Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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A LIBERDADE COBRA SEU PREÇO


ENTENDAMOS UMA COISA BEM SIMPLES: somente a verdade nos libertará. A ideologia não liberta ninguém; nem o partido, nem a política, nem o Estado, nem fulano ou sicrano. Nada disso. É somente ela, a verdade, e nada mais. Se não somos capazes de entender essa obviedade, com o perdão da palavra, não somos capazes de entender nada com um mínimo de decência. Nada.

Dartagnan da Silva Zanela
professor, caipira, escrevinhador e bebedor de café.

PARA ALÉM DE NOSSOS TEMORES



NÃO DEVEMOS PROCURAR ALGO QUE apenas nos dê uma sensação de segurança não. Isso é para almas fracas, para aqueles que temem a realidade e não suportam encarar a vida face a face.

Infelizmente, quando muitas pessoas dizem estar trilhando o caminho da filosofia, o que elas anseiam desesperadamente encontrar é algo que tão somente confirme a sua inconformidade consigo e com o mundo. Só isso. Jamais a sabedoria em seu esplendor porque ela, a sabedoria, não cabe no minimalismo de seu horizonte de consciência.

Enfim, de jeito maneira essas pobres almas procuram a verdade. Na real, elas fogem dela como o coisa ruim foge da santa cruz.

Pior! Muitas vezes nós mesmos acabamos resvalando por esse turvo viés. Basta que sejamos sinceros para conosco mesmo para constatarmos essa vergonha nada original em nossa caminhada por esse vale de lágrimas.


Agora, se estamos de fato à procura de algo que fortaleça a nossa personalidade, é a verdade que devemos procurar e, tal procura, necessariamente, irá nos fortalecer pelo simples fato de estarmos procurando algo que não seja limitado pelos nossos desejos e temores. Ponto.

Dartagnan da Silva Zanela,
professor, caipira, escrevinhador e bebedor inveterado de café.

COMO NUNCA SE VIU


A casa não caiu. Foi derrubada pelo mais frio dos monstros frios.
Friamente foi feito, à sombra da suja toga de tretas e malícias mil
Que vive amancebada com a mais suja das castas, ignóbil e vil
Rindo, cinicamente, enquanto o infante e o homem senil
Choram ao ver que o trabalho de suas vidas inteiras caiu
Rente ao chão, junto a esteira do trator que tudo destruiu.
O trator destruiu o que o trabalhador, com seu suor, construiu.
A esperança que luzia no olhar do infante lacrimou e sumiu
Quando a ganância e a vileza contra sua família investiu
Sem clemência, sem justiça, sem dó, como nunca se viu.

por Dartagnan da Silva Zanela,
07 de dezembro de 2017.

UM CADINHO MAIS DE TEMPO


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

Queria ter mais tempo. Mais tempo para estar com aqueles que amo, que são a razão de meu existir. Queria tê-lo, fartamente, para poder ler e escrever mais e, quem sabe, melhor. Queira ter mais tempo para revolver a terra e cultivá-la, pra ver as sementes lançadas germinar e crescer. Queria. Como queria. Mas não o tenho. Entretanto, não me lamento por isso. Não mesmo. Faço o que posso com o cadinho que disponho em minhas mãos, aproveitando todo o tempo que tenho para fazer valê-lo. Para me fazer valer.

(*) Professor, caipira, escrevinhador e bebedor inveterado de café.

NOTAS E RABISCOS NADA LITERÁRIOS




Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(a)
OS ANSEIOS DA BRASILIDADE NÃO são compatíveis com a vontade que manifestamos para torná-los reais. Desejamos mundos e fundos, queremos que o Brasil seja a tal da mãe gentil, mas, praticamente ninguém, quer ser o filho que acolhe e defende com e por amor a mãe que está em apuros.

(b)
ANTES DE DISCUTIRMOS O FUTURO político de nosso triste país é imprescindível que conheçamos, desnudos de toda e qualquer paixão ideológica, os caminhos e descaminhos que foram trilhados até o presente momento, por todos os partidos e seus respectivos caiporas que os integram, para vermos o quão profunda é a conexão que há entre todos os biltres que instrumentalizaram, em nome dos mais variados fins, toda a pachorra Estatal e, consequentemente, acabaram por avacalhar com toda a sociedade brasileira. Ah! É claro. Não nos esqueçamos de fazer o mesmo com as decisões imprudentes que foram adotadas por todos os indivíduos, inclusive e principalmente, refletirmos sobre as decisões levianas que foram tomadas por nós.

(c)
NUNCA ESPEREMOS QUE OS OUTROS façam por nós aquilo que é nosso dever. Esperar que alguém assuma nossas responsabilidade é sacanagem. Agora, aguardar que o Estado tome conta de cada um de nós é uma imprudência sem tamanho, similar a entrega da proteção dum galinheiro a uma raposa.

(d)
ME OCORREU UMA DÚVIDA: os homossexuais tinham os seus direitos devidamente respeitados na Cuba de Fidel Castro? E na Coreia do Norte? E na China? E na antiga URSS os homossexuais tinham os seus direitos fundamentais devidamente respeitados?

Pois é. Por isso sempre achei, e continuo achando, um grave sintoma de esquisitice crítica quando testemunho um indivíduo defendendo os direitos dos homossexuais ao mesmo tempo em que advogava em favor dos regimes marxistas existentes nos referidos países, como se uma coisa fosse complementar à outra.

E não apenas isso. Defendem e anseiam apaixonadamente pela implantação duma tranqueira totalitária dessas em nossos tristes trópicos.

Enfim, seja como for, viver num país dominado pela batuta totalitária marxista não é bom para homossexuais, nem para heterossexuais; não é bom pra ninguém, nem mesmo para aqueles que aqui, no Brasil, defendem esse tipo de ideologia.

(e)
UMA COISA É LUTAR POR UMA bandeira política, outra, bem diferente, é devotar-se de corpo e alma a uma ideologia como se essa fosse uma espécie de seita capirótica que instiga os prosélitos a colocar os preceitos da dita cuja no lugar da verdade e acima das mais chãs obviedades.

(f)
SE APÓS OUVIRMOS ALGO SAÍMOS bradando aos quatro ventos o que fora escutado como se fôssemos profundos conhecedores do assunto, isso pode ser um claro sinal de que, além de sabermos muitíssimo pouco a respeito do babado, nós amamos ser instrumentalizados como massa de manobra.

(g)
SE A GRANDE MÍDIA DIZ que não é bom, se a intelectuária diz que é um retrocesso, se o beautiful people tem horror e se a militância canhoteira diz que não presta, pare e pense um pouco, porque, bem provavelmente, eles todos estão mentindo em alto e bom som e em uma só voz.


(*) Professor, caipira, escrevinhador e bebedor inveterado de café.

OLHARES PERDIDOS EM UMA SALA VAZIA




Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

Uma das coisas que mais me encanta em uma sala de aula, mesmo depois de duas décadas lavorando em suas cercanias, é a variedade de olhares que dão forma e brilho a paisagem desses ambientes, fechados para o mundo presente e imediatista e que, na medida de seus limites, possibilita a abertura das almas infantes para inúmeros outros mundos que se fazem luzir em seus olhares miúdos.

Vendo-os, fico a imaginar o que está se passando por aquelas cabecinhas que, caprichosas, ficam a fintar com seus olhinhos para a movimentação que toma conta, algumas vezes, dos corredores ou do pátio. Noutras vezes procuro, de modo quase que paterno, tentar ler os anseios, angustias e aflições que estão presentes nas profundas águas dessas alminhas e que se fazem refletir em seus cândidos zoínhos.

Dessa multidão de janelinhas da alma, naturalmente, há algumas que, à sua maneira, marcaram mais profundamente o meu espírito do que outros, devido à singularidade de sua expressão e da história que me foi revelada silenciosamente.

Sempre me encanta quando vejo os infantes concentrados realizando uma atividade proposta. As pálpebras baixam à meia luz acompanhada por uma leve inclinação da sua cabecinha, fervilhante de ideias e traquinagens, sobre o caderno como se ele estivesse campeando grilos no meio do capinzal ao cair da tarde. Sereno, ao seu modo. Desligado de tudo, para poder ligar-se totalmente com aquele momento que é só dele e de ninguém mais.

Nessas cenas também não temos como não nos admirar com a forma como a gurizada segura seu lápis que, em regra, tem sempre uma das extremidades toda marcada pelas suas dentadas.

Uns colocam toda a pressão possível sobre a escrita, outros fazem deslizar o grafite sobre a folha do caderno como se esse fosse um pincel a bailar em uma tela e, dum jeito ou de outro, o momento é sempre atendido pela boca entreaberta do pequenino que, com seu olhar, tudo acompanha pra que a tarefinha fique pra lá de bonita. Ou não.

Além desses olhares, temos outros mais. Temos aqueles olhinhos inquietos que, ao ouvirem a explicação inicial dum conteúdo novo, sentem-se perdidos e, ao mesmo tempo, curiosos diante de algo que até então não era do seu conhecimento.

Outras vezes, esse mesmo tipo de olhar, manifesta-se quando o infante recebe a sua avaliação e, aturdido, não compreende como ele pode ter errado aquelas questões e, por isso, não se conforma com a nota que conquistou.

Há também aqueles infantes que deixam à vista os seus introspectivos olhares onde, de modo mui discreto, somos capazes de ver os seus sonhos transbordando de sua imaginação e, noutras vezes, como eles mesmos dizem, somos capazes de ouvir suas divagações quando estão a pensar na vida. Na tal da vida.

Não menos frequente, temos os olhares perdidos, desorientados de tudo. Crianças que pouco sabem sobre si, ou que muito sabem e preferem esquecer. Crianças que muitas vezes miram para o futuro e, não veem nada além de um cenário vazio de pura desolação.

Sejam quais forem os olhinhos que compõem a paisagem duma sala de aula, eles sempre são acompanhados, ou seguidos, por um doce sorriso, ou por uma careta brincalhona, típica da inocência das almas que não sabem, e nem estão muito preocupadas, com o que o amanhã lhes reserva, mas que, mesmo assim, muito dele esperam.

Seja como for, não sei o que dizer quando vejo esses olhinhos, não sei dizer se o futuro a eles pertence ou não.

Enfim, espero apenas que todos esses pequenos possam chegar nesse tempo, no tal do futuro, e nele mergulhar sem cerimônia para poderem fazer dos dias que estão por vir a realização dum sonhado presente que, no passado, era apenas um suave brilho num olhar infantil.


(*) Professor, caipira, escrevinhador e bebedor inveterado de café.

GASTRIMARGIA E OUTROS BICHOS



Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
ESTAVA CÁ COM MEUS ALFARRÁBIOS a matutar: o que será que mulheres da envergadura intelectual duma Edith Stein, ou duma Simone Weil, diriam a respeito do feminismo contemporâneo, de um modo geral, e de figuras como Judith Butler, de modo particular. O que será? Não sei não, mas, algo me diz que o dito seria muito, muitíssimo interessante e que elas, as engajadas e empoderadas hodiernas, possivelmente, num primeiro momento, não iriam se sentir muito confortáveis com a possível preleção. Por isso, penso eu, que a leitura das obras dessas senhoras, necessariamente, deveriam ser lidas e levadas em consideração, obras essas que, por sua deixa, são sumamente ignoradas por essa época que, por meio de inúmeros organismos e entidades internacionais, não mede esforços para advogar em favor da tal ideologia de gênero, como se essa fosse uma espécie de verdade ocultada por milênios e que, agora, somente agora, foi revelada profeticamente pela soberba e iluminada filosofia contemporânea.

(ii)
NA PROCURA PELA ORIGINALIDADE, a filosofia, as humanidades, acabaram se perdendo do rumo que nos leva ao encontro com a verdade.

(iii)
PODEMOS RESUMIR MUITOS DOS entreveros intelectuais e morais que assolam os dias atuais com as lacônicas palavras de São Paulo, palavras essas onde o mesmo nos lembra que, sim, podemos tudo, mas nem tudo convém.

(iv)
Abstinência e moderação não matam. Nunca mataram. Já a gastrimargia, sim, pode matar-nos. E já matou muita gente.


(*) Professor, caipira, escrevinhador e bebedor inveterado de café.