Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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[vídeo] Entrevista de Olavo de Carvalho para Leandro Ruschel


Em novembro de 2014 fui até Richmond entrevistar o professor e escritor Olavo de Carvalho. A conversa tratou da situação política do país, os seus desdobramentos na economia e o cenário geopolítico global. Há conteúdo nessa conversa para anos de estudos.

O Brasil ainda é o Brasil?

Por Percival Puggina

Por que as instituições nada fazem contra a matriz de corrupção instalada no coração do poder? Mistério. 

Por que Bolsonaro suscita maior comoção e interesse entre os formadores de opinião do que as denúncias da geóloga Venina Velosa da Fonseca? Mistério. 

Por que o relatório de uma Comissão Nacional da Verdade que sepulta verdades e ressuscita mentiras ganha espaço como se credibilidade tivesse, malgrado afronte a própria lei que a criou? Mistério. 

Por que, para tantas pessoas, o mal está na mera existência da revista Veja e não nos crimes que ela denuncia? Mistério.

Por que é tão solenemente ignorada a existência do Foro de São Paulo, como bem sinaliza Olavo de Carvalho? Mistério.

Por que não causou estranheza em parte alguma que a pessoa escolhida para ocupar a função de tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, seja, justamente, o ex-dirigente de uma cooperativa habitacional que lesou centenas de associados? Não está ele sendo processado por estelionato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica? Comanda as finanças do PT e só a Veja acha estranho? Mistério. 

Por que o partido que governa a República perdeu todo interesse em desvendar os enigmas em torno da morte de Celso Daniel? Mistério, mistério, mistério. 

Para onde quer que se olhe, lá está a densa bruma de onde quase se espera o surgimento de dragões, unicórnios e manticoras.

Pois eis que, de repente, fica-se sabendo que a presidente da República foi a Quito participar de uma reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e que nessa reunião foram tomadas diversas decisões envolvendo supostos interesses comuns aos países do bloco. E com que parcerias! Pois bem, as relações internacionais do Brasil, de uns tempos para cá, seguem estratégias incomuns e nos têm custado muito caro. Não seria preciso mais do que isso para despertar o interesse da mídia nacional. Mas não despertou. Por quê? Mistério. E não me consta que alguém tenha gasto meia hora, seja na mídia, seja no Congresso Nacional, para investigar o que significará, na vida prática, algo tão enigmático (mormente entre nações sob tais governos) quanto a Unidade Técnica de Coordenação Eleitoral que passará a funcionar na Unasul. Por quê? Mistério.

Tampouco suscitou interesse a decisão de criar uma Escola Sul-Americana de Defesa, que até sigla já tem: Esude. E para que servirá a Esude? Para constituir "un centro de altos estudios del Consejo de Defensa Suramericano de articulación de las iniciativas nacionales de los Estados Miembros, formación y capacitación de civiles y militares en materia de defensa y seguridad regional del nivel político-estratégico". Será que só eu fiquei preocupado com isso? Será que só eu fui buscar informações e me deparei com este vídeo? 




Terei sido o único a descobrir que, conforme ali se explica, a tal Esude tem por objetivo formar civis e militares afastados das "lições caducas com que se formavam nossos militares", as quais seriam "quase cópias dos manuais gringos, norte-americanos"? O que dizem sobre tudo isso nossos comandantes militares? Mistério.

Definitivamente, de duas uma: ou estou ficando incapaz de compreender o Brasil, suas instituições e seu povo, ou o Brasil está se tornando outra coisa qualquer.



www.puggina.org

DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE XV

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Da mesma forma que tristeza não paga conta, maracutaias contábeis não transfiguram déficit em superavit. Do mesmo modo que declarar-se honestos não nos torna uma pessoa decente, fazer pose afetada de partido da ética não forma sequer um só estadista.

[ii] Barack Obama firmou um acordo esquisitíssimo com o ditador Raul Castro. Esquisito é apelido! Por isso, cá estou com meus botões a me perguntar: o que as vítimas do castro-comunismo ganharam, objetivamente, com esse acordo? Não precisamos responder, não é mesmo?

Outra coisa: após essa esquisitice diplomática do governo Obama será, por um acaso, instaurada uma comissão da verdade em Cuba para investigar os crimes contra a humanidade cometidos pelo Castro-comunismo nos mais de cinquenta anos de ditadura totalitária marxista imposta sobre essa nação caribenha? Caramba! Eu acho que não.

Aliás, sei que é bobagem, mas perguntar não ofende (ofende?): após a data da assinatura desse esdruxulo acordo, Cuba passará a ter eleições livres e periódicas para todos os cargos do executivo e legislativo? Os irmãos Castro vão largar o osso do poder e libertar o povo cubano que a mais de cinco décadas vive sob a batuta do escravismo estatal Castrista? Vão?

Pois é, por essas e outras que digo e repito: muito esquisito esse acordo. Mais esquisito que ele, em si, é a bajulação midiática da assinatura do mesmo.

[iii] Sua Santidade, o Papa Francisco, tem umas pegadas que, as vezes, não dá pra entender. Num dado momento ele conclama os fiéis a não mais comprarem produtos que seja produzidos com mão de obra escrava. Detalhe: na China, bem como em todo e qualquer país comuna, o que impera é a escravidão estatal de toda a população, escravidão essa que os marxistas chamam de "democracia popular". Noutro momento, ele acaba mediando um acordo entre Cuba e Estados Unidos! Acordo esse que, na prática, ignora todos os crimes contra a humanidade cometidos pelo Castro-comunismo. Como assim? Não sei. Definitivamente não dá pra entender.

[iv] Toda vez que ouço aquela lengalenga de paz universal, sou acometido por urticárias.

Qualquer trololó pacifista sempre exala ou uma covardia indisfarçada ou um cinismo cretino inconfessável. Dum jeito ou de outro, a paz é apenas um bem quando encontra-se irmanada com a justiça e com o respeito ao valor fonte de todos os valores que é a pessoa humana. Qualquer coisa fora disso não passa dum reles ardil do diabo.

Não? Então vejamos: teria sido possível celebrar a paz com a Alemanha Nazista sem exigir que ela deixasse de ser Nacional-socialista? Teria sido justo celebrar um acordo com a Alemanha de Hitler desprezando todos os crimes que foram cometidos contra a humanidade?

Detalhe: na época, um desses amantes da paz, o filósofo Bertrand Russell, havia proposto o seguinte aos ingleses: que eles não deveriam declarar guerra contra a Alemanha, mas sim, convidar os alemães para conhecerem o quão bela é a sociedade Britânica para, desse modo, convencê-los que o nacional-socialismo é ruim e de que a liberal-democracia é legal.

Aliás, os ingleses celebram um acordo sossega leão com os germânicos (a Conferência de Munique) e todos nós sabemos no que deu.

Hoje os Estados Unidos reatam relações diplomáticas com Cuba. Tendo isso em vista, creio que seja pertinente perguntar: a ilha dos Castros mudará algo com relação a sua política interna e externa? Mudará? Ora, tal qual a China, Cuba continuará a ser um país torturado por um regime totalitário que escraviza o seu povo, porém, agora com a guaiaca cheia de dólares americanos. Trocando por miúdos: mais uma vez os gringos estão adquirindo o pior inimigo que o dinheiro pode comprar.

Por isso, como havia dito no princípio, toda vez que se fala em paz para humanidade, sei perfeitamente que não é paz, mas sim, um indisfarçado medo em misto com um inconfesso cinismo, porque paz sem voz não é paz, meu amigo, é ditadura.

[v] Lembrete que certa feita fora feito por um cáustico amigo: toda vez que a grande mídia, em uma só voz, elogia algo que o Papa fez, o faz pelos motivos errados. Toda vez que a grande mídia condena, em coro, algo que o Papa realizou, o faz com base em razões equivocadas. Ponto.

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[vídeo] Villa, Pondé e Claudio Abramo debatem a expectativa para 2015 (Revista FecomercioSP | Dezembro 2014)


A última edição do programa Revista Fecomercio SP em 2014 contou com a presença do historiador Marco Antonio Villa, do filósofo Luiz Felipe Pondé e do diretor-executivo da ONG Transparência Brasil Claudio Weber Abramo. 

Em debate, as expectativas para 2015 e os acontecimentos que marcaram o ano. 

O debate analisa a crise institucional no Brasil, o papel e eficiência das instituições e dos três poderes, além de fazer uma leitura dos avanços ocorridos nos últimos anos.

CHORUMELAS PEDAGÓGICAS

Por Dartagnan da Silva Zanela

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Há uma palavra que é vista, pelo pedagogismo reinante, como um sinal de grande mau agouro. Reprovar é a palavra. Isso, muito se deve, a infecção marxista do vocabulário utilizado na seara educacional de nosso país que transfigurou a reprovação de alguém em sinônimo de “exclusão social”.

Sei que ela não é a única, mas fiquemos, por hora, apenas com ela.

Vendo a educação por esse viés turvo, o professor acaba sendo reduzido a uma espécie de agente, inconsciente e alienado, do sistema CAPETALISTA e ali estaria para impedir que ele, o educando, obtenha o diploma que almeja e, se possível for, destruir a autoestima do infante.

Porém, é claro que há os educadores bonzinhos que, de acordo com essa cartilha pedagogesca, são conscientes e críticos e, por isso, não se prestam a esse hediondo papel de agentes da exclusão social. O aluno pode até não aprender nada, mas é aprovado ao final de tudo.

Mas não nos iludamos com esse canto de sereia porque não é bem assim que a banda da vida toca. Hoje, mais do que nunca, urge lembrarmos as palavras de Santo Agostinho que admoesta-nos para que sempre prefiramos aqueles que nos criticam, porque nos corrigem, do que aqueles que nos bajulam, porque nos corrompem.

Por isso, digo e repito: reprovar, algo ou alguém, é uma dádiva, não um ato de exclusão. Aliás, não é nem mesmo um castigo.

Se nos atermos a etimologia da própria palavra, compreenderemos que quando reprovamos estamos tendo uma segunda oportunidade de provarmos que podemos fazer por merecer; uma chance de re-provar que somos capazes de realizar isso ou aquilo sem ficarmos devendo favores para alhures e, principalmente, sem depositarmos a responsabilidade por nossos erros no tal do sistema ou nas costas de outrem.

Reprovando temos uma outra chance para provarmos o nosso valor. Porém, se somos aprovados a revelia, com base em ilações vitimistas, recebemos apenas um atestado de coitadismo que nos habilita a sermos usados indefinidamente por qualquer um que diga ser nosso protetor, a sermos manipulados por qualquer pilantra populista que afirme que irá nos ajudar.

Por fim, é por essas e outras que toda tentativa de desmerecer o mérito não passa duma mal disfarçada canalhice pedagógica. Apenas isso, nada mais do que isso.

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DIRETO DO MUNDO DA LUA – PARTE XIV

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Verdade seja dita: aqueles que pegaram em armas para lutar contra o regime militar não o fizeram em nome da democracia, nem em favor da liberdade. O fizeram por discordarem da coloração do regime de exceção. Apenas isso. Não queriam restaurar a normalidade democrática não. Eles ansiavam, sim, implantar a anormalidade socialista em nossa nação. Por essa razão, e por estarmos em plena guerra fria, os milicos enjaularam a democracia para combater o comunismo. O tempo passou, a ditadura brasileira acabou, a democracia foi libertada e, agora, está sendo lentamente sufocada por aqueles que pegaram em armas e por seus herdeiros. Eles estão realizando um sonho antigo e fazem isso sob a alegação canalha de que não estão matando-a, mas sim, realizando-a plenamente, como nunca se viu antes na história de nossa pátria que, ao que tudo indica, não é mais nossa.

[ii] Cláusula número um para uma conversa sobre o Cristianismo com alguém que acredita que veio do nada e que para o nada irá voltar: (i) o Cristão deverá trazer para a plateia cem pessoas que transfiguraram-se para melhor depois que se converteram. (ii) O devoto do nada (ateu) deverá apresentar cinquenta pessoas que tornaram-se seres humanos melhores por terem abandonado a fé em Cristo. Simples assim.

[iii] Conta-nos Johann Goethe que havia em tempos imemoriais uma lamparina encantada. Essa quando colocada no interior duma morada, por mais modesta que fosse, ficava maravilhosamente alumiada. Enricava seu interior e exterior. A lamparina referida pelo poeta é o Santo Evangelho de Nosso Senhor que enche de encantos a vida humana, por mais simples que seja, e cobre de glórias todas os deveres a afazeres, por mais humildes que eles sejam.

[iv] Malba Tahan ensina-nos que por não termos a menor ideia do que podemos fazer acabamos por nos entregar a lamurias que, aparentemente, nos trazem algum conforto por nos eximir de toda e qualquer responsabilidade pelas possibilidades que escolhemos. Em resumo: é a autopiedade nos pegando no colo. Porém, conforme nos lembrar o autor d'O homem que calculava, as tentações nos mostram o que somos e de que material é feito o nosso caráter. Por isso, não nos entreguemos a autopiedade de modo algum. É feio e, de mais a mais, ela é péssima conselheira e tem bafo de cachaça medonho.

[v] É frequente em nossa sociedade ouvirmos uma e outra alma sebosa afirmar que o mais importante é a prática, a dita experiência. Bem, vamos direto ao ponto: quem muito gosta de afirmar isso não tem experiência alguma (e se tem é de pouca valia). Segundo ponto: obviamente que esse tipo de sujeito não se encontra conscientemente munido duma boa teoria para alumiar a sua caminhada experiencial e, por isso, vale lembrar que toda e qualquer experiência é sempre, por definição, limitada e, necessariamente, só pode ser completada e compreendida à luz duma boa teoria conscientemente adquirida.

[vi] É preciso parar para centrarmo-nos em nosso lavoro. Porém, nada poderemos realizar se nos entregarmos ao imobilismo. Por isso, nada de desídia e muito menos de agitação descabida. Sejamos tranquilamente ativo e ativamente tranquilos. Ponto.

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