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A obra de Max Weber, por Otto Maria Carpeaux
Artigo foi publicado no 'Suplemento Literário' de 14 de abril de 1962.
No Instituto de Sociologia da Universidade de Munique acaba de ser inaugurado o Arquivo Max Weber, em que, além de documentos e manuscritos, serão conservados os livros e estudos que se escreveram sobre o grande erudito: até agora, aproximadamente, 3.500.
Um orgão tão responsavel e tão insular como o
"Times Literary Supplement" chamou-o, há pouco, de "a maior figura da sociologia do seculo XX".
Raymond Aron e Lorenzo Giusso dedicaram-lhe livros. O Fundo de Cultura Economica divulgou-lhe as obras no mundo de linguas ibericas. No Brasil, toda pessoa medianamente culta conhece o nome de Max Weber, pelo menos aqueles estudos que fundaram uma nova disciplina cientifica: estudando a influencia da ética protestante ou, mais exatamente, da ética calvinista sobre a formação da mentalidade capitalista, essa tese, embora muito discutida, é sua maior gloria e é o grande desmentido contra a idolatria da especialização: pois nunca teria nascido, se o economista e sociologo Weber, no ambiente estreito de uma cidadezinha universitaria alemã, não tivesse frequentado seus colegas da Faculdade de Teologia que ensinavam e estudavam a historia moderna da Igreja. [continue lendo]
Com a palavra, São Gregório de Nazianzeno
[...] Ontem, eu estava crucificado com Cristo; hoje, sou glorificado com ele. Ontem, eu estava sepultado com Cristo; hoje, saio com ele do túmulo. Levemos, pois, nossas primícias àquele que sofreu e ressuscitou por nós. Credes que falo aqui de ouro, prata, tecidos, pedras preciosas? Ó frágeis bens da terra! Eles não saem do solo senão para cair, quase sempre, nas mãos de celerados, escravos deste mundo e do Príncipe do mundo.
Ofereçamos nossas próprias pessoas, que são o presente mais precioso aos olhos de Deus e o mais próximo dele. Rendamos à sua imagem o que mais a ela se assemelha. Reconheçamos nossa grandeza, honremos nosso modelo, compreendamos a força desse mistério e as razões da morte de Cristo.
Sejamos como Cristo, pois Cristo foi como nós. Sejamos deuses para ele, pois ele se fez homem por nós. Ele tomou o pior, para dar-nos o melhor; ele se fez pobre, para nos enriquecer com sua pobreza; ele tomou a condição de escravo, para obter-nos a liberdade; ele se abaixou, para exaltar-nos; ele foi tentado, para nos ver triunfar; ele se fez desprezar, para nos cobrir de glória. Ele morreu, para salvar-nos. Ele subiu aos céus, para atrair-nos até ele, a nós que roláramos no abismo do pecado.
Demos tudo, ofereçamos tudo àquele que, por nossa causa, se deu a si mesmo como preço de nossa redenção. Não daremos nada de maior que nós mesmos, se compreendermos esses mistérios e nos tornarmos para ele tudo o que se tornou para nós.
PELO DESERTO
Escrevinhação n. 985, redigida em 30 de dezembro de 2012, dia da Sagrada Família e de São Rugero.
Por Dartagnan da Silva Zanela
Confesso: diante dos problemas que assolam o mundo e os escândalos que envergonham o firmamento, não é muito difícil ter a fé abalada. Porém, cair e ver-se mergulhado em uma crise espiritual não é o fim da picada. Faz parte de nossa jornada por esse vale de lágrimas.
Sei que é difícil, para homens do século XXI, com a alma toda carcomida por uma cavalar dose de vaidade, orgulho e soberba, reconhecer nossa debilidade originária. Porém, mesmo que neguemos isso, que finjamos ser fortes ou ignoremos essa verdade ela, mesmo assim, se faz presente.
O não reconhecimento das limitações de nossa inteligência e de nossa fé não nos fortalece. Pelo contrário, nos deixa vulnerável aos inúmeros ataques mundanos que nos acediam em todas as searas. Seja através dos meios de comunicação, das relações sociais, dos jogos de poder, do sistema educacional, enfim, em toda e qualquer ocasião somos presas potenciais do ladrão d’almas.
Eis a razão que levou o Papa Bento XVI a convidar os fiéis para, neste ano da Fé, dedicar-se ao aprofundamento dela, estudando o Catecismo da Santa Madre Igreja e os documentos do Concílio Vaticano II, pois, se a oração é a respiração da alma, o estudo é seu alimento.
Em vista disso, penso que não preciso dizer, mas o digo mesmo assim: é por isso que nossa vida espiritual anda anêmica, desnutrida e com problemas respiratórios crônicos. Se nossa fé está debilitada, e nossa inteligência mal alimentada, é praticamente inevitável a queda, o afastamento da vida religiosa ou sua vivência morna.
Se o amigo entregar-se ao devoto trabalho de abrir e estudar o Catecismo verá que uma das primeiras questões meditada nele é a da Fé e dos obstáculos que lhe são apresentados pela vida moderna. Aliás, se formos um pouco mais dedicados e procurarmos conhecer a vida de alguns Santos, constataremos que muitíssimos deles passaram por terríveis desertos espirituais e aprenderemos, com essas aquilatadas almas, como levantar-se e perseverar.
Sim, há inúmeras contradições no mundo contemporâneo e mesmo no ceio do chagado Corpo Místico de Cristo. Mas e quem disse que esse mundo é o reino da perfeição? Somente tolos crêem que utopias políticas e/ou um consumismo conspícuo podem substituir a Luz e a Paz que advém do Altíssimo.
Este mundo, e o coração de todos, encontra-se maculado pelo pecado original. Negar essa condição eivada de tensões e contradições seria o mesmo que tapar o sol com a peneira. Por sua deixa, negar a ação de Deus em nossa vida seria apenas um ato estulto de nos fechar á Providência Divina para ficarmos obtusos em nossa egolatria improvidente.
Agora, fortalecer a fé no exercício da razão e lapidar esta na vivência sólida da fé, pode nos ajudar, e muito, em nossa caminhada por esse deserto de lágrimas ressecadas no calor das dúvidas hodiernas vazias e maliciosas. Essa vereda, não converterá o mundo inteiro, mas talvez, quem sabe, converta os átrios de nossos pequeninos corações.
Pax et bonum
Site: http://zanela.blogspot.com
e-mail: dartagnanzanela@gmail.com
A DOUTA E DIPLOMADA IGNORÂNCIA
Escrevinhação n. 984, redigida em 28 de dezembro de 2012, dia dos Santos Inocentes e de Santa Catarina Volpicelli.
Por Dartagnan da Silva Zanela
Estou convencido. A estultice humana é uma força [quase] insuperável. Isso não significa que entreguei os betes. Não me entrego por bem. Apenas reconheço a dureza da realidade em que nos encontramos frente ao universo cultural e educacional de nosso país.
Bem, vejamos uma amostra deste problema. Em uma contenda intelectual é natural que os interlocutores conheçam, minimamente, o assunto. Deste modo, é mais que razoável que em meio à discussão, quando as informações são faltes, por desconhecimento dos fatos ou devido ao peso mastodôntico do patrulhamento ideológico reinante, que sejam indicados livros dum para o outro e do outro para o um. Aliás, é a troca de informações que nos auxilia na compreensão dos fatos que, por sua deixa, é a causa final dum debate.
Porém, não é assim que ocorre. Nestas plagas a lógica é bem outra. Se você sugerir a leitura dum livro para a melhor compreensão do assunto, tal gesto será visto como sinal de pedantismo e arrogância. Coisa de quem quer colocar banca. Ou seja: para discutir, basta querer discutir. Conhecer, no final das contas, seria apenas uma futilidade irrelevante.
Pior! Há casos onde o sujeito justifica o seu desconhecimento do assunto, apresentando um medalhão (um título de graduação, ou de pós - lato ou stricto sensu, ou cargo de mando). Ou seja: seguindo essa lógica, concluí-se que um título infunde no elemento uma autoridade que o distingue dos demais mortais. Falou, está falado. Seja o que for.
Trocando por miúdos, desprezar obras basilares sobre um assunto, aqui, nestas terras de Pindorama, é sinônimo de humildade. O fato de um indivíduo afirmar isso ou aquilo já é algo que merece credibilidade simplesmente porque ele disse e, por isso, suas alocuções devem ser dignas de todo o nosso respeito, mesmo que ele não saiba o que e do que está falando. Eu, de minha parte, tenho que estudar para conhecer e melhor discernir. Eles não! São, com poderia dizer, oráculos auto-proclamados.
Esse tipo de atitude é uma constante em nosso país. E o mais engraçado é que quando um aluno, ou uma pessoa que não faça parte do estabelechiment, questiona a cepa de suas falas, estes, rapidamente rebatem dizendo que eles, seus questionadores, tem poucas leituras e, por isso, não sabem do que estão falando.
Utilizam-se levianamente de dois pesos e duas medidas. Quando convém, exigem o conhecimento das fontes (que, no fundo, não conhecem). Quando não, taxam essa exigência como sendo uma erudição vazia advindo dum pedantismo congênito.
As razões que levam a esse tipo de impostura são inúmeras, porém, uma destaca-se: a falta de amor pela verdade. Se o sujeito não está interessado em conhecer realmente a verdade de algo ele não quer aprender. Quer apenas sair vitorioso, mesmo que este louro não tenha valor nenhum. Resumo da opereta: temos em regra uma fogueira de vaidades, não uma fornalha para forjar o caráter.
Isso tem cura? Sim, mas, como sempre, depende da boa vontade do paciente. Porém, neste tipo de paciente, essa é tão ausente quanto a tal da honestidade intelectual.
Pax et bonum
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