Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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NÃO É DISSO QUE O BRASIL PRECISA


(i)
O SER HUMANO NÃO É MAU por natureza, nem bom. Nada disso. No fundo, somos apenas indivíduos com anseios mesquinhos e com sonhos medíocres e, por isso mesmo, acabamos sendo facilmente influenciados por qualquer sujeito que esteja minimamente acima da reinante mendacidade das massas.

(ii)
O BRASIL NÃO CARECE de um grande plano de salvação nacional. O Brasil precisa, urgentemente, de pessoas humanamente qualificadas para fazer alguma coisa com suas próprias vidas que não seja, com o perdão da palavra, uma majestosa merda.

Em resumo, o nosso país continuará perdido e atrapalhado feito cachorro correndo atrás do seu próprio rabo se nós, individualmente, continuarmos a agir feito um pulguento que caiu do caminhão de mudança.


(*) Professor, caipira, escrevinhador e bebedor inveterado de café.

E NÃO ADIANTA REINAR NÃO



ALGO PODE SER TIDO COMO VERDADEIRO ou falso, bom ou ruim, justo ou injusto, não por causa da convicção ideológica que tenhamos sobre isso e aquilo, muito menos pela posição política que defendamos aqui e acolá, mas sim e fundamentalmente, apesar dessas coisinhas.

Toda vez que emitimos juízos sobre a realidade deste ou daquele fato, guiando-nos unicamente com esses tipos de tranqueiras, ideologias e seus carrapatos, invariavelmente acabamos caindo vergonhosamente do cavalo da razão com as ventas no chão.

Ou simplesmente caímos sem corar de vergonha, pois, como todo mundo sabe, em regra, a vergonha na cara se esgota e seca bem rapidinho quanto colocamos uma ideologia no lugar da inteligência e transformamos uma opção política mequetrefe numa tábua de (des)orientação moral.

Enfim, por definição, a realidade de qualquer coisa sempre foi, e sempre será, muitíssimo maior e mais complexa que o reducionismo de qualquer ideologia, inclusive e principalmente, a própria realidade desse tipo de trem fuçado, que é uma ideologia, que tantas pessoas tratam com afagos e pão de ló.


Por incrível que pareça, nenhuma ideologia cabe dentro de seus próprios esquemas reducionistas. Nenhuma. E não adiante reinar.

ABOLINDO O BOM SENSO


UMA INJUSTIÇA COMETIDA NÃO PODE SER reparada com a realização de outra injustiça. Uma infâmia perpetrada contra um inocente jamais será reparada com a realização duma outra ignomínia contra uma outra pessoa. Um mal sofrido amargamente jamais será extirpado praticando-se o mal indiscriminadamente.

Todavia e, infelizmente, esse nefasto ciclo vicioso impera no coração e na mente de muitos e é tido, por esses indivíduos, na conta duma atitude cidadã digna de respeito.


Enfim, não é à toa que estamos, a cada dia que passa, mais e mais semelhantes a um grande manicômio dirigido por lunáticos democrática e criticamente constituídos que, numa assembleia de inconscientes e inconsequentes, resolveram abolir de vez a razão e o bom senso.

(*) Professor, caipira, escrevinhador e bebedor inveterado de café.

COISAS DA NOSSA TRISTE NAÇÃO



TODA VEZ QUE, POR DESCUIDO, presto a indevida atenção aos produtos da cultura midiática e que me defronto com os assuntos que são celebrados pelo sistema educacional brasileiro atual, acabo tendo a clara impressão de que tanto o primeiro quanto o segundo são a expressão cristalina da lei de Thelema.

A realização do ‘faça tudo o que tu queres, pois essa é toda a lei’, passou a ser a nova palavra de ordem, onde toda e qualquer rabugice é entendida como uma espécie de direito pétreo e que, se não for devidamente atendida, tal desfeita acabará sendo vista como uma afronta contra toda a humanidade.

E é por isso que toda e qualquer insatisfação caprichosa passou, atualmente, a ser vista como uma bandeira política criticamente concebida, tornando o debate político mais cômico do que nunca. Na verdade, tragicômico.

Ora, uma sociedade que celebra tranqueiras desse naipe como sendo a pedra fundamental para edificação de sua vida cívica está condenada a total degradação.


E tem mais uma: afirmar isso não é rogar praga não. É apenas a constatação duma consequência inevitável, duma obviedade ululante que insistentemente nos recusamos a ver, como se, tal recusa, fosse melhorar em alguma coisa a nossa triste nação.

(*) Professor, caipira, escrevinhador e bebedor inveterado de café.

QUANDO A PROSA ACABA



QUANDO A CONFUSÃO É GRANDE DEMAIS, qualquer empreendimento para tentar identificar e responsabilizar o possível, ou suposto, culpado pelo deus-nos-acuda é algo praticamente infrutífero, na maioria dos casos.

Não porque o sistema seja corrupto, ou porque o Estado seja incompetente, ou porque a sociedade seja, em si mesma, má. Não se trata disso.

Em princípio, quem deve tem de pagar. Todavia, o “x” da questão é que todos aqueles que estão envolvidos num determinado furdunço tem lá sua cota de responsabilidade e, muitas vezes, a de um não é menor que a do outro e, por essas e outras que, dum modo geral, as cirandas acusatórias que giram em torno dessa ou daquela pendenga nossa de cada dia, apenas tendem a aumentar cada vez mais, chegando ao ponto do esgotamento de toda e qualquer possibilidade de entendimento e, consequentemente, duma solução minimamente razoável.

Enfim, seja como for, lembremos sempre que quando vizinhos, colegas e amigos não mais são capazes de conversar com franqueza, nós temos uma crise. Agora, quando desafetos, adversários e inimigos não mais são capazes de dialogar, o que temos é uma guerra de todos contra todos prestes a começar.

É isso. Quem viver, verá.

(*) professor, caipira, escrevinhador e bebedor de café.

DUM BAIXÍSSIMO GABARITO



DA MESMA FORMA QUE UMA decisão judicial está longe de ser um mandamento divino, os feitos e desatinos de movimentos supostamente sociais não são, nem aqui, nem acolá, uma espécie de imperativo categórico. E, justamente, por ignoramos isso, que o Brasil, cada vez mais, se parece com uma casa de tolerância de baixíssimo gabarito.


professor, caipira, escrevinhador e bebedor inveterado de café.