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UM JOGO BRUTO
Escrevinhação n. 1099, redigida no dia 24 de fevereiro de 2014, dia de São Luis Versiglia, de São Calisto Caravário e de São Sebastião de Aparício.
Por Dartagnan da Silva Zanela
Quando volvemos nossos olhos para os acontecimentos atuais, dum modo geral, ficamos perplexos, haja vista que a impressão que nos invade as vistas é de que deu a louca na história. Porém, essa imagem não é o fio estruturante dos fatos. Apenas é uma parte integrante da conjuntura presente.
Tais acontecimentos, como as manifestações, invasões de edifícios públicos, campanhas de difamação, etc., não são ocorrências isoladas. Em alguns casos até são independentes, porém, todas motivadas por elementos que são capitalizados por uma “diretriz” que os transcende.
Ou seja, quando se afirma que há uma linha de ação subjacente aos acontecimentos atuais não se está afirmando que há um plano conspiratório milimetricamente traçado sendo realizado por mestres ocultos. Afirma-se sim que a elite esquerdista tem uma agente de poder.
Uma agenda de ação não é um plano. É um projeto com metas a serem conquistadas. Projeto esse que é adaptado de acordo com as circunstâncias, conforme as oportunidades que o momento apresenta para acelerar ou frear o processo de conquista.
Sobre esse ponto as palavras de Napoleão Bonaparte são esclarecedoras por demais. Afirmava ele que “[...] possuía poucas idéias realmente definidas, e a razão disso era que, em vez de tentar obstinadamente controlar as circunstâncias, eu me submetia a elas. Para dizer a verdade, acontecia que, na maior parte do tempo, eu não tinha planos definidos, apenas projetos”.
Doravante, se tomarmos os conselhos da obra “Da Guerra” de Carl Von Clausewitz, as razões da eficiência das campanhas Napoleônicas e bem como da atuação das esquerdas em nosso país tornam-se claras. Ele nos ensina que uma boa estratégia deve basear-se em uma grande presença de espírito (para animar os militantes e simpatizantes), numa boa dose de determinação na realização dos projetos (de curto e longo prazo), no conhecimento dos vários cenários que nos são apresentados pela história e, fundamentalmente, saber captar as sutilezas do momento para adaptar o projeto de ação a essas e assim conquistar novos espaços na arena do poder. Orientações similares encontram-se também nos Cadernos do cárcere de Gramsci.
Detalhe: goste-se ou não, a estratégia rubra funda-se nessas quatro colunas. E o projeto esquerdista é um só: permanecer no poder e transmutar a sociedade. Essa é a agenda que está sendo implantada a passos largos em nosso país e em toda América Latina.
Por fim, para quem não compreende as sutilezas da luta pelo poder, para aqueles que apenas a pensam como um reles joginho quadrienal que articula vantagens miúdas com interesses corporativos, tudo parece esquisito, porém, a elite esquerdista vê e atua para além do momento projetando ações em longo prazo cientes de que poucos são os que realmente desejam ver o óbvio ululante.
Pax et bonum
Blog: http://zanela.blogspot.com
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com
TRÊS PONTOS E UM PUNHADO DE PALAVRAS
Escrevinhação n. 1098, redigida entre os dias 18 de fevereiro de 2014, dia de Santa Bernadete Soubirous, do Beato João de Fiésole (Fra Angélico) e de São Teotónio, e 24 de fevereiro de 2014, dia de São Sérgio e São Lázaro.
Por Dartagnan da Silva Zanela
1.
Numa bela passagem duma de suas homilias, Bento XVI, nos convida para refletirmos sobre nossa condição humana diante de Deus. Diz-nos ele que: “[...] penso que a esmagadora maioria dos homens tem o mesmo conceito de vida do filho pródigo. Ele pediu a parte de patrimônio que lhe cabia, e agora sentia-se livre, queria finalmente viver já sem o peso dos afazeres de casa, queria simplesmente viver. Receber da vida tudo o que ela pode oferecer. Gozá-la plenamente, viver, só viver, beber na abundância da vida e nada perder daquilo que de precioso ela pode oferecer. No final, acabou por se tornar guardião de porcos e chegou mesmo a invejar aqueles animais tão vazia se tinha tornado esta sua vida, tão inútil! E vã revelava-se inclusive a sua liberdade. Porventura não acontece também assim nos nossos dias?” Porventura não acontece assim também conosco em nossa vida?
2.
Verdades óbvias, em regra, são ouvidas com um escárnio que, por sua deixa, é mais do que previsível. Dum modo geral cultivamos um amor desmedido por nossas opiniões, tratando-as como se elas fossem alguma espécie de verdade universal inconteste, mesmo que nunca tenhamos dedicado a elas a mesma energia que despendemos em nossas manifestações histéricas de indignação.
Por isso, julgo precioso o conselho que nos é dado por São Josémaria Escrivá que, em seu livro “O Caminho”, lembra-nos que devemos ficar tranqüilos. Isso mesmo! “Fica tranqüilo se exprimiste uma opinião ortodoxa, ainda que a malícia de quem te escutou o leve a escandalizar-se. - Porque o seu escândalo é farisaico".
3.
"Não compreendo que te digas cristão e tenhas essa vida de preguiçoso inútil. - Será que esqueces a vida de trabalho de Cristo?" Assim nos admoesta São José Maria Escrivá. Aliás, onde é que você leu na Sagrada Escritura que o mundo iria nos amar e nos aplaudir por nos esforçarmos em seguir e viver os ensinamentos do Verbo divino Encarnado? Onde? Em nenhum momento o Cristo nos diz que nossa vida seria moleza.
Que eu saiba, Ele nos disse que nos enviaria para caminharmos por entre os lobos. Que o mundo nos detestaria da mesma forma que detestou e negou o Filho do Homem. Mas, é claro que nós, homenzinhos moderninhos sabemos mais sobre os desígnios de Deus do que Ele manifestou em Seu pio testamento, não é mesmo?
Por isso mesmo que, São Josémaria Escrivá também nos lembra que todos os pecados parecem que estão “[...] à espera do primeiro momento de ócio. O próprio ócio já deve ser um pecado!” Ócio este que nos entregamos com tanta freqüência em nome das mais pérfidas justificativas.
Pax et bonum
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