Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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[podcast] CONVERSA QUIXOTESCA - O GRANDE MAL




O VELHO LIBAMBO ENFERRUJADO




Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
DIANTE DAS INFINDÁVEIS CONFUSÕES presentes na sociedade atual é imprescindível que procuremos tratar as coisas pelo que elas de fato são e, jamais, nos darmos ao desfrute de julgarmos elas a partir daquilo que se diz a respeito delas. Sim, a imagem é um elemento integrante da realidade, porém, não é a inteireza dela que, quanto é isolada do restante da realidade, ela acaba perdendo a sua significação originária.

(ii)
NÃO PENSE TANTO NO PECADO que os outros cometem. Pergunte-se sobre os pecados que nós cometemos e que, soberbamente, nos recusamos a reconhecê-los como tal.

(iii)
AO VERMOS UMA PESSOA DIGNA, prestativa e boa, somos abençoados com uma presença que pode nos servir de inspiração. Quando nos defrontamos com uma pessoa indigna, folgada e má, somos abençoados com uma presença que pode nos auxiliar na realização de uma serena e indispensável autocrítica.

(iv)
DICA NÚMERO UM PARA ESTUDARMOS a dita cuja da história: estar sempre aberto para narrativas e explicações até então impensadas por nós. Muitas vezes, quando dizemos que vamos estudar algo dessa seara o fazemos a partir de um punhado de pressupostos sobre algo que apenas vagamente ouvimos falar. E se assim procedemos, não estamos procurando conhecer o que está nas entrelinhas das amareladas laudas da mestra da vida, mas sim, apenas fazendo uso de um subterfúgio afetado para dar alguma legitimidade oca para a nossa ignorância, criticamente presunçosa, sobre a tal da famigerada história que, com muita frequência é citada sem ser devidamente estudada.

(v)
QUANTA FERVO, QUANTA FRESCURA POR CAUSA da mudança do dito cujo do horário. Quanto mimimi. Do jeito que uns e outros falam dá-se a impressão de que estamos diante duma eminente tragédia de proporções cósmicas quando, na realidade, a única coisa que temos, é o adiantar dos ponteiros do relógio em uma hora. Só isso. Quanto ao resto, tudo na mesma. Ao menos pra mim que, como muitos, com ou sem horário de verão, continuo levantando para o batente as seis da matina e indo dormir pra lá da meia noite.


(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café.

[podcast] CONVERSA QUIXOTESCA - TUDO NO AVESSO



PÃO E UM POUCO DE VINHO BARATO




Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
A CADA SEMANA QUE PASSA, Brasília amplia mais e mais o seu picadeiro espetaculoso, daquele vil cirquinho sem a menor graça; e faz isso enquanto o Brasil afunda-se, cada vez mais, em sua desgovernada tragédia que, a muito, deixou para traz o cadinho de comicidade que havia em sua histórica desventura. Enfim, o bicho está tão feio que nem dá vontade de fazer piada.

(ii)
LIBERDADE É APENAS UMA PALAVRA que pode, mui facilmente, ganhar um significado com um conteúdo contrário ao seu sentido original. Aliás, essa é uma imagem bem corriqueira e que ilustra perfeitamente os dias atuais. Qualquer lugar onde vemos multidões em cena, vemo-las clamando pela liberação de todos os limites morais para a libertação de todos os nossos instintos, principalmente dos mais baixos, como se tal clamor fosse a quintessência da liberdade, da realização da plenitude humana. Porém, o que tais multidões não se flagram é que, com tais clamores e bandeiras, a única coisa que estão galgando para si, e para todos, são os pesados grilhões da mais vil e ignóbil escravidão totalitária.

(iii)
QUANDO TUDO PASSA A SER balizado pelo relativismo moral, é apenas uma questão de tempo para que a insanidade, travestida de sofisticação, passe a ser o novo critério de razoabilidade e decência.

(iv)
NÃO HÁ, NO HORIZONTE DE CURTO e médio prazo, a menor possibilidade de encontrarmos uma solução política para os problemas que estão a assombrar o nosso triste país. Essa é a mais macambúzia verdade. Ponto. E se não somos capazes de reconhecer, mesmo com pesar, essa infame obviedade é porque, definitivamente, não há, em curto ou longo prazo, remédio para a nossa indigência intelectual e moral.

(v)
CRISTO NÃO É, COMO NOS LEMBRA Joseph Ratzinger, o Messias esperado. Ele é, por definição, o Messias inesperado. Porém, ainda hoje, muitíssimo mais que em outras épocas, cada um de nós, cada qual ao seu modo, continua acalentando essa ou aquela expectativa em relação a Ele na vã intensão de moldá-Lo de acordo com nossa soberba vontade.

Aliás, quem nunca ouviu uma pergunta similar a essa: se Cristo estivesse vivo, hoje, o que Ele diria a respeito da vida que Fulano e Sicrano levam? Pois é. Pergunta tão tola quanto maliciosa. Isso mesmo! Bem maliciosa. E o é por duas razões: primeiramente não é se Ele estivesse vivo. Ele está vivo. Em segundo lugar, ao invés de perguntar-se o que Nosso Senhor diria a respeito da forma como os outros vivem as suas vidinhas, pergunte-se o que Ele falaria a respeito de nossa pessoinha.

Tornou-se mais do que banal na modernidade a ideia de que Cristo aprovaria esse ou aquele comportamento pelas razões mais disparatadas possíveis. Ora, carambolas! Quem de nós não seria reprovado por Ele? Quem? Pois é, a vaidade, como sempre, aí está a nos cegar para as mais patentes obviedades e a abrir caminha para a nossa perdição.


(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café.