segurança e o tratamento das doenças, e diminuir espantosos erros médicos.

Se alguém desejasse aumentar o tamanho da escola, não deveria, irresponsavelmente, diluir o rigor dos exames de admissão, mas melhorar os cursos de preparação, próxima e remota. Se fosse feito isso, mais alunos seriam aprovados no exame de ingresso, sem ser preciso apelar para cotas. [continue lendo]

A Reforma Ortográfica — um Acinte à Sensatez (I)


Por Carlos Nougué

Deixada à deriva, sem gramática, como querem muitos linguistas que, porém, defendem sua tese sem nenhuma deriva gramatical, a língua seria como a realidade-rio de Heráclito: seria puro fluxo, a ponto de não se poder falar duas vezes a mesma língua...

Ora, tal anseio, compartilhado de certa forma por híbridos de linguistas e gramáticos, não passa de fato do mais puro heraclitismo, ou seja, de uma negação da estabilidade do real. Mais simplesmente, é uma pura negação do óbvio: a gramática é parte intrínseca da linguagem; é o dique ou comporta sem a qual a língua-rio de fato fluiria e fluiria sem permanência alguma. Uma prova? A mais chã: que pai, que mãe, se dotados ao menos do ínfimo senso natural de cuidado e educação da prole, não corrigirão seu filho se ele disser algo errado? Se o pequeno disser, por exemplo, “zinza” em vez de “cinza”, hão de calar-se os pais e deleitar-se com mais essa novidade de uma permanente deriva linguística?

É tal a obtusidade daquela posição “científica”, está a tal ponto obnubilado o intelecto de seus proponentes, que estes nem conseguem ver que com tal língua-rio sem gramática nem sequer se poderia propor sua absurdidade — simplesmente porque nem sequer haveria a linguagem. Bem sei que retrucarão: “Mas as línguas mudam constantemente...” E quem o nega? Um rio de tanto bater numa comporta acaba por abrir-lhe fendas e traspassá-la com mais ou menos ímpeto. Com mais ímpeto quando há apenas fiapos de civilização e a gramática natural da língua acompanha tal tenuidade: essa é a razão por que as línguas indígenas ou tribais tendiam (e tendem) incessantemente à entropia. Com menos ímpeto quando há verdadeira civilização universal (ou tendente à universalidade) e a gramática da língua se alça de componente natural a arte: era o caso da Cristandade do século XIII e sua língua científica e altamente normatizada, o latim. (Aliás, a decadência civilizacional representada pelo fim da Cristandade não poderia ficar sem efeito na língua, que, adornada o mais das vezes de beletrismo, de ordinário já não alcançaria mais que um brilho de ouropel.). [continue lendo]

Armados e desarmados


Por Olavo de Carvalho

O Homeland Security está distribuindo às escolas, igrejas, clubes e outras instituições um vídeo em que ensina como reagir a um invasor armado de pistola, rifle ou metralhadora. Receita número um: saia correndo. Número dois: esconda-se debaixo da mesa. Número três: ataque o sujeito com uma tesoura, um hidrante, um cortador de papéis, um grampeador ou algum outro instrumento mortífero em estoque no almoxarifado. E assim por diante . (Não é gozação minha. Veja emhttp://www.youtube.com/watch?v=5VcSwejU2D0).       

A hipótese de manter um guarda armado ou de permitir que funcionários habilitados portem armas não é nem mesmo mencionada. É exorcizada. Há lugares, é claro, onde o exorcismo não funciona: a comissão de educadores da cidade de Newtown, aquela onde duas dezenas de crianças morreram assassinadas por um atirador alucinado, já declarou que vai seguir a sugestão da National Rifle Association e não as lições sapientíssimas do Homeland Security.

Para sua própria proteção, é claro, o Homeland Security apela ao remédio exatamente inverso daquele que recomenda aos outros. Alegando, vejam só, "defesa pessoal", o departamento acaba de comprar sete mil fuzis AR-15 – aquele mesmo que o governo quer tomar dos cidadãos – e dois bilhões, sim, dois bilhões de balas hollow point, daquelas que espalham estilhaços no corpo da vítima. Essa munição é proibida para uso militar pela Convenção de Genebra, só podendo ser usada, portanto, contra a população civil. O inferno não está cheio só de boas intenções. [continue lendo]