Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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DIÁRIO DE CLASSE – parte VIII

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Discutir, trocar umas ideias, é bom? Nem sempre. Tudo depende da intenção que nos motiva a entrar numa discussão e com quem iremos realizar o brique.

Se você for uma pessoa razoavelmente séria, e se seu contendor também for, com toda certeza, a proza será bem proveitosa para ambas as partes. Se ambos querem conhecer, partilhar o que sabem, e estão mergulhados nesse intento com uma profunda sinceridade, bons frutos poderão ser colhidos.

Entretanto, como ocorre na maioria dos casos, se um dos interlocutores for um embromador de carteirinha que apenas está preocupado com a sua pose postiça de sabido, abandone de imediato porque, sinceramente, será apenas uma perda de tempo a mais em sua vida.

Enfim, não caia nessa esparrela de discutir por esporte. Esse negócio de querer discutir tudo, o tempo todo, com qualquer um não passa dum impulso vaidoso boboca que apenas emburrece. Detalhe: com o tempo, não haverá trejeitos de sabidão afetado que disfarcem a decadência adquirida com essa prática vil. Ponto.

[ii] Há uma passagem do Evangelho segundo São Matheus que nos diz que o coração de um homem encontra-se onde está o seu tesouro. Essas pias palavras nos apresentam uma singular pedra de toque para compreendermos a nossa degradadamente condição humana, para refletirmos sobre o caráter que dá forma a nossa personalidade.

Em resumidas contas, a passagem bíblica sugere a cada um de nós para que atinemos nosso entendimento para o seguinte: um amante inveterado de prazeres momentâneos dificilmente compreenderá a seriedade dos compromissos cívicos que todo ser humano adulto deve assumir para com os seus iguais e desiguais, para com sua pátria e para com Deus.

Seguindo por essa vereda, compreende-se porque um indivíduo que presa demasiadamente pela sua integridade física dificilmente compreenderá o destemor dum  Sócrates, que recusa-se a negar a procura abnegada pela sabedoria em favor da preservação de sua vida, nem a coragem dum Simón Bolívar em sua luta idealista, nem mesmo a pujança que movia aventureiros como Vasco da Gama que enfrentaram as fronteiras do desconhecido, presentes nos bravios mares. 

Enfim, apenas compreende-se e admira-se os tesouros que cabem na largueza, ou estreiteza, de nosso coração.

[iii] O Papa Francisco, recentemente, numa de suas mensagens aos fiéis, e a todos aqueles que estiverem disposto a ouvi-lo, disse: “Senhor, dai-nos a graça de nos sentirmos pecadores”.

Sentir se culpado é uma das grandes dádivas que nos foram dadas pelos céus. Reconhecer-se maculado pelo pecado é admitir as acusações auferidas pela nossa consciência, onde o olhar de Deus nos lembra de nossa pequenez, apesar de, muitas vezes, crermos tolamente que somos criatura impolutas e autossuficientes.

Uma pessoa que não se sente culpada, que almeja um dia viver sem culpa alguma, não mais é um ser humano. É apenas uma besta vulgar que imagina que tudo o que há em seu entorno existe para sua satisfação.

Por isso, repitamos com o Santo Padre: “Senhor, dai-nos a graça de nos sentirmos pecadores” para, deste modo, elevarmo-nos em espírito e verdade e realizarmos dignamente nossa humanidade, porque sem arrependimento não há conversão.

[iv] Errar é humano. Todo mundo sabe disso. Também todos sabem que errar e negar-se a reconhecer a responsabilidade pelos seus atos é criancice da brava. Agora, errar, errar e errar, não assumir a culpa pelos malfeitos e ainda colocar na conta dos outros é canalhice sem cura.

[v] Um dia o Governo cai,/ esparramando-se todo pelo chão,/ aí pacutia gritará ai, ai ai ai,/ para o regozijo geral da nação.

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[vídeo] Olavo de Carvalho e seus "debatedores" científicos

DIÁRIO DE CLASSE – parte VII

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Cansei-me das palavras que não se cansam de  ficar circulando aqui e acolá, porque os atos que transitam pelos mesmos caminhos já me disseram tudo o que eu preciso saber.

[ii] Não são necessárias palavras para reconhecermos um canalha e sabermos se ele está mentindo ou não. Basta apenas que observemos atentamente o olhar do biltre, ou a maneira como o mesmo esquiva-o, para que ele nos conte tudo o que precisamos saber sobre o seu caráter sem que, necessariamente, ele abra a boca para dizer uma única mentira.

[iii] Dizer que está na luta soa bonito. Dá aquele ar de destemor estilo Clint Eastwood. Bacana mesmo, porém, toda a belezura descamba quando associa-se a dita luta com a figura dum psicopata como o Che Guevara, pois, das duas uma: ou você é um estúpido facilmente influenciável sendo utilizado como massa de manobra por aqueles que idolatram esse monstro, ou você é um desses idólatras. Infelizmente, não há meio termo.

[iv] Militonto é uma criaturinha engraçada mesmo. Os fulanos odeiam visceralmente tudo o que os seus coleguinhas (e 'mestres') dizem que deve ser odiado e, por odiarem com fidelidade as suas ilusões ideológicas, e com uma obediência canina aos seus pares que incansavelmente repetem a mesma patacoada ideológica, eles acreditam piamente que sabem tudo, tudinho, a respeito de seus 'adversários'.

Por isso, torna-se compreensível porque eles são tão obtusos. Ora, quando recomenda-se a esses indivíduos desindividualizados que, para eles saberem algo sobre esse ou aquele autor, ou sobre certos problemas, eles deveria ler determinados livros, os caiporas, rapidamente, dizem: “eu não preciso ler essas coisas pra saber que ele é um direitista, neoliberal, reacionário, retrógrado, preconceituoso, conservador e o caramba à quatro”. E falam isso com aquela empáfia pseudointelectual que chega azedar o cheque do leite.

Pois é, cabeça de militonto é assim mesmo, não importa a idade: imaginam que odiar quem o mestre e o amiguinhos mandam seja sinônimo de conhecer. De conhecimento crítico. Não é à toa que o Brasil está do jeito que está.

[v] Quer saber duma coisa: que cada um defenda a causa que bem entender. A manifestação da vontade é da responsabilidade de cada um. O juízo de consciência também. Porém, lembre-se: nunca, nunca mesmo, coloque suas convicções políticas e ideológicas acima da verdade porque isso, queira ou não, é estupidez pura e simples. E o é não porque estou dizendo. São as consequências dessa inversão que não se cansam de dizer, mesmo que nos recusemos a ouvi-las e, principalmente, a reconhecê-las como fruto de nossas escolhas.

[vi] Uma fala recorrente em todos os corredores e cantos, vielas e becos, é a de que vivemos atarantados, sem tempo pra nada, que estamos sendo sufocados, sádica e lentamente, pela sociedade hodierna. Que triste. Tudo culpa do sistema.

Pois é, pode até ser, porém, se assim vivemos é, em boa parte, porque desperdiçamos o nosso tempo com futilidades sem valor. E como desperdiçamos.

Calma! Não entremos em pânico que eu já me explico. Vamos supor que viveremos até os oitenta anos de idade (considerando a possível margem de erro). Bem, dos vinte aos oitenta teremos 530.000 horas de vida. Até nos aposentarmos teremos trabalhado, aproximadamente, de setenta a oitenta mil horas (mais ou menos mil e setecentas, duas mil horas por ano). Vamos supor que nós necessitemos de dez horas por dia para dormirmos e cuidarmos daquelas coisinhas básicas. Desse modo, teremos utilizado nisso algo em torno de duzentas e trinta mil horas e, no frigir dos ovos, ainda nos sobram duzentas e trinta mil horas ociosas que, inevitavelmente, são gastas em algo, mas em que?

Detalhe: dos oito anos de idade até os vinte nós tivemos ao nosso dispor cento e cinco mil horas. E essas horas, cara pálida, foram bem ou mal vividas?

Enfim, hoje, mais do que em qualquer outra época, tempo é questão de gosto, gostemos ou não de ouvir isso.

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DIÁRIO DE CLASSE – parte VI

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Ensina-nos Santo Ambrósio que “a instituição do poder deriva tão bem de Deus, que aquele que o exerce é ele mesmo ministro de Deus”. Porém, de maneira insensata, muitos homens públicos recusam-se a reconhecer a origem de seu poder. Soberbamente creem que excelência do cargo que ocupam funda-se unicamente na malícia com que eles manipulam a temperamento do povo, cujos interesses eles fingem representar.

De mais a mais, todos nós, um dia, teremos que nos explicar perante o tribunal celestial e aqueles que muito receberam, muito terão de explicar, principalmente se tiverem colocado a sua mesquinha vontade acima da Vontade Daquele que colocou nos seus ombros o fardo do mando que vilmente, em nosso país, é convertido no fausto do desmando.

Enfim, por essas e outras que a Sagrada Escritura nos ensina que o princípio da sabedoria é o temor de Deus. Tais palavras não são uma forma de ameaça. Não mesmo. Elas são um conselho para que fiemos nossos atos de acordo com as reais dimensões da realidade, para não confundirmos, jamais, os desígnios de Deus com as ilusões advindas de nossa visão limitada e turvada pela nossa vaidade.

[ii] Quando perguntam se somos favorável a isso ou aquilo, se tomamos posição em prol desse ou daquele outro, podemos responder: deixa de frescura. Se insistir, podemos dizer: Hulk esmaga!

Fuleragens à parte, vejamos uma coisa: pouco importa se somos ou não à favor da gripe, por exemplo. Ela simplesmente existe e é um problema que deve ser enfrentado sem chiliques histéricos. Nossa posição sobre ela, não infrói, nem contribói na cura. O que importa é saber claramente qual é o problema real a ser enfrentado e qual o tratamento mais eficaz.

Por isso, querer tomar, prioritariamente, uma posição em relação a algo não contribui muito no entendimento e, muito menos, na resolução de qualquer problema e o sujeito que muito insiste nisso quer apenas fazer pose de bonzinho e nada mais. Enfim, frescura de principiante excessivamente intoxicado com patacoadas ideológicas.

[iii] Vejam só como são as coisas: até pouco tempo circulavam pelas redes sociais piadinhas do tipo: “quem é o autor de Vidas Secas? Graciliano Ramos? Não bobão! É Geraldo Alckmin”.

O ano eleitoreiro passou e constatou-se que outros Estados com o Rio de Janeiro e Minas Gerais também estão sofrendo com falta d'água, porém, com uma pequena diferença em relação a São Paulo: somente agora, após as eleições, passou-se a falar de maneira responsável sobre o problema. Feito gente grande.

Diante disso, fico cá com meus botões, pensando: será que os engraçadinhos estultamente ideologizados irão fazer piadinhas também com a desventura hídrica mineira e fluminense? Provavelmente não. E não farão porque a inteligência desses sujeitos funciona tal qual o seu senso de humor: de maneira deficitária e sem finalidade razoável alguma que seja maior que a sua mesquinha e estultamente cegueira ideológica.

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DIÁRIO DE CLASSE – parte V

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Nesses últimos dias, alguns legisladores federais manifestaram contrários ao pacote de maldades do governo Richa no Paraná, declarando, em uma só voz, que eles estão ao lado do povo paranaense.

Tal manifestação é bem vinda, não há dúvidas. Entretanto, a casa legislativa que lhes abriga é o Congresso Nacional e não a Assembleia Legislativa Estadual. Levando isso em consideração, creio que seria de bom alvitre que os legisladores que manifestaram-se ardorosamente em defesa do povo que o façam, com a mesma paixão, no Congresso Nacional, contra o pacote de maldades do governo Dilma que também nos afetam barbaridade.

Enfim, se os distintos legisladores paranaenses que estão a nos representar no Planalto Central, na esfera federal, mantiverem-se calados, como estão, diante dos mandos e desmandos do governo petista, os cidadãos paranaenses dificilmente irão levar a sério suas bravatas contra a (des)governança tucana estadual e, muito menos, a declaração de apoio ao povo dessa terra adornada com pinheirais.

[ii] O Brasil, hoje, sofre nas garras dos rebentos nascidos do casamento corrupto do totalitarismo marxista com o fisiologismo patrimonialista.

[iii] Um bom caráter é formado pela combinação equilibrada e apropriada dum determinado conjunto de virtudes para a realização duma vocação. Dependendo da vocação que o indivíduo for realizar, é imprescindível que determinadas virtudes se destaquem para que as obras realizadas sejam realmente dignas, relevantes e benevolentes.

Quando penso na vocação política, há duas virtudes que devem estar profundamente enraizadas na alma do sujeito: a coragem e a magnanimidade. Sem elas a vocação política não realiza-se em sua plenitude e, desse modo, inevitavelmente, os gestos do indivíduo que se propõem a realizá-la, sem a devida diadema virtuosa, acabam ficando mancas, raiando a fronteira da indignidade.

Sobre esse problema, há um belíssimo e substancial livro da lavra do senhor Johan F. Kennedy, intitulado “Política e Coragem”, onde o ex-presidente dos Estados Unidos teceu uma profícua meditação sobre a realização dessa vocação. Livro esse que todos os políticos brasileiros deveriam ler e, desse modo, refletirem sobre a forma como estão realizando-a ou, simplesmente, pervertendo-a.

[iv] Quando determinados legisladores se reúnem para organizar uma comissão, dando as costas para o povo, é porque alguém irá se lambuzar na orçamentária começão.

[v] Ensina-nos Sun Tzu que, muitas vezes, é melhor preservarmos nossos inimigos intactos que destruí-los. Numa luta, seja ela no campo de batalha, ou numa arena política, a vitória numérica não se sustenta por si só. Para legitimá-la é necessário um elemento moral, que dê magnificência para a ação. Sem esse elemento, a vitória num combate pode facilmente ser vista como uma carnificina e uma conquista política, seja em uma eleição ou numa votação numa casa legislativa qualquer, pode converter-se num claro sinal de abuso de autoridade. Trocando por miúdos: nem sempre destruir o inimigo, mesmo tendo os meios para tanto, é a ação estratégica mais eficaz. Muitas vezes, essa acaba se convertendo numa pífia vitória de Pirro. As vezes, nem nisso. Enfim, não nos basta ter os meios de ação em mãos para conquistar uma posição vantajosa no tabuleiro do poder. É de fundamental importância saber usá-los e compreender que, muitas vezes, os efeitos das ações são mais significativos que a ação em si.

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