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O VELHO LIBAMBO ENFERRUJADO
Por Dartagnan da Silva
Zanela (*)
(i)
DIANTE DAS INFINDÁVEIS CONFUSÕES
presentes na sociedade atual é imprescindível que procuremos tratar as coisas
pelo que elas de fato são e, jamais, nos darmos ao desfrute de julgarmos elas a
partir daquilo que se diz a respeito delas. Sim, a imagem é um elemento
integrante da realidade, porém, não é a inteireza dela que, quanto é isolada do
restante da realidade, ela acaba perdendo a sua significação originária.
(ii)
NÃO PENSE TANTO NO PECADO que os
outros cometem. Pergunte-se sobre os pecados que nós cometemos e que,
soberbamente, nos recusamos a reconhecê-los como tal.
(iii)
AO VERMOS UMA PESSOA DIGNA,
prestativa e boa, somos abençoados com uma presença que pode nos servir de
inspiração. Quando nos defrontamos com uma pessoa indigna, folgada e má, somos
abençoados com uma presença que pode nos auxiliar na realização de uma serena e
indispensável autocrítica.
(iv)
DICA NÚMERO UM PARA ESTUDARMOS a dita
cuja da história: estar sempre aberto para narrativas e explicações até então
impensadas por nós. Muitas vezes, quando dizemos que vamos estudar algo dessa
seara o fazemos a partir de um punhado de pressupostos sobre algo que apenas
vagamente ouvimos falar. E se assim procedemos, não estamos procurando conhecer
o que está nas entrelinhas das amareladas laudas da mestra da vida, mas sim,
apenas fazendo uso de um subterfúgio afetado para dar alguma legitimidade oca
para a nossa ignorância, criticamente presunçosa, sobre a tal da famigerada
história que, com muita frequência é citada sem ser devidamente estudada.
(v)
QUANTA FERVO, QUANTA FRESCURA POR
CAUSA da mudança do dito cujo do horário. Quanto mimimi. Do jeito que uns e
outros falam dá-se a impressão de que estamos diante duma eminente tragédia de
proporções cósmicas quando, na realidade, a única coisa que temos, é o adiantar
dos ponteiros do relógio em uma hora. Só isso. Quanto ao resto, tudo na mesma.
Ao menos pra mim que, como muitos, com ou sem horário de verão, continuo
levantando para o batente as seis da matina e indo dormir pra lá da meia noite.
(*) Professor, caipira,
cronista e bebedor de café.
PÃO E UM POUCO DE VINHO BARATO
Por Dartagnan da Silva
Zanela (*)
(i)
A CADA SEMANA QUE PASSA, Brasília
amplia mais e mais o seu picadeiro espetaculoso, daquele vil cirquinho sem a
menor graça; e faz isso enquanto o Brasil afunda-se, cada vez mais, em sua
desgovernada tragédia que, a muito, deixou para traz o cadinho de comicidade
que havia em sua histórica desventura. Enfim, o bicho está tão feio que nem dá
vontade de fazer piada.
(ii)
LIBERDADE É APENAS UMA PALAVRA que
pode, mui facilmente, ganhar um significado com um conteúdo contrário ao seu
sentido original. Aliás, essa é uma imagem bem corriqueira e que ilustra
perfeitamente os dias atuais. Qualquer lugar onde vemos multidões em cena, vemo-las
clamando pela liberação de todos os limites morais para a libertação de todos
os nossos instintos, principalmente dos mais baixos, como se tal clamor fosse a
quintessência da liberdade, da realização da plenitude humana. Porém, o que
tais multidões não se flagram é que, com tais clamores e bandeiras, a única
coisa que estão galgando para si, e para todos, são os pesados grilhões da mais
vil e ignóbil escravidão totalitária.
(iii)
QUANDO TUDO PASSA A SER balizado
pelo relativismo moral, é apenas uma questão de tempo para que a insanidade,
travestida de sofisticação, passe a ser o novo critério de razoabilidade e
decência.
(iv)
NÃO HÁ, NO HORIZONTE DE CURTO e
médio prazo, a menor possibilidade de encontrarmos uma solução política para os
problemas que estão a assombrar o nosso triste país. Essa é a mais macambúzia
verdade. Ponto. E se não somos capazes de reconhecer, mesmo com pesar, essa
infame obviedade é porque, definitivamente, não há, em curto ou longo prazo,
remédio para a nossa indigência intelectual e moral.
(v)
CRISTO NÃO É, COMO NOS LEMBRA
Joseph Ratzinger, o Messias esperado. Ele é, por definição, o Messias
inesperado. Porém, ainda hoje, muitíssimo mais que em outras épocas, cada um de
nós, cada qual ao seu modo, continua acalentando essa ou aquela expectativa em
relação a Ele na vã intensão de moldá-Lo de acordo com nossa soberba vontade.
Aliás, quem nunca ouviu uma
pergunta similar a essa: se Cristo estivesse vivo, hoje, o que Ele diria a
respeito da vida que Fulano e Sicrano levam? Pois é. Pergunta tão tola quanto
maliciosa. Isso mesmo! Bem maliciosa. E o é por duas razões: primeiramente não
é se Ele estivesse vivo. Ele está vivo. Em segundo lugar, ao invés de
perguntar-se o que Nosso Senhor diria a respeito da forma como os outros vivem
as suas vidinhas, pergunte-se o que Ele falaria a respeito de nossa pessoinha.
Tornou-se mais do que banal na
modernidade a ideia de que Cristo aprovaria esse ou aquele comportamento pelas
razões mais disparatadas possíveis. Ora, carambolas! Quem de nós não seria
reprovado por Ele? Quem? Pois é, a vaidade, como sempre, aí está a nos cegar
para as mais patentes obviedades e a abrir caminha para a nossa perdição.
(*) Professor, caipira,
cronista e bebedor de café.
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