Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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SEM TROPICAR NAS PEDRAS

Por Dartagnan da Silva Zanela

[i] Todos, de vez em quando, contra a vontade, são feitos de trouxa. Porém, somente os militontos, de corpo e alma, são trouxas voluntários.

[ii] Comunas de todas as colorações, entendam uma coisa, sem fazer beicinho ou comiseração: a sociedade está padecendo com a mobilização dos caminhoneiros, sim, mas está com eles nesta luta poque todos nós estamos padecendo juntos com os mandos e desmandos daqueles que estão enlameando e desmantelando a nação em nome dum totalitário projeto de poder que, desde de sua concepção, está fadado ao fracasso e, goste-se ou não disso, eles estão arrastando toda a sociedade brasileira junto com eles e seus delírios vermelhos para o fétido pântano da cubanização.

[iii] Muitas pessoas, com justa indignação (ou não), chamam, muitas vezes, os simpatizantes do comuno-petismo de jumentos. Pô! Isso é sacanagem da brava. Uma desnecessária falta de respeito. O que os pobres moares tem haver com os entreveros brasílicos?

Pois é, e tem outro ponto neste conto: como todos sabemos, os burrinhos simbolizam a humildade. Eles carregaram o Verbo Divino em sua triunfal entrada na cidade de Jerusalém. Já os comuno-petistas idolatram Dilma, Lula, Maduro, Fidel, Che e tutti quanti.

Os simpatizantes e militantes do comuno-petismo, ao contrário dos bichinhos citados, em sua maioria, verte soberba e orgulho indisfarçável pelos seus olhos, tornando a analogia com o pobre animal algo inapropriado, pois acaba falseando a realidade de nossa maculada república que hoje, mais do que nunca, vê-se atormentada por uma grande multitude de pessoas que sofrem dessa terrível miopia ideológica que está arrastando o país numa longa e interminável marcha para o brejo.

Em tempo, e sem delongas, se alguém interessar-se pelo burrifico tema, há um maravilhoso livro da lavra do embaixador J. O. de Meira Penna intitulado “O elogio do Burro", o qual recomendo vivamente.

Enfim, deixemos os bichinhos em paz. Os pobres burrinhos não podem ser responsabilizados pelos nossos teimosos erros humanos. Demasiadamente humanos.

[iv] Ouvi, faz pouco, a entrevista concedida pelo senhor Ivar Schmidt ao programa Vide Versus da Rádio Vox a respeito da mobilização dos caminhoneiros, sobre a forma truculenta e autoritária que o governo comuno-petista vem tratando-os e, naturalmente, sobre o fortíssimo apoio que a sociedade brasileira vem lhes dando nesta luta pela defesa da Republica da Terra de Vera Cruz.

Recomendo, vivamente, a audiência da referida entrevista, porém, gostaria de destacar dois pontos ditos pelo entrevistado que, pessoalmente, considero emblemáticos.

Primeiro: que eles não são representados por nenhum sindicado, associação ou federação. Que essas entidades representam os interesses do governo comuno-petista e não da categoria que essas organizações dizem representar. Ora, uma verdade cristalina como um claro dia de verão: a CUT, e seus asseclas, é o braço sindical do PT. Todos sabem disso, mas nem todos tem a coragem de reconhecer o óbvio ululante.

Segundo: próximo ao final da entrevista, o senhor  Ivar Schmidt pediu a toda a população desculpas pelos transtornos gerados. Ele pediu perdão se, porventura, alguma pessoa estiver passando necessidade por causa da luta dos caminhoneiros, mas eles não podem recuar.

Ora, diante das inúmeras mostras de covardia que esse desgoverno vem nos mostrando, eis que uma pessoa, um humilde e anônimo trabalhador, ensinou a todas as lideranças o que significa dignidade e, principalmente, estão dando mostras do que é um coração valente de fato.

[v] O governo brasileiro, digo, o governo comuno-petista que encontra-se à frente da república de Vera Cruz (Brasil), acha linda a ditadura bolivariana que está a esfolar o povo da Venezuela, considera exemplar a ditadura Castro-comunista que flagela o povo cubado, reconhece os narco-guerrilheiros das FARC como um movimento político legítimo que a décadas apenas espalha terror ao povo colombiano e cocaína em nossas ruas, solidariza-se com inúmeras ditaduras sanguinárias que espoliam o sofrido povo da África, porém, ao que tudo indica, esse governo supostamente democrático, não considera, nem reconhece como legítimo as súplicas e, nem de longe, se solidariza com o povo que ele diz representar, mas que, de maneira indisfarçável, recusa-lhe a respeitabilidade elementar que lhe é devida.

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Olavo de Carvalho - Comentários sobre a literatura no Brasil

DIÁRIO DE CLASSE – parte X

Por Dartagnan da Silva Zanela


[i] É comum ouvirmos um e outro sujeito afirmar que a verdade não existe, que tudo é relativo, que todo ponto de vista não passa da vista dum ponto. Pois bem, mas o que há entre um e outro ponto? A realidade e, consequentemente, a verdade, que não pertence nem a um, nem a outro e que, aliás, independe da existência de ambos.

É claro que sempre há aqueles que dirão, para legitimar a relatividade de tudo, que é impossível captar a totalidade da realidade e, por isso, tudo seria relativo. Não mesmo. O fato de nós não sermos capazes que captar a totalidade do real sinaliza apenas que nossa capacidade de captá-lo é limitada e relativa, não que ele o seja.

Enfim, concluir que a verdade é relativa simplesmente porque não somos capazes de chamá-la de nossa, em sua inteireza, é o mesmo que acreditarmos que Jennifer Lopez é relativamente bela só porque não podemos furtar-lhe um beijo. Seja como for, tanto nesse caso ou frente as observações feitas anteriormente, o melhor seria revermos nosso relativo ponto de vista que negar o óbvio ululante: que a verdade é absolutamente maior que nossa relativa capacidade e vontade de conhecê-la.

[ii] Se um sujeito insistir muito, mas muito mesmo, em dizer que a verdade não existe, ou que ela é relativa, faça o seguinte: dê-lhe um bom pé no ouvido. Isso mesmo! E o faça por pura caridade. Se ele olhar pra você com os olhos vertendo sangue de raiva e lhe perguntar porque você bateu nele, responda, com angelical candura, o seguinte: bater? Eu não lhe bati não. Isso foi apenas um carinhoso afago. Isso mesmo! Conforme você disse, se tudo é relativo, meu safanão brucutu, no seu ponto de vista, no meu não passa dum afetuoso carinho.

[iii] É de fundamental importância que compreendamos que antes de falarmos ou realizarmos algo, é necessário que nos preparemos devotamente para tanto. Um grande profissional do esporte não nasce da noite pro dia, por exemplo. Ele pode até ter, e muitas vezes o tem, um talento inato para o borogodó, porém, se esse talento não for devidamente lapidado, definha, morrendo sem ao menos quebrar a casca.

O mesmo vale para todos os jovens que estão atracados em seus estudos. Esse é um momento de preparação, de recolhimento para, num futuro não muito distante, mostrar a todos ao que veio.

Por essas e outras que o embaixador J. O. de Meira Penna, em seu livro “O Brasil na idade da razão”, dizia que ele confiava muito mais nos jovens que mantem-se silenciosos, preparando-se para servir à sociedade, do que naquela multidão barulhenta que acredita que com sua impostura [depre]cívica estaria, entre uma borracheira e outra, construindo um mundo melhor.

[iv] Uma sociedade razoavelmente melhor se constrói com sacrifício e trabalho, não com gritos histéricos e beicinhos de militontos amestrados em resposta aos apelos de seu adestrador mor.

[v] Qual é o significado duma derrota? Qual é a importância duma determinada vitória? Essas duas perguntas são fundamentais, desde que se tenha um projeto de poder para ser realizado em médio e longo prazo. No correr de sua execução, as estratégias mudam, conforme a avaliação da conjuntura, para a realização da finalidade almejada. Porém, caso tal plano inexista, tais perguntas não fazem muito sentido.

[vi] Estrategistas traçam suas ações com vistas a realização dum objetivo. As estratégias e ações, com o correr do tempo podem até metamorfosear-se da água para o vinho; o intento final não. Oportunistas de ocasião, por sua deixa, são incapazes de compreender e reagir aos planos dum grupo político que sabe o que deseja, haja vista que eles não conseguem pensar para além das mesquinharias correntes que levam, no máximo, a uma virtual vitória numa eleição.

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DIÁRIO DE CLASSE – parte IX

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Verdade seja dita: dialogar é preciso. Dialogar, não jogar conversa fiada pra boi dormir. Capcioso detalhe: o pior é que nem sempre o bicho dorme.

Trololós à, sobre esse ponto, o tal do dialogar, o filósofo judeu Martim Buber era categórico chamando nossa atenção para o que o mesmo denominava como sendo um diálogo dialógico e um diálogo monológico.

O primeiro seria simplesmente uma conversa franca e transparente entre um EU e um TU. Um diálogo onde ocorre uma abertura do sujeito cognoscente para a realidade, para o ser. Ou seja: da realidade duma pessoa para o ser doutra, ou do ser dum indivíduo para a realidade de Deus, ou dum sujeito consigo mesmo.

No segundo, tal não ocorre. Entre o EU e o TU edifica-se um obstáculo, ou uma série deles, que impede que o sujeito tenha uma clara visão do seu interlocutor, seja ele uma outra pessoa, Deus, ou ele mesmo. Trocando por miúdos: por mais loquaz que seja o figurão ele não tem, como diremos, um interlocutor real, mas sim, apenas um boneco, um espantalho, com quem ele supostamente troca umas figurinhas.

Obviamente, se formos fazer uma avaliação qualitativa de nossos diálogos, tristemente concluiremos que a maioria encontra-se na clave monológica e raríssimos na dialógica. As razões que nos levam a tal situação não são poucas, porém, todas elas podem ser resumidas, em grossos traços, a uma só: a falta de sinceridade. Falta de sinceridade para conosco mesmo, para com o próximo e, consequentemente, para com Deus.

[ii] Com relativa frequência, batemos no peito para defender algo que convencionamos chamar de “nossas opiniões” que, na maioria das vezes, são tão nossas quanto a PETROBRAS.

Na verdade, a maioria inconteste desse palavrório todo que repetimos indevidamente não passa dum estranho que nos habita, que assimilamos levianamente aqui e acolá e que repetimos com a mesma falta de solenidade.

Para não ficarmos assim, divagando, há um exercício mui simples que podemos realizar para sabermos se o que dizemos é realmente algo que nos pertence. Vamos ao exercício: pense a respeito dum tema polêmico e, na sequência, reflita sobre o que você sabe a respeito do mesmo. Feito isso, levante três perguntinhas: (i) De onde tirei essas ideias? Qual é a fonte e de qual natureza ela é? (ii) Através de quem tive acesso a essas informações? (iii) Por fim, quando tive acesso a tudo isso?

Pois é, se não conseguimos fazer esse simplório mapeamento de nossas, tão nossas, opiniões, está mais do que na hora de pararmos com essa pose de sabidão de meia pataca e começarmos a cultivar melhor nossos estudos para que possamos, quem sabe, chamar algum conhecimento de nosso.

[iii] Opinar sobre todo e qualquer assunto é um vício cognitivo caipora e, como todo e qualquer vício, esse também acaba trazendo sérios danos a nossa inteligência.

Primeiro dano (e fiquemos, por hora, apenas nele): se acreditamos que estamos aptos a falar, com relativa autoridade, sobre todo e qualquer assunto sem ter estudado nada com razoável profundidade, dificilmente nos sentiremos impelidos a conhecer qualquer coisa duma forma apropriada.

Se, por um longo tempo, às vezes até por toda uma vida, insistirmos em manter uma pose afetada de especialista sem nunca ter realmente se dedicado ao estudo de nada, nem mesmo prestado a devida atenção nas palavras que não para de sair de nossa boca, é bem possível que progridamos, em marcha acelerada, rumo ao processo contínuo de bestialização voluntário que, gostemos ou não, aprofundará, como nunca se viu antes nesse país, nossa confusão interior e a impropriedade de nosso pretenso conhecimento.

[iv] A forma como utilizamos uma palavra diz muito a respeito de nós mesmos, do amor que temos pela procura da verdade ou da forma como idolatramos o nosso ego que insiste em deformar a realidade de acordo com a nossa confusa vontade.

Um bom exemplo encontra-se no uso da palavra amor. No confuso e disforme uso que se dá a dita palavra.

Para boa parte dos indivíduos da sociedade modernosa qualquer forma de comichão, toda e qualquer espécie de friozinho na barriga é sinônimo de amor, sem variação alguma de substância.

O Papa Emérito Bento XVI, ciente desse estado de coisas, dedicou a sua primeira Encíclica, DEUS CARITAS EST, a tão urgente e espinhoso tema. Carta essa que bem provavelmente foi “tolerantemente” desprezada pela turmada que gosta de falar no tal do amor, mas que, deveria ser amorosamente lida por todos, especialmente por eles.

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DIÁRIO DE CLASSE – parte VIII

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Discutir, trocar umas ideias, é bom? Nem sempre. Tudo depende da intenção que nos motiva a entrar numa discussão e com quem iremos realizar o brique.

Se você for uma pessoa razoavelmente séria, e se seu contendor também for, com toda certeza, a proza será bem proveitosa para ambas as partes. Se ambos querem conhecer, partilhar o que sabem, e estão mergulhados nesse intento com uma profunda sinceridade, bons frutos poderão ser colhidos.

Entretanto, como ocorre na maioria dos casos, se um dos interlocutores for um embromador de carteirinha que apenas está preocupado com a sua pose postiça de sabido, abandone de imediato porque, sinceramente, será apenas uma perda de tempo a mais em sua vida.

Enfim, não caia nessa esparrela de discutir por esporte. Esse negócio de querer discutir tudo, o tempo todo, com qualquer um não passa dum impulso vaidoso boboca que apenas emburrece. Detalhe: com o tempo, não haverá trejeitos de sabidão afetado que disfarcem a decadência adquirida com essa prática vil. Ponto.

[ii] Há uma passagem do Evangelho segundo São Matheus que nos diz que o coração de um homem encontra-se onde está o seu tesouro. Essas pias palavras nos apresentam uma singular pedra de toque para compreendermos a nossa degradadamente condição humana, para refletirmos sobre o caráter que dá forma a nossa personalidade.

Em resumidas contas, a passagem bíblica sugere a cada um de nós para que atinemos nosso entendimento para o seguinte: um amante inveterado de prazeres momentâneos dificilmente compreenderá a seriedade dos compromissos cívicos que todo ser humano adulto deve assumir para com os seus iguais e desiguais, para com sua pátria e para com Deus.

Seguindo por essa vereda, compreende-se porque um indivíduo que presa demasiadamente pela sua integridade física dificilmente compreenderá o destemor dum  Sócrates, que recusa-se a negar a procura abnegada pela sabedoria em favor da preservação de sua vida, nem a coragem dum Simón Bolívar em sua luta idealista, nem mesmo a pujança que movia aventureiros como Vasco da Gama que enfrentaram as fronteiras do desconhecido, presentes nos bravios mares. 

Enfim, apenas compreende-se e admira-se os tesouros que cabem na largueza, ou estreiteza, de nosso coração.

[iii] O Papa Francisco, recentemente, numa de suas mensagens aos fiéis, e a todos aqueles que estiverem disposto a ouvi-lo, disse: “Senhor, dai-nos a graça de nos sentirmos pecadores”.

Sentir se culpado é uma das grandes dádivas que nos foram dadas pelos céus. Reconhecer-se maculado pelo pecado é admitir as acusações auferidas pela nossa consciência, onde o olhar de Deus nos lembra de nossa pequenez, apesar de, muitas vezes, crermos tolamente que somos criatura impolutas e autossuficientes.

Uma pessoa que não se sente culpada, que almeja um dia viver sem culpa alguma, não mais é um ser humano. É apenas uma besta vulgar que imagina que tudo o que há em seu entorno existe para sua satisfação.

Por isso, repitamos com o Santo Padre: “Senhor, dai-nos a graça de nos sentirmos pecadores” para, deste modo, elevarmo-nos em espírito e verdade e realizarmos dignamente nossa humanidade, porque sem arrependimento não há conversão.

[iv] Errar é humano. Todo mundo sabe disso. Também todos sabem que errar e negar-se a reconhecer a responsabilidade pelos seus atos é criancice da brava. Agora, errar, errar e errar, não assumir a culpa pelos malfeitos e ainda colocar na conta dos outros é canalhice sem cura.

[v] Um dia o Governo cai,/ esparramando-se todo pelo chão,/ aí pacutia gritará ai, ai ai ai,/ para o regozijo geral da nação.

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[vídeo] Olavo de Carvalho e seus "debatedores" científicos

DIÁRIO DE CLASSE – parte VII

Por Dartagnan da Silva Zanela

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[i] Cansei-me das palavras que não se cansam de  ficar circulando aqui e acolá, porque os atos que transitam pelos mesmos caminhos já me disseram tudo o que eu preciso saber.

[ii] Não são necessárias palavras para reconhecermos um canalha e sabermos se ele está mentindo ou não. Basta apenas que observemos atentamente o olhar do biltre, ou a maneira como o mesmo esquiva-o, para que ele nos conte tudo o que precisamos saber sobre o seu caráter sem que, necessariamente, ele abra a boca para dizer uma única mentira.

[iii] Dizer que está na luta soa bonito. Dá aquele ar de destemor estilo Clint Eastwood. Bacana mesmo, porém, toda a belezura descamba quando associa-se a dita luta com a figura dum psicopata como o Che Guevara, pois, das duas uma: ou você é um estúpido facilmente influenciável sendo utilizado como massa de manobra por aqueles que idolatram esse monstro, ou você é um desses idólatras. Infelizmente, não há meio termo.

[iv] Militonto é uma criaturinha engraçada mesmo. Os fulanos odeiam visceralmente tudo o que os seus coleguinhas (e 'mestres') dizem que deve ser odiado e, por odiarem com fidelidade as suas ilusões ideológicas, e com uma obediência canina aos seus pares que incansavelmente repetem a mesma patacoada ideológica, eles acreditam piamente que sabem tudo, tudinho, a respeito de seus 'adversários'.

Por isso, torna-se compreensível porque eles são tão obtusos. Ora, quando recomenda-se a esses indivíduos desindividualizados que, para eles saberem algo sobre esse ou aquele autor, ou sobre certos problemas, eles deveria ler determinados livros, os caiporas, rapidamente, dizem: “eu não preciso ler essas coisas pra saber que ele é um direitista, neoliberal, reacionário, retrógrado, preconceituoso, conservador e o caramba à quatro”. E falam isso com aquela empáfia pseudointelectual que chega azedar o cheque do leite.

Pois é, cabeça de militonto é assim mesmo, não importa a idade: imaginam que odiar quem o mestre e o amiguinhos mandam seja sinônimo de conhecer. De conhecimento crítico. Não é à toa que o Brasil está do jeito que está.

[v] Quer saber duma coisa: que cada um defenda a causa que bem entender. A manifestação da vontade é da responsabilidade de cada um. O juízo de consciência também. Porém, lembre-se: nunca, nunca mesmo, coloque suas convicções políticas e ideológicas acima da verdade porque isso, queira ou não, é estupidez pura e simples. E o é não porque estou dizendo. São as consequências dessa inversão que não se cansam de dizer, mesmo que nos recusemos a ouvi-las e, principalmente, a reconhecê-las como fruto de nossas escolhas.

[vi] Uma fala recorrente em todos os corredores e cantos, vielas e becos, é a de que vivemos atarantados, sem tempo pra nada, que estamos sendo sufocados, sádica e lentamente, pela sociedade hodierna. Que triste. Tudo culpa do sistema.

Pois é, pode até ser, porém, se assim vivemos é, em boa parte, porque desperdiçamos o nosso tempo com futilidades sem valor. E como desperdiçamos.

Calma! Não entremos em pânico que eu já me explico. Vamos supor que viveremos até os oitenta anos de idade (considerando a possível margem de erro). Bem, dos vinte aos oitenta teremos 530.000 horas de vida. Até nos aposentarmos teremos trabalhado, aproximadamente, de setenta a oitenta mil horas (mais ou menos mil e setecentas, duas mil horas por ano). Vamos supor que nós necessitemos de dez horas por dia para dormirmos e cuidarmos daquelas coisinhas básicas. Desse modo, teremos utilizado nisso algo em torno de duzentas e trinta mil horas e, no frigir dos ovos, ainda nos sobram duzentas e trinta mil horas ociosas que, inevitavelmente, são gastas em algo, mas em que?

Detalhe: dos oito anos de idade até os vinte nós tivemos ao nosso dispor cento e cinco mil horas. E essas horas, cara pálida, foram bem ou mal vividas?

Enfim, hoje, mais do que em qualquer outra época, tempo é questão de gosto, gostemos ou não de ouvir isso.

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