Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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ENTRE A SOMBRA E A ESCURIDÃO


Por Dartagnan da Silva Zanela


GUERRILHA MORAL – O Marques de Pombal nos ensina que os que sabem tem o dever de ensinar; os que são prudentes tem o dever de bem-governar; e os que estão na conta dos sábios, tem a obrigação de, por todos, rezar. Se essa for a regra, então, para o Brasil de hoje, ferrou tudo, porque muitos que nada sabem ousam arbitrariamente doutrinar; outros tantos que são impudicamente imprudentes aventuram-se a desgovernar em nome de delírios ideológicos megalomaníacos; e os que posam de sábios, sem sê-lo, afirmam que não mais é necessário rezar, bastando apenas que todos acreditem nos doutrinadores e obedeçam caninamente aos imprudentes que eles indicarem. É mole ou quer mais?

UMA VELHA DICA - A lição é antiga e, como todo ensinamento desse gênero, as palavras que apontarei na sequência continuam a ser atualíssimas. O escrevinhante da vez é Gustave Le Bom, e ele nos lembra que “o homem que não sabe dominar os seus instintos, é sempre escravo daqueles que se propõem satisfazê-los”. Detalhe: atualmente o trem é um pouco pior. O sujeito é reduzido a uma condição abjeta de rebanho, de massa de manobra canina de grupelhos totalitários, e acredita, piamente, que está exercendo o seu “sacrossanto” direito à cidadania.

UM JOGO BEM SUJO (i) – O jogo do poder é algo que exige um estomago suíno de todo aquele que se atreve a jogá-lo. Para aqueles que desejam compreendê-lo, exige-se, além disso, olhos de águia. Vários sãos os subterfúgios utilizados pelos atores que pelejam nesse cenário. Vários. Um mais vil que o outro.

Um expediente extremamente comum nessa seara é a geração dum fato para desviar a atenção de outro. Quando esse recurso é utilizado, o que mais importa é a versão, não os fatos mesmos. Quanto mais apelativo for à sensibilidade do público, que vive atarantado com suas obrigações diuturnas, maior será a eficácia do desvio de atenção.

Nesse sentido, qualquer um que seja capaz de olhar os fatos friamente, conseguirá, com relativa clareza, ver o quanto “A” pode ser malicioso no uso desse expediente e o quanto “B” pode ser estúpido ao fazer justamente o que o primeiro quer. E não nos esqueçamos que entre “A” e “B”, há uma massa disforme que é utilizada para esse ou aquele propósito. Detalhe: essa massa imagina que está fazendo algo sem se dar conta de que está servindo a outro, feito uma peça menor num pérfido tabuleiro de xadrez.

Perceber a complexidade duma jogada como essa, que é a fabricação dum factoide, não é difícil não, porém, não é tão simples assim, haja vista que somos demasiadamente apegados as “nossas” impressões limitantes (como uma ideologia ou meros interesses grupais), ou porque estamos por demais impressionados pela primeira versão dada aos fatos.

Se seu desejo é não ser reduzido a um reles joguete desse tabuleiro imundo da vida política brasileira, mais do que nunca, é de fundamental importância zelar pela prudência e esforçar-se para tentar visualizar toda a conjuntura. Tal tarefa, além de demandar seriedade de nossa parte, também exige uma boa dose de paciência para que, assim, e somente assim, não sejamos engolidos pelos clamores de ocasião.

Agora, se seu desejo é ser devorado pela turbulência do momento, sinta-se à vontade, porém, não espere colher bons frutos dessa lavoura. É tempo perdido.

UM JOGO BEM SUJO (ii) – Numa organização política de massas, disciplinada e organizada, raramente o objetivo propagandeado para as multidões, e para a sociedade como um todo, é o seu objetivo real. Aquilo que é propagandeado é para mobilizar a aglomeração e conquistar o apoio da opinião pública (Ao mesmo tempo é uma motivação para a ação e um cenário de fundo para ela). O que é estabelecido pelos organizadores, com discrição, é a finalidade da ação, o objetivo real a ser atingido. Resumindo: a motivação embala a massa para realizar a finalidade que a multidão desconhece ou ignora.

UM JOGO BEM SUJO (iii) – É fácil por demais motivar pessoas de boa índole a lutarem contra uma injustiça para que elas, sem perceber, comentam outra e, inevitavelmente, sofram uma terceira.

EMPURRANDO COM A BARRIGA

Por Dartagnan da Silva Zanela


RELATIVISMO É ISSO COMPANHEIRO - Existe uma distância abissal entre o que é o amor e que seria o reles tesão. Quem confunde uma coisa com outra ou gosta de ser usado como objeto, ou deseja apenas usar os outros para satisfação de suas egoísticas fantasias. E mais! Dar pito, com pose postiça de bom-mocinho politicamente-correto, dizendo que essa esbornia é igual, em valor e substância, ao que nos é ensinado na Cruz, é porque não sabe a diferença que há entre um pinico e uma baixela, com seus respectivos conteúdos.

QUASE PROFETA – Carneiro Leão, afirmava, com a melancolia duma voz engasgada, que pobre é a nação onde a mediocridade é a condição sine qua non para integrar, tomar parte, da elite dominante. Penso que ele, quando afirmou isso, estava tendo uma visão profética de nosso pobre e desavergonhado país.

PONTO - O Villa é rápido no gatilho e até engraçadão, mas não é tal, nana nina não. E não adiante espernear nem fazer insinuação porque, no fim das contas, é o Olavo quem tem razão.

A SOLIDÃO DA LIBERDADE - Tomar uma decisão, solitariamente, e arcar com o peso da escolha feita, é algo que pode ser feito apenas por aqueles que procuram a verdade para que Ela dê forma a nossa vida e guie os nossos passos. Pessoas de geléia são incapazes disso.

Dum modo geral, a maioria não procura a liberdade ofertada pela verdade. Na maioria dos casos, elas procuram apenas a segurança, seja ela oferecida por um poder constituído ou pelas massas. As instituições asseguram os nossos devaneios e a turba nos confirma em nossa loucura, dando-nos a sensação de que estamos agindo por conta própria ao mesmo tempo em que atiramos nossa liberdade na privada.

SOBRE O MEDO - Sentir medo é humano. Encará-lo de frente, senti-lo corroer nossas entranhas ao mesmo tempo em que faz estremecer os nossos ossos, é heroico. E isso é o mínimo que é exigido dum ser humano.

Sucumbir diante do medo é apenas uma fraqueza compreensível. Uma faceta tão humana quando o heroísmo. Faz parte de nossa tragicomédia aqui na terra.

Porém, viver com medo, não admitir que esteja sofrendo com suas ferroadas e procurar o consolo ofertado pelo pares, agindo feito rebanho, é covardia indisfarçada pura e simples. O prodígio da banalidade profunda fantasiada de heroísmo circense. A festejada cidadanite.

UM PONTO DE DISCÓRDIA (i) - O estúpido também tem honra. Ao menos ele crê que tem uma para zelar. É bem provável que ignore totalmente o que poderia torná-lo uma pessoa proba. É possível que nem mesmo cogite quais de seus atos sejam honoráveis. E de tão honrado que ele é, que se ofende com qualquer coisa que lhe digam, haja vista que ele imagina que em qualquer mesquinharia sua tal honra encontra garrida. E assim age, porque não tem nenhuma.

UM PONTO DE DISCÓRDIA (ii) - Muitas vezes, o homem honrado silencia frente à injúria, por saber que sua honra encontra-se acima das palavras ímpias que a ele são dirigidas. Já o biltre de carreira não. Para esse espécime qualquer mesquinharia é motivo para escândalo. Basta um olhar atravessado e meia dúzia de palavras deslocadas para ter-se um circo bufo armado.

UM PONTO DE DISCÓRDIA (iii) - Para bem compreender o jogo do poder, é de fundamental importância não interpretá-lo a partir de nossos interesses, sejam eles justos ou não.

Quando procedemos dessa forma, analisamos o cenário a partir de sua complexidade. Do contrário, nos submetemos ao arbítrio dos atores em cena pelo viés de nossa fraqueza e, por isso, ao invés de compreendermos o que está ocorrendo, acabamos por fazer e “entender” o que os senhores do cenário querem que façamos. Nesse casso, queira-se ou não, acabamos agindo como bons peões num tabuleiro de xadrez.

Resumindo: quem vê o jogo de forças apenas através de seus mesquinhos interesses grupais, achando que essa postura é o supra-sumo da criticidade, apenas confessa a sua total mendacidade.

UM PONTO DE DISCÓRDIA (iv) – O idiota paranoico típico é aquele que vê neoliberalismo subjacente a qualquer coisa que o contrarie. Frequentemente o sujeito não sabe o que o contraria, mas se alguém lhe sugerir que isso ou aquilo seja uma prática neoliberal, ele acreditará e sentir-se-á aliviado, pois imaginará que agora estará entendo tudo.


PARA ARROLAR O ROLO


Por Dartagnan da Silva Zanela


DA BREVIDADE DO NADA - Santo Agostinho nos ensina que a vida nada mais é do que uma breve passagem dum infinito, do qual saímos, para outro infinito, para o qual rumamos. Dum infinito ao outro apegamo-nos de maneira irascível, muitas vezes, a bens finitos que, comparados à eternidade, nada são. E não é com uma frequência menor que trocamos o eterno pela brevidade dum nada qualquer.

AS VÍBORAS NOSSAS DE CADA DIA – Santo Antônio de Pádua (também e primeiramente de Lisboa) era um homem que sabiamente construía translúcidas imagens para, através de seus piedosos sermões, ilustrar as obscurecidas almas que, naqueles idos, iam ouvi-lo pregar e bem como ilumina, até hoje, a alma dos distantes leitores de seus escritos, como nós.

Num desses sermões, ele nos diz: “Quando te sorriem a prosperidade mundana e os prazeres, não te deixes encantar; não te apegue a eles; brandamente entram em nós, mas quando os temos dentro de nós, nos mordem como víboras”.

E assim são nossos projetos pessoais. E assim são nossos sonhos e desejos mundanos. Imaginamos poder encontrar a felicidade neles, desprezando a vontade de Deus e, sem percebermos, somos corroídos pelos mesmos por serem incapazes de nos realizar como pessoas. Afundamos cegamente nessa tosca busca pela felicidade onde ela não habita e nem encontra morada.

CONCILIAR É PRECISO – Há em nosso país uma grande tradição política que nos orgulha. É a tradição conciliatória. Também há outra tradição política em nosso país. Essa, porém, nos envergonha. É a tradição conciliatória. A primeira foi erguida sob os alicerces da virtude e do senso de responsabilidade. A segunda foi construída com base no oportunismo vil de grupelhos sem caráter. Infelizmente, a segunda abunda em nossas terras atualmente e, a primeira, ao que tudo indica, morreu à míngua, já faz algum tempo.

UM RETRATO ENVELHECIDO – O que me assusta não é a safadeza e a leviandade que muitos nutrem no trato da coisa pública. Não mesmo. O que me impressiona é o amoralismo sociopático que impera entre aqueles que deveriam ter um mínimo de sentimento de honra e um razoável senso de responsabilidade para tratar daquilo que se convencionou chamar de bem público que, ao que tudo indica, aos olhos desses biltres, parece ser apenas o bem de quem colocar a mão primeiro.

NÃO HÁ SOLIDEZ - Todo aquele que, de fato, estuda a história de nosso país, quase que de maneira inescapável acaba chegando à mesma conclusão que, certa feita, chegou o historiador Capistrano de Abreu que afirmava que a história do Brasil dá a ideia de que o país seria similar a uma casa edificada na areia. Ou seja: não há solidez que se sustente por essas plagas.

PARA SERMOS ÚTEIS - Todos nós, uma vez ou outra, nos preocupamos com os rumos do Brasil e, inclusive, ficamos inquietos por imaginarmos que não estamos fazendo tudo o que acreditamos que deveríamos fazer para sermos cidadãos ativos e úteis à nação para não nos tornarmos passivos e inúteis, alienados dos problemas que assolam esses tristes trópicos. Se assim estivermos a nos sentir, lá vai a diga, cáustica e certeira, do grande amigo de Eça de Queiroz, o escritor Ortigão Ramalho. Dizia ele, em suas farpas, que: “O modo mais eficaz de seres útil à tua pátria é educares o teu filho”.

Pois é, se mais pessoas preocupassem-se em cumprir com os seus deveres paternais, cujos meios estão ao alcance de suas mãos, provavelmente poderíamos dar uma face menos doentia para a sociedade brasileira. Mas não! Renunciamos ou delegamos a terceiros nosso dever primeiro para nos ocuparmos de simulacros que nos dão uma hipotética sensação de grandeza cívica e moral. Simulacro esse que, mal e porcamente, oculta nossa impotência voluntária num misto com nossa omissão cretina.

Enfim, queremos muitas vezes mudar o mundo sem estarmos dispostos a dedicarmo-nos a nossos filhos, pois, para muitos, a ficção duma cidadania hiperbólica é mais atraente que o cumprimento abnegado dum amoroso dever anônimo e silencioso.

NÃO LAMENTAR – A bússola moral da classe falante brasileira nunca foi das melhores, porém, agora, nem a velha gambiarra de orientação é utilizada. Apenas isso já é mais do que suficiente para explicar a leviandade de muitas opiniões partilhadas pelos néscios diplomados. Era sobre isso que, penso eu, referia-se Silvio Romero quando afirmava que o brasileiro é um ser desequilibrado e ferido, agarrado a uma tábua de salvação que as marés do momento lhe colocam nas mãos.

UMA DIGA SEMPRE ATUAL - Apenas procure fazer o bem sem ver a quem e, se possível for, sem dizer a ninguém.

O QUE IMPORTA - Pouco importa se a pessoa é parcial ou imparcial. Isso é frescura de idiota recalcado metido a sabidão. O que importa, realmente, é que a pessoa seja verdadeira.


AMOLANDO A LÍNGUA CEGA


Por Dartagnan da Silva Zanela


CIRCENSE - Lula, atualmente, só dá o ar da graça em picadeiro fichado com publico prévia e devidamente amestrado.

PONTO - O Villa é rápido no gatilho e até engraçadão, mas não é tal, nana nina não. E não adiante espernear nem fazer insinuação porque, no fim das contas, é o Olavo quem tem razão.

LÍNGUA FERINA (i) - Muita gente gosta de ter uma “boa” resposta na ponta da língua e que essa, a língua, seja afiadíssima. De minha parte, não sou afeito a isso, por incrível que possa parecer. Na verdade, não desejo ser ferino e certeiro com as palavras o tempo todo e a qualquer momento.

Para mim, mais importante que ter uma suposta resposta na ponta da língua, é possuir um desejo sincero de encontrar a resposta apropriada para os problemas que nos são apresentados. Mais importante que termos uma língua amolada é sabermos claramente o peso das palavras que iremos ou não utilizar.

Outra coisa: muitas vezes, quando sinceramente procuramos uma resposta para as questões que a vida nos ventila, e as encontramos, nem sempre essa resposta é de fácil comunicabilidade para os demais. Às vezes, é uma tarefa hercúlea que exige de nós uma clareza que nem sempre conseguimos ter.

Por isso, mesmo que muitos creiam ter a resposta acertada na ponta duma lamina lingual, nem sempre isso é verdade. Por exemplo: muitas vezes imaginamos estar constrangendo alguém com algumas palavras duras sobre algo, porém, por não sabermos claramente do que estamos falando e nem mesmo compreendemos o peso de cada uma das palavras utilizadas nesse intento, acabamos mesmo nos expondo a um ridículo desnecessário simplesmente por não termos optado pelo silêncio.

Na verdade, a afobação para ter uma resposta persuasiva apenas nos brinda com o vexame de um engano inevitável. A petulância de queremos sempre ter uma língua aguda apenas oculta a insegurança gerada pela lufa-lufa anterior que habita e domina.

LÍNGUA FERINA (ii) – Engraçado. Vejam só como são as coisas: as pessoas que querem, muito, ter uma resposta na ponta da língua e expô-la a qualquer um, mesmo que essa não lhe seja solicitada, dum modo geral não nutrem, de modo algum, um interesse similar pela procura da dita resposta acertada.

É que para procurá-la demanda-se trabalho; para falar, imaginando sabê-la, basta não ter desconfiômetro e nem um cadinho que seja de educação doméstica.

LÍNGUA FERINA (iii) – As opiniões, não importam quais sejam, se reproduzem igual a bactérias: por divisão (mitose). O conhecimento, ao contrário, germina.

O segundo, muito lentamente, pode tornar-se uma frondosa árvore; a primeira, rapidamente manifesta-se como uma incontrolável epidemia.

DIPLOMA NA MÃO – Quando você ouve alguém dizer que: "só acredita naquilo que é lógico e cientificamente comprovado”, pode ter certeza que você está diante dum idiota. O fato do sujeito não ter cogitado as implicações lógicas dessa afirmação, e não entender o absurdo científico inerente a ela, atesta isso.

O DESGOSTO DO GOSTO - Uma coisa evidente, como nos ensina La Bruyère, é gosto. Ora, existe bom gosto e mau gosto. Não compreender a importância dessa fina distinção é manifestar, de antemão, o total desrespeito de si mesmo e, principalmente, um total desamor pelo próximo, como consequência inevitável de tal atitude. Por isso, gosto se discute, sim senhor.


INDEFINIÇÕES BEM DEFINIDAS

Por Dartagnan da Silva Zanela


CATINGA MORAL - O cagão sempre fica valente junto com os seus. Por isso, uma multidão de cagões reunida sempre dá merda. Jamais alguma coisa que preste.

ASSIM DIRIA TIRADENTES - Contra a derrama de impostos, adversário da ingerência Estatal, contrário a estatolatria reinante, sou inconfidente. E inconfidente sigo caminhado em meu passo contra o Paço transbordante de iniquidades.

SINISTRO - Um homem de um único livro é temível, porém, indivíduos de livro nenhum, escorados em um e outro diploma, são deformações abomináveis que sepultam a cultura e a humana dignidade.

A MAGNIFICÊNCIA DA BAIXEZA - Antoine Albalat nos ensina que um talento nada mais seria que uma aspiração. Nesse sentido, o grande problema de nosso país não seria, exatamente, uma carência de talentos, mas sim, uma excessiva compulsão que almeja apenas ao que é baixo e vulgar. Uma constante cobiça por tudo que seja anódino. Cobiça essa que exige, obviamente, que essa mediocridade seja tratada com a honorabilidade devida apenas à magnificência. Resumindo o entrevero: dificilmente algo que preste pode nascer num ambiente como esse.

SEM RODEIOS (i) - Diga-me com o que você se distrai nas horas vagas que eu lhe direi o que você leva a sério.

SEM RODEIOS (ii) - Não é em nosso trabalho que nos dignificamos. São nas nossas horas de lazer que mostramos o quão digno somos.

SEM RODEIOS (iii) – Não é o trabalho em si que nos honra, mas a seriedade e a sobriedade com que realizamos nossas tarefas diárias.

O BRASIL DE LÁ E O DE CÁ - Definitivamente, há dois Brasis. Um que trabalha e está sentindo as agruras da crise que está se instalando em nosso país. O outro é o Brasil dos que parasitam todos aqueles que trabalham. E parasitam sob a égide de defender o primeiro Brasil dos tentáculos do tal sistema ou de qualquer outro fantoche retórico.

Para tanto, faz-se necessário que eles, os defensores dos frascos e comprimidos, recebam uma fatia maior, bem maior, de recursos para poderem continuar esse magnífico e pornográfico trabalho que é nos representar e nos defender de toda e qualquer zelite.

Trabalho esse que eles dizem fazer com tanto zelo e presteza, mas que, na real, todos sabem claramente, não é preciso dizer, o que esses sujeitos representam e de que material eles são feitos, não é mesmo?

SEM RODEIOS (iv) – A evolução técnica que vislumbramos nos dias atuais é algo inegável. Pra falar a verdade, é fascinante. Digo: aliciante.

ATÉ OS VERMES - O que torna a vida humana significativa é o “por que” vivemos. Esse “por que” embeleza-a e dá sentido a cada passo vivido por nós. Na ausência dum “por que”, e tendo a sua substituição por um desejo irascível, por um “como” viver, acabamos, irremediavelmente, portando-nos duma forma tal que até os vermes corariam de vergonha se ficassem diante de nós.

DIRETO DAS FARPAS - Ensina-nos Ortigão Ramalho que: "A categoria em que temos de classificar a importância dos homens deduz-se do valor dos atos que eles praticam, das ideias que difundem e dos sentimentos que comunicam aos seus semelhantes".

DO MAL (i) - O mal prospera, e segue de vento em popa, quando as almas sebosas encontram um ideal mequetrefe para justificar os seus desmandos e malfeitos.

DO MAL (ii) – O mal prospera, e segue orgulhoso, satisfeito, enquanto as almas amornadas, que se imaginam boas, cruzam seus braços na vã esperança de que as hostes sombrias dissipem graciosamente sem que elas tenham que lavorar contra a escuridão que espreita suas vidas.

DO MAL (iii) – As trevas marcham, num passo acelerado, sem parar, especialmente quando imaginamos que suas garras estão distantes de nosso coração, quando presumimos que estamos imunes aos seus sortilégios. Quando nos portamos desse modo, perecemos sem a menor reação.

DO MAL (iv) - Uma coisa que deve ser lembrada: as circunstâncias dum crime podem, até, atenuá-lo, porém, jamais essas podem justificar o ato e, muito menos, vitimizar o criminoso ao mesmo tempo em que se culpabiliza a vítima. Ponto.


ENCONTRANDO INDEFINIÇÕES


Por Dartagnan da Silva Zanela


ARTIFICIAL E ARTIFICIOSO - Tudo é uma questão de atenção e de percepção. Muitas vezes, por força de hábitos cognitivos viciosos, acabamos por julgar tudo que está a nossa volta a partir duma única e miserável chave interpretativa, querendo o tempo todo diminuir a complexidade da realidade para melhor enquadrá-la em nosso mundinho disforme.

Por exemplo: se um sujeito intenta interpretar a realidade a partir duma chave cognitiva como a tal “luta de classes”, ou qualquer uma de suas variáveis, ele estará, com muita facilidade e deformidade, criando um simulacro ao mesmo tempo em que imagina estar desvendando um fosso de mistérios insondáveis que os reles mortais seriam incapazes de vislumbrar. Tadinho.

Na verdade, é muito mais provável que seja uma fossa de enganos e engodos fecais do que outra coisa. E, tudo isso, parido por uma teimosia ideológica que não apenas deforma a compreensão humana, mas também, distorce as relações entre os indivíduos para que essas se tornem tão artificiais quanto são artificiosas às pessoas que assim procedem.

LISONJA AO MÉRITO - Desde a antiguidade os grandes sábios nutrem um grande desdém pelas honrarias. Nosso Senhor, o Verbo divino encarnado, fazia o mesmo e nos convidava a procedermos como Ele.

Não que o reconhecimento público não seja uma dádiva. Não é isso. O problema é quem representa o dito público. Dum modo geral, não são excelências, apesar de toda a deferência que lhes é facultada.

Excelências, ontem, dum modo geral, não o eram; e hoje, dum modo especial, não o são, haja vista que não mais se sabe a diferença substancial que há entre a respeitável admiração e a mais abjeta bajulação. Pra falar a verdade, apenas essa última de maneira rasteira se cultiva. A primeira, não se se sabe mais o que é.

A INDIGNIDADE E SUA MAJESTADE - Quando não temos mais coragem de dizer que algo seja bom ou ruim é porque, por excessivo respeito humano, perdemos a deferência devida à verdade, à beleza e à bondade.

Quando não mais sabemos a diferença que há entre o bem e o mal, entre o que bom e o que é ruim, é porque nossa alma já se encontra totalmente corrompida pela relativização da verdade, da beleza e da bondade, colocando qualquer delírio humano no patamar da mais excelsa dignidade.

SER SAFO É COISA DE MANÉ - Por hábito, por maus hábitos, tornamo-nos maliciosos e, consequentemente, safos. Ou seja: acabamos ficando por cima da carne seca.

Entretanto, com o tempo, por força da comodidade gerada pela malandragem, nossos hábitos maliciosos tornam-se menos habilidosos e, inevitavelmente, alguém mais safo nos dá um migue.

Por isso, vale lembrar que os bons hábitos, por sua natureza, apenas se aprimoram na mesma medida que nos aperfeiçoam simplesmente porque não tem em vista um ganho fácil, mas sim uma realização durável.

Por essas e outras que querer ser safo, é coisa de Mané. Sacou?

APRENDER É PARA OS FORTES - Sejamos curtos e grossos: aprender, como nos ensina tanto o livro do Eclesiastes e o filósofo Friedrich Nietzsche, é uma atividade dolorosa.

Todo aquele que vive com aquela lengalenga de que aprender é uma coisa lúdica e prazerosa é porque nunca aprendeu, nem ensinou nada.

Aprender qualquer coisa dá trabalho. Muitas vezes é algo fatigante e, o pior de tudo, é que com frequência nos enganamos no intento de acertar.

Mas é assim mesmo, não se preocupe. Quem nunca caiu e se ralou é porque nunca tentou caminhar sozinho. E o mundo está cheio de gente que gosta de fazer pose de bom caminhante sem saber dar um passo firme. E, é claro, evite esse tipo de gente. Principalmente, não seja um deles.

É O QUE TEMOS - Ocupe-se. Ocupe seu tempo com atividades que o dignifique e que lhe proporcione ganhos humanos. Ocupe-se para não desperdiçar esse precioso dom, que é o tempo. Ocupe-se para não cair na fatigante roda do arrependimento pelo que não foi feito, dos constantes embaraços que geram tantas e tantas desculpas esfarrapadas para justificar o injustificável. Enfim, ganhe tempo usando o tempo que se tem.

FIAT LUX - Poderia falar muitas coisas a respeito das mais variadas manifestações de anti-teísmo militante que infectam os ares hodiernos. Poderia, mas estou sem disposição. É a velha preguiça me puxando pelos garrões.

No momento, contento-me apenas em citar as palavras de Herald Bloom, que nos diz: “a religião não é o ópio do povo, é a poesia da humanidade”. Entendeu? Se não, tente e, pode crer, algo de bom, belo e verdadeiro germinará em sua alma.

COM QUANTOS PAUS SE FAZ UMA CANOA - Laurentino Gomes, em coluna recente, lembra-nos de um óbvio ululante: a história é escrita a partir de documentos, não a partir de suposições.

Sim, os documentos limitam o que podemos afirmar sobre os fatos, porque, felizmente ou não, é o que nos restou deles. São os indícios que nos restaram duma realidade vivida e que, dentro de determinadas circunscrições, nos ajudam a reconstituir os dramas humanos pretéritos e a compreender seus ecos que ainda se fazem presentes.

Não respeitar essa fronteira inerente ao fazer historiográfico é uma clara demonstração de desamor pela História. Ignorar as limitações do campo a ser conhecido é desprezar o objeto que dizemos “querer” conhecer. E é justamente isso que muitos dos supostos amantes da Mestra da vida fazem. Muitos, inclusive, são supostos ensinadores dela.


PROCURANDO INDEFINIÇÕES


Por Dartagnan da Silva Zanela


O QUE SERÁ? - Engraçado, tem gente que chama o twitter (e o facebook) de esgoto, mas vive nele. Nesse caso, fica a pergunta: sujeitos como esse são ratos ou cocozinhos? Um produto híbrido das duas coisas? "Bostatos"? Não sei e, pra falar a verdade, nem quero saber.

É DESSE JEITO - O governo ama tanto os pobres que os multiplica, cinicamente, e conserva-os pobres, bem pobres, ao ponto deles serem incapazes de reagir a esse quadro de humilhante dependência.

É DESSE JEITO (ii) - A justiça é cega, mas não é estúpida. Nós, cidadãos brasileiros, por nossa deixa, enxergamos. Apenas isso. Enxergamos sem reconhecer nossa estupides. Ponto.

É DESSE JEITO (iii) - Muitas vezes dizemos que os problemas de nosso país nos preocupam e, inclusive, fazemos aquela cada de indignados, mas, porque fazemos isso? Pra falar a verdade, não sei. Porém, uma coisa é certa: na maioria das vezes nos portamos assim por pura e simples vaidade. Raramente o fazemos por caridade.

É DESSE JEITO (iv) - Muitas vezes uma pequena e modesta frase tem muito mais a nos dizer do que um pretensioso livro, volumoso na quantia de palavras e carente de bondade e generosidade na intenção de sua publicação.

É DESSE JEITO (v) - Entregar-se à preguiça logo pela manhã é, literalmente, abandonar-se garbosamente a uma derrota espiritual. Sim, uma pequena derrota que, sorrateiramente, vai aplanando o caminho para outras derrotas maiores. Grandes derrotas que, lentamente, vão sendo construídas bem debaixo de nosso nariz com nosso leniente consentimento.

É DESSE JEITO (vi) – É justamente quando reconhecemos toda nossa impotência que podemos encontrar nossa real potencialidade. Quando nos libertamos de nossos delírios de onipotência tornamo-nos realmente uma força agente. Uma força limitada e diminuta, na maioria das vezes, mas uma força real que nos eleva e nos alforria de nossas fraquezas.

É DESSE JEITO (vii) – Uns, sob o pretexto de salvar a democracia, clamam por uma intervenção militar. Outros tantos, por tramar a implantação de uma ditadura marxista, dizem defender a democracia. Os primeiros, em muitos casos, não sabe o que dizem. Os segundos, em sua maioria, não sabem o que fazem, mesmo que imaginem saber.

É DESSE JEITO (viii) – É incrível como as pessoas que se auto-declaram críticas, muito críticas, adoram se vangloriar como sendo profundas conhecedoras da tal História. Dizem conhecer muito bem a dita cuja sem, no entanto, terem estudado um pouquinho que seja sobre ela. Na maioria das vezes, quase nada. Incrível, não é mesmo? Como tal milagre suíno é possível? Bem, das duas, uma: ou elas decoraram, direitinho, as palavras de ordem, e cacoetes marxistoides, que o "mestre" mandou, que lhe dão uma sensação narcótica de saberem tudo sem conhecerem nada, ou então receberam uma infusão dum espírito de porco que as ilude com uma pseudo-sapiência delirante e histérica. Pra falar a verdade, acho que devem ser as duas coisas juntas e bem misturadas. Somente isso pode dar conta de explicar tamanha ignorância presunçosa.

É BEM SIMPLES - Para aquela turminha que fica com aquele papinho de discurso de ódio pra cá, discurso de ódio pra lá, um manifestante, no dia 12 de abril, apresentou num cartaz uma resposta bem simples que até a dita turminha entende: não é ódio. É nojo. Entendeu? Não? Então você é um nojo mesmo.