Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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E o barco chegou imediatamente à terra para onde iam


Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)

Quando as tempestades rebentam
Tu és, Senhor, a nossa força.
Louvar-Te-emos, a Ti, Deus forte,
Nosso constante socorro.
Perto de Ti aguentamos firmes,
Em Ti pondo a nossa confiança,
Ainda que seja sacudida a Terra,
E que se encapele o mar.

Podem as ondas enrolar-se e desenrolar-se,
Podem as montanhas vacilar,
A alegria há-de iluminar-nos,
A cidade de Deus dá-Te graças.
Tens nela a Tua morada,
Preservas a sua paz santa.
E um poderoso rio protege
A sublime morada de Deus.

Sublevam-se em loucura as multidões,
Colapsa o poder dos Estados.
Eis que Ele levanta a voz,
A Terra brame, sacudida.
Mas o Senhor está connosco,
O Senhor, o Deus Sabaoth.
Tu és para nós luz e salvação,
Contigo, jamais experimentaremos o medo.


Vinde todos, vinde contemplar
Os prodígios do Seu poder:
Todas as guerras se extinguem,
A corda do arco desentesa.
Lançai para o braseiro de fogo
Escudo e arma de guerra.
O Senhor, o Deus Sabaoth,
Socorre-nos na tribulação.

Aula do Curso Online de Filosofia - Olavo de Carvalho - 06 de abril de 2013.


Para entender o que está ocorrendo no mundo hoje.

A sociedade atual está menos preparada para a morte


Por Umberto Eco

A "Magazine Littéraire", uma publicação mensal da França, dedicou um número recente a um único assunto: como a literatura trata o tema da morte. Eu o li com interesse, mas afinal fiquei desapontado. Alguns artigos podem ter tocado ideias com as quais não tinha familiaridade, mas em última instância eles apenas reiteraram uma tese bem conhecida: que além de abordar a ideia do amor a literatura sempre lidou com o conceito de morte.

Os artigos apontavam a presença da morte tanto nas narrativas do século passado como na literatura gótica pré-romântica, mas também poderiam ter citado a mitologia grega - talvez a morte de Heitor e o luto de Andrômaco - ou o sofrimento dos mártires em muitos textos medievais. Para não falar no fato de que a história da filosofia começa com a premissa do mais fundamental dos silogismos: "Todos os homens são mortais".

Talvez o problema tenha origem no fato de que as pessoas leem menos livros hoje do que nas gerações passadas. Seja qual for a causa, porém, perdemos nossa capacidade de aceitar a morte. A religião, a mitologia e os antigos rituais tornavam a morte, senão menos temível, pelo menos mais familiar para nós. Através de grandes celebrações fúnebres, do lamento dos enlutados e das grandes missas de réquiem, nos habituávamos ao conceito de morte. Éramos preparados para ela pelos sermões sobre o inferno, e ainda criança fui incentivado a ler trechos do "Companheiro da Juventude" que abordavam a morte. [continue lendo]

A VERDADE DUM CORAÇÃO ENFERMO


Escrevinhação n. 1000, redigida em 08 de abril de 2013, dia da festa da Anunciação do Senhor, de Santa Júlia Billiart e de Santa Cacilda.

Por Dartagnan da Silva Zanela


Os anos passam como tudo o mais. As gélidas mãos de Cronos, que por nossa face deslizam, deixam suas marcas próximas às janelas da alma para que compreendamos que tudo que um dia alvorece irá, cedo ou tarde, crepuscular. A recusa em aceitar a passagem dos anos como um dos fatos mais belos da existência é uma das comédias mais tristes que já foram encenadas nos palcos da vida. Tristeza risonha que hoje, muito mais que em qualquer época, representa incansavelmente as infindáveis reprises deste enfadonho espetáculo.

Envelhecer é preciso, lembra-nos Nelson Rodrigues. Sim! Se recusamo-nos a envelhecer nos tornamos pessoas pouco generosas, nada heroicas e tão pouco humanas, tal qual vemos atualmente pelas ruas, nas redes sociais, nos protestos junto ao Congresso e em nosso mórbido cotidiano que, mesmo amarelado pelos dias que se foram, continua infecto com as utopias pueris de antanho.

Triste é a vida da alma que vê sua carne perecer sem permitir-se amadurecer. Triste é o homem que teme sacrificar o rapagão que habita em seu coração para que o adulto nasça. Não que ser jovem seja ruim. Nada disso. A questão é que uma árvore, frondosa ou não, só mostra seu viço se a semente morre e o caule envergar. Negar-se a isso é recusar às sementes que estão por vir à visão daquilo que podemos ser.

Lembro-me que em minha porca juventude desejava que aqueles revoltos dias fossem perenes. Imaginava que iria alentar aquelas utopias tolas, em misto com outras fantasias parvas, pelo resto de minha vida. Imaginava que o mundo não era melhor simplesmente por não estar em mãos similares às minhas. Coisa de moleque mesmo.

Os anos devem passar para que aprendamos, mesmo que à duras penas, que aquilo que chamamos, quando jovens, de justiça, heroísmo e sabedoria, não passava de brutalidade, covardia e orgulho. Ora, que sabedoria, justiça e heroísmo há numa multidão que enxovalha uma única pessoa e cala-se frente a uma multidão de escândalos? Confesso: esses tipos (célebres ou anônimos), não me representam com seu linchamento midiático show.

Se formos francos (sei que é difícil), reconheceremos que esse tipo de impostura, hoje, se tornou regra geral. A tolerância que se faz reinar nestas plagas, no uso dissimulado de dois pesos e muitas medidas, não é hipócrita. É cinismo puro e simples. Infelizmente não são poucos os que insistem em posar com estas vestes nesta corte de muitas majestades e que chamam a esse circo de república cidadã.

Doravante, amadurecer, antigamente, era sinônimo de aprendizado adquirido com a experiência dos anos que lapida a personalidade do indivíduo. Hoje, não mais. Basta curtir o momento, exibir uma pose de indignação, fazer uma ceninha de bom-mocismo, ser a favor de qualquer coisa modernosa e pronto! Tornamo-nos cidadãos críticos.

Se José Ortega y Gasset hoje vivesse, daria a nós o mesmo conselho que deu, em seu tempo, à juventude espanhola: “Prestad noblemente vuestro auxilio a los que son los menos contra los que son los más.” É claro que ele não seria compreendido, pois reconhecer a enfermidade de nossa alma seria o primeiro passo para curá-la que, necessariamente, deve passar pela imersão nas águas da verdade oculta em nosso coração, para que a luz não mais seja odiosa aos nossos adoecidos olhos.

Pax et bonum
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DAS LÁGRIMAS DERRAMADAS SOBRE A SEPULTURA ANÔNIMA OCULTA