Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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ESTUPIDIFICAÇÃO COLETIVA


Por Dartagnan da Silva Zanela


PARADOXOS DA COMPANHEIRADA - Há quem diga que aquele que não adere às sandices duma patuleia corporativa seja uma pessoa egoísta que não se preocupa com a tal coletividade. Quem diz isso, apenas repete mais uma patacoada furibunda, um reles slogan comuna furado e nada mais.

Ora, quem diz estar lutando pelos interesses da coletividade, na verdade, na maioria das vezes, está apenas se juntando com a sua patota categorial para sentir-se “cidadã” e disfarçar, mal e porcamente, o seu espírito de rebanho.

Quem acredita que está fazendo algo de dignificante só porque se juntou com pessoas que repetem um amontoado de palavras de ordem vazias, na verdade está apenas preocupado com os interesses dum grupinho muito, muito, restrito da sociedade e que, no fundo, estão pouco se importando com a coletividade maior, que é a própria sociedade.

Enfim, se o caboclo confunde interesses com direitos, se ele imagina que a imagem de sua patota é mais importante que a realidade de toda a sociedade e conjumina, coletivamente, que a defesa dos interesses da turminha seja sinônimo de luta, de defesa dos direitos de toda sociedade, é porque não somente a razoabilidade deixou sua cuca, mas também, e principalmente, a sanidade abandonou a sua alma.

DA CORAGEM DE PAPELÃO - Dar a cara à tapa não é sinônimo de adesão a toda e qualquer balburdia que uma multidão acéfala adere. Isso, na real, é insensatez pura e simples.

Vale lembrar que se deve dar a cara à tapa na defesa de valores fundamentais, principalmente de maneira solitária, sem o conforto gregário que pode ser-nos ofertado pelos pares.

Aliás, exige-se uma boa pitada de coragem moral para enfrentar a mesquinharia diária daqueles que, para sentir-se alguém, fixam na face dos que ousam contrariá-los uma porção de rótulos difamantes.

E assim o é, porque a manada não sabe a diferença abissal que há entre a ousadia grupal e a virtude da coragem. Não é por menos que a multidão de valentes age, frequentemente, de maneira tão covarde.

QUEM AVISA AMIGO É - O perigo de crer estar fazendo a coisa certa, de maneira incerta, é a inevitabilidade certeira de estar irremediavelmente equivocado.

BOBINHO - Se, para sentir-se convicto, você carece da aprovação dos outros, das duas uma: ou você não considerou apropriadamente as suas ditas convicções, ou você nutre muito mais medo dos olhares tortos de seus pares do que amor pelo que diz acreditar e defender.

A NECESSÁRIA SOLIDÃO - É verdade que o homem não se basta a si mesmo. Também é verdade que ele não deve satisfazer-se com qualquer coisa, pois, desse modo, contentando-se com qualquer coisa, acaba-se degradando a nossa humanidade que, diga-se de passagem, não é lá aquelas coisas.

CIDADANIA FECAL - Quando um elemento vem até você, pessoal ou virtualmente, unicamente para jogar em sua cara impropérios, sermões de cueca, desafios bocós e coisas do gênero; esse sujeito porta-se assim não por magnanimidade, mas sim, por ser basicamente um simplório carentão engajado agindo feito um cão vira-latas que defeca na sua frente para chamar a sua atenção e, quem sabe, ganhar um afago ou um safanão. Resumindo: ele quer sua atenção porque acha que tem algo de relevante pra lhe dizer.

Na maioria absoluta das vezes, não recebe nem uma coisa nem outra. Apenas se limpa a calçada que foi marcada pela sua presença fecal e nada mais. Às vezes, nem isso.

Quanto aos chorosos latidos, agudos e incessantes, não se tem o que fazer a não ser tolerá-los, já que ele, como todo mundo, tem o direito de espernear. De mais a mais, não adianta lhe dizer para ir assombrar outro porque ele não apenas não irá, mas virá mais uma vez para o seu lado rosnando, ao mesmo tempo em que faz aquela dissimulada carinha de coitado.

Por isso, desse tipo de gente, distância e desprezo é o remédio mais que recomendado. É indispensável.

BESTAS EM MASSA - O caminho para a verdade é a sinceridade para consigo e para com Aquele que é. Sim, esse é um caminho soturno e solitário, mas não há outro. E, por essas e outras, que não existe força mais alienante na face da terra do que uma multidão bestificada que acredita ser portadora duma verdade; que acredita possuí-la ao mesmo tempo em que jamais a procurou e que, de fato, nunca a desejou.


A CEREJA DUM BOLO INDIGESTO




Por Dartagnan da Silva Zanela

MAGNANIMIDADE PROFESSORAL - Ensina-nos Thomas Mann que o professor deve, necessariamente, ser uma expressão personalizada da consciência do aluno. Goste-se ou não da ideia, o professor é a figura que confirma o mancebo em suas dúvidas, estimulando sempre à procura pela verdade no exercício da curiosidade orientada pela prática duma reflexão serena e abnegada.

O docente deve estimular o infante para que ele almeje ser uma pessoa melhor. Uma pessoa digna, prestativa e, fundamentalmente, boa; ensinando-lhe a disciplinar a sua vontade disciplinando-se.

O mestre deve levar o aluno a considerar os motivos de suas ocasionais insatisfações para que o garoto, com o tempo, torne-se capaz de colocar-se acima de suas dificuldades, jamais permitindo que elas o subjuguem e tolham a consciência de seus deveres e, desse modo, deixe de portar-se como uma criança mimada e passe a agir feito uma pessoa cônscia de suas responsabilidades.

Enfim, é por essas e outras que é uma perda de tempo esperar colher bons frutos onde o educador arroga-se o direito de transgredir, e mesmo aviltar, o seu áureo papel.

ALEIVOSIA POUCA É BOBAGEM - Quando um caboclo cita Paulo Freire, ou refere-se a ele, como sendo uma grande e luminosa referência, pode ter certeza que a bússola moral dele está muitíssimo avariada e que seu mapa intelectual não é capaz de levá-lo um centímetro que seja para além das fronteiras ideologicamente deformadas de seu mundinho rubro umbilical.

De mais a mais, vale lembrar que não dá para esperar grande coisa dum país onde esse sujeito, Paulo Freire, é tido como o patrono nacional da educação. Uma nação, com uma multidão de educadores que idolatram cegamente esse senhor, não pode ser outra coisa senão o reino da rainha de copas. Não tem como endireitar os rumos de nossa educação sem libertarmo-nos desse incubo mental.

É SÓ QUERER - Se você é um daqueles sujeitinhos politicamente corretíssimos, militonto de carteirinha, presunçosamente crítico e vive credulamente acreditando que está construindo um mundo melhor só porque está fazendo aquela pose de bom-moço, o professor Olavo de Carvalho recomenda que você (eu, você; você e eu) entenda uma só coisinha. Entenda que: “Todo aquele que não se apresenta diariamente diante do Trono do Altíssimo, com o coração trêmulo de vergonha não só pelos seus próprios pecados mas pelos de todos os seus irmãos, consciente de que, em face da perfeição e da onissapiência divinas, cada um dos seus atos foi errado, mesmo aqueles que sua vaidade considerou os melhores, e sentindo até o fundo da alma que o Perdão é o único bem valioso a ser ambicionado, -- esse nunca saberá o que é sinceridade, nem muito menos honestidade”.
  
REVOLUCIONÁRIOS E MILITONTOS - A maioria absoluta dos militontos não “milita” por convicção. Não mesmo. Não se é idiota por convicção, mas sim por adesão. Assente a isso ou aquilo por achar "bonito". O militonto imagina que se estiver defendendo essa ou aquela fanfarronice supostamente crítica (critica e historicamente estúpida) estará demonstrando o quanto é bonzinho sem precisar sê-lo. No fundo ele é um bom instrumento nas mãos de revolucionários de meia pataca. Um reles idiota útil, bem útil, nas mãos daqueles que não medem esforços para manter e ampliar o rubro projeto criminoso de poder. Bastaria que o caboclo parasse um pouco e pensa-se no que ele está fazendo; mas isso, pensar, para um militonto, é uma missão praticamente impossível, não é mesmo?

PARA ENCONTRAR UM BOM PRUMO


Por Dartagnan da Silva Zanela


UM CONGRESSO ANEDÓTICO - Não querendo ser chato, mas já o sendo, confesso que às vezes me cansa ter de ouvir aquela horda de aduladores, elegantemente vestidos, tecendo louvores imerecidos a fulano ou beltrano. Um verdadeiro teatro de horrores.

Não que elogios sejam dispensáveis na vida humana. Não é isso. O que cansa os ouvidos de qualquer um, o que turva a vista e acabrunha a alma de qualquer cidadão, são as bajulações exageradas desse circo burlesco que é o nosso Parlamento que vive a encenar a mais cínica das piadas diante de toda a nação.

NEGAMOS - Preferimos a vaidade à verdade. Podemos até afirmar o contrário, com os pés juntos, mas nossas atitudes confessam o oposto de nossas palavras. E assim, levianamente, seguimos negando a nossa vida com o nosso tosco jeito de viver vaidosamente.

GAME OVER - Se o senhor Álvaro Dias é o melhor senador de nossa bananesca república; se ele é tido como a voz mais respeitada da oposição no senado desse triste país, o projeto de poder do PT não tem mais nada que temer. Nadica de nada. Não precisamos mais disfarçar não.

OPOSIÇÃO DE PAPELÃO - A sabedoria maquiavélica reza que se não podermos vencer o nosso inimigo devemos nos juntar a ele. A prática de tal conselho atesta que quando nos juntamos ao nosso inimigo, imaginando que seremos tratados por ele com a mesma deferência que lhe prestamos, acabamos sim, nos reduzindo a condição dum vil serviçal, colocando-nos na condição humilhante que ele sempre desejou nos impor. E é isso o que o Foro de São Paulo fez com todos os seus impotentes opositores. Opositores esses que, de maneira ridícula, acham que estão fazendo grande coisa agindo feito rasteiros lacaios. Enfim, por essas e outras que Maquiavel, em muitos aspectos, sempre me pareceu um bobão, tal qual nossa “oposição”.

TODOS SABEM, MENOS ELES - Vida é luta, um combate incessante. Todos sabem disso. Até as pedras cantam essa velha cantiga. Porém, as ditas vozes da oposição não concordam com isso não. Para eles, viver é portar-se como um pulha numa aleivosia incessante. Até as paredes do congresso sabem disso e tristemente coram por eles, já que a tal da vergonha faz muito que abandonou boa parte de nossos congressistas.

MASSA DE MANOBRA - Você sabe qual a diferença dum idiota qualquer para um idiota útil? O primeiro é o que é: um tonto fechado em si mesmo. O segundo, além disso, é usado por terceiros para realização dum plano que o bobinho desconhece e ignora, mas o realiza, copiosamente, comprando brigas com todos, mesmo sem saber claramente o que está fazendo e porque está brigando. Aliás, ele imagina saber o que está fazendo e porque está semeando a cizânia aqui e ali, mas, no fundo, não sabe de nada. Nem quando é dia.

MISÉRIA PURA - Adulação é uma forma covarde de mentira. A calúnia também não fica pra trás nesse quesito e, a prática de ambas, revela de maneira cristalina o quão medíocres são os seus indecorosos praticantes.

DIREITO UMBILICAL-CORPORATIVO - O que determina uma ação é a finalidade que se pretende realizar. O que qualifica a finalidade a ser alcançada são os meios empregados nesse intento. Quando há excelência nos meios, esses elevam mais e mais a longanimidade dos fins. Porém, se os meios utilizados são escusos, toda a ação encontrar-se-á desmoralizada, porque eles desabonaram os fins, por mais nobres que eles sejam. Agora, se o fim a ser atingido for tão escuso quanto os meios, num curto prazo de tempo, a fantasia de honorabilidade cai, revelando a indisfarçável baixeza da ação desencadeada.


PARA ENCONTRAR UM BOM PRUMO

Por Dartagnan da Silva Zanela


CUIDADO - Todo canalha é boa gente, desde que esteja satisfeito. Agora, se ele estiver carecendo de algo, que considere seu por direito, prepare-se! Prepare-se porque ele irá revelar toda a vileza que há em seu coração.

QUE VERGONHA DO COMPADRE - Mais deprimente que ver uma multidão entregar-se ao vitimismo hipócrita, é termos de testemunhar um sujeito fazendo-se de coitadinho para cativar a afeição daqueles que o odeiam. É difícil dizer o que é mais ridículo. Aliás, o que não é ridículo nos dias de hoje?

COITADISMO - Sei que é perda de tempo, mas vale a pena lembrar: humilhação fingida e, bem como, vitimismo histriônico, não dignificam ninguém, por mais que você acredite nisso.

PAREM TUDO - Uma pessoa que fica remoendo sua raiva, lamentando seus problemas e culpando terceiros por tudo que lhe afeta, merece sim nossa misericórdia, mas jamais nossa admiração, por mais "críticos" que sejam seus gritos. Lamber feridas e entoar lamúrias aos quatro ventos, não são qualidades nem num cão. Quem o diga num dito cidadão.

SEM EXCLAMAÇÃO - Não sou dinheiro para arrancar sorrisos de todo mundo, muito menos alcoviteiro para querer impressionar meia-dúzia de canalhas. Recuso-me, terminantemente, a vergar a cabeça para intrigantes servis ou para dissimulados irresponsáveis.

ENTRE A SOMBRA E A LUZ - O que ensinamos por meio de nossos gestos é algo muito mais presente do que tudo aquilo que falamos com a intenção de ensinar. Na maior parte dos casos, o que dizemos encontra-se num cambaleante descompasso com os nossos atos. Nessa contradição, algumas vezes gritante, outras tantas sutil, revela-se toda a verdade subjacente às nossas intenções.

ENGANE-SE QUE EU GOSTO - Quem realmente gosta de ler? Não minta. Faz quanto tempo que você não deita as vistas nas páginas dum bom livro (ou e-book)? Há quantas luas os teus olhos não se banham em outra coisa que não seja um amontoado de rabiscos chinfrins como esse? A quem, além de si mesmo, você imagina enganar com essa posse de sabidinho? Pois é...

PERDEMOS O RUMO - Atos têm consequências. Ideias também. No caso das primeiras, se as implicações não são evidentes de imediato, logo se tornam. Quanto as segundas, não. Porém, os seus efeitos são muito mais devastadores e duradouros.

E mais! Todos nós conhecemos uma boa porção de pessoas que pediram perdão por seus atos errôneos. Já as pessoas que pedem escusas pelas ideias equivocadas que propuseram e defenderam são raras, pra não dizer inexistentes.

E assim o é, porque não há nada mais estupidificante na face da terra do que a idolatria duma ideia e de seu proponente. Nesses casos, os indivíduos jamais procuram refletir sobre as consequências delas. Nem mesmo sobre elas. Apenas as idolatram falando até pelos cotovelos sobre as ditas cujas.

Enfim, no dia em que ocorrer uma clara e sincera reflexão sobre as sandices (pressupostos filosóficos, teóricos e metodológicos) que norteiam a educação em nosso país, aí, quem sabe, poderemos reescrever os rumos de nossa nação. Quer dizer: se já não for tarde de mais pra isso.

NÃO DEIXE DE LER - Sei que, em nosso país, recomendar a leitura dum livro é um pecado imperdoável, mas como eu sou um danado mesmo, me dou ao luxo de lambuzar-me nessa iniquidade. Sugiro, vivamente, que deitemos as vistas no livro “Os intelectuais e a sociedade” de Thomas Sowell, uma obra fundamental para compreendermos porque os intelectuais modernos são pessoas tão perigosas quanto cínicas. Trabalho esse que nos auxiliará, e muito, para vermos o que há por trás de toda aquela pose afetada de cidadãozinho crítico e bonzinho que eles se esforçam tanto para sustentar. Algo que, como diz o autor, exige de nós um estômago bem forte. Enfim, leia.

NO FRIGIR DOS OVOS - Essa gente que vive revoltadinha, que pensa que tal impostura seja uma excelsa profissão; no fundo, bem lá no fundo, não está à procura de respeito não. O que querem mesmo é ser aduladas. É uma questão de estima profundamente mal resolvida. Praticamente sem solução.


PELEGO DE BORREGO VERMELHO


Por Dartagnan da Silva Zanela


LETRA MORTA - As palavras são dádivas celestiais; especialmente a palavra escrita e, por isso, elas devem ser usadas para corporificar pensamentos que inspirem ações que nos libertem de nossa animalidade latente e de nossa banalidade contingente. Agora, quando as palavras são utilizadas como a um reles invólucro, socialmente aceitável, de opiniões parvas que reafirmam nossa tonteria, tornamo-nos apenas um tosco partícipe duma assembléia de inconscientes inconsequentes que ao invés de vivificar, mata a nossa dignidade.

DOR DE CABEÇA - Quem, de fato, se aferra na ingrata labuta de refletir sobre as idas e vindas da vida em sociedade sabe muito bem que deve, diuturnamente, viver e conviver com contradições. Os idiotas, ao contrário, imaginam que seus atos e palavras são sempre o supra-sumo da coerência. Pois é, a coerência duma multitude de incertas e indisfarçadas besteiras.

PEDRA DE TOQUE - Joaquim Nabuco nos ensina que é aos nossos filhos que pagamos a nossa dívida para com os nossos pais. É para com a geração presente que devemos pagar o débito que temos para com as gerações que nos antecederam. Todavia, para reconhecermos o pagamento de uma dívida, é necessário que sejamos gratos e generosos e que não aceitemos ser carcomidos pela mesquinharia e pelo rancor.

TACANHA CIDADANIA - Georges Bernanos, diz-nos que: “[...] ninguém é consolado, sem que tenha primeiro consolado outros; que nada recebemos, sem que primeiro tenhamos dado.” Talvez, imagino eu, esteja aí a raiz dos descaminhos que nossa sociedade tomou. Fomos deseducados de maneira brutal e passamos a crer que tudo nos é devido, que somos merecedores de toda e qualquer dádiva e gracejo (os tais direitos), sem que, necessariamente, tenhamos dado a nossa contribuição de maneira generosa e abundante. Não é por menos que as atitudes mais tacanhas hoje sejam vistas como signo de cidadania e, penso eu, está mais do que na hora de virarmos essa lúgubre página de nossa história. Ponto.

TADINHOS - Uma pessoa compromissada não é quem exige tudo de outrem, mas sim, aquele que está disposto a doar-se sem exigências prévias e sem lamúrias. Quem vive fazendo-se de coitadinho, de vítima disso ou daquilo, não quer saber de compromisso com nada e com ninguém. Esse tipo de gente quer apenas que façam por eles aquilo que eles não são capazes de fazer por si e muito menos pelos outros e, por isso, são tão revoltadinhos. Tadinhos.

QUESTÃO DE IMAGINAÇÃO - Tentar imaginar uma pessoa sem defeitos é como querer conceber um indivíduo sem corpo. Não tem como. Porém, se nos esforçarmos para idear um elemento sem caráter que, por todos os meios, quer disfarçar a sua canalhice com toda ordem de sandices ideológicas, na certa, você visualizará em sua mente, um militonto.

CIDADANITE CRÔNICA - Sempre quando ouço uma multidão gritar, histericamente, que está lutando por seus direitos, invariavelmente, vem a minha mente a imagem duma criança marota fazendo beicinho dizendo que quer, imediatamente, o seu danoninho.

SEM NOÇÃO - Quando solicitamos algo sem um mínimo de razoabilidade, nosso pedido perde a sua legitimidade. E assim o é porque ele simplesmente se tornou uma exigência desequilibrada dum privilégio miúdo, não mais a reparação dum direito.

DESNORTEADO – Somos críticos o bastante para lutarmos por isso e por aquilo; críticos o suficiente para odiarmos esse ou aquele em nome de algo que consideramos nosso direito, porém, não somos razoáveis o bastante para amarmos verdadeiramente algo que é o nosso dever. Na verdade, desconhecemos o significado da palavra amor, não sabemos o que é o tal direito, desprezamos o que venha a ser a dita razoabilidade e ignoramos o significado do famigerado dever.


RAPADURA É DOCE, MAS NÃO É MOLE


Por Dartagnan da Silva Zanela


O ESPINHEIRO - Sejam figuras históricas ou ficcionais, aprecio muito histórias que narram os feitos, venturas e desventuras de heróis. Figuras sacras, sapienciais, belicosas, mitológicas, lideranças políticas, cada uma à sua maneira tem alguma lição profundamente humana a nos ensinar com sua vida vivida. Em comum a todos essas distintas figuras, há um ponto: não há nenhuma figura heroificada na história da humanidade, nem na literatura, que seja reconhecida como herói por se fazer de coitadinho ou por manter uma pose de vítima. Aliás, ser um herói é o contrário disso.

UMA PEDRA NO SAPATO – Toda sociedade que cultivar a procura desenfreada por direitos estará fadada ao fracasso, pois ela encontrar-se-á incapacitada para resistir a qualquer dificuldade. Assim nos ensina o grande escritor russo Alexander Soljenitsin. E o mesmo ainda nos lembra que se não formos capazes de impor um freio moral a nós mesmos, se considerarmos legítima toda e qualquer exigência que nos der na ventana; sem nos darmos conta, estaremos abrindo as portas para a dominação de um poder totalitário. Por isso, deixe de frescura e reflita, seriamente, sobre o significado de seus queixumes (depre)cívicos.

CUIDADO COM OS MAGOADOS - Mantenha distância de pessoas ofendidinhas. Não porque elas sejam de temperamento sensível. Não por isso. Na verdade são sujeitos dissimulados, vingativos e incapazes de avaliar qualquer coisa fora de seu espectro cívico-umbilical.

COLUNA DA EDUCAÇÃO - Onde não há bom-senso, onde o abnegado senso de dever não encontra morada a dignidade não habita e, inevitavelmente, o contrario da educação se cultiva.

ALTARES DE LAMA - A inteligência, na sociedade brasileira, diariamente é imolada e martirizada no altar da hipocrisia marxista, ao lado do patíbulo da covardia dos inconsequentes.

DEFORMIDADE COLETIVA - A forma mais decantada de imbecilização voluntária que já inventaram é a fúria coletiva dissimulando indignação corporativa. Com seu teatrinho bufo, a turba esforça-se por ocultar a soma das covardias individuais inconfessas daqueles que integram a massa sem perceberem o papel vexaminoso que estão encenando.

OURO DE TOLO - Democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo, sob o império da lei. Agora o governo das massas, pelos interesses de facções corporativas, para a realização dum projeto de poder dum grupelho sob o império da vontade geral chama-se oclocracia. Confundir a primeira com a segunda é um claro sinal de malícia com o intento de fazer uso de parcela da população para a realização de fins políticos que as pessoas, em grande medida, ignoram. E é isso, bem isso, o que as esquerdas fazem sistematicamente em nosso país. Só não vê quem não quer.

A DIGNIDADE DO DEVER - Todo aquele que realmente deseja dedicar a sua vida ao magistério deve, necessariamente, abdicar de todo e qualquer sentimento de vitimismo, de coitadismo e de rancor miúdo. Fundamentalmente, para viver essa vocação, deve-se ter um profundo senso aristocrático para nobremente realizar a missão que lhe será colocada sobre seus ombros. Exercer essa vocação como uma reles profissão, sem o cultivo honroso desse senso, é a causa primeira de todo o aviltamento que hoje impera e corrói a educação contemporânea.

ALHOS E BUGALHOS - A honra é algo que se manifesta em gestos individuais, solitários e abnegados que, muitas vezes, são incompreendidos pela turba. Massas disformes, controladas e guiadas por interesses corporativistas, apenas envilecem o que há de mais valoroso na humanidade. Não há honra no que fazem. Não compreender essa equação moral simples apenas sinaliza a torpeza que está indisfarçada e subjacente a toda e qualquer posse postiça de cidadão indignado que histericamente crê que interesses corporativistas sejam os interesses de toda a sociedade.


NADA DE ASPAS NESSA HISTORIETA

Por Dartagnan da Silva Zanela


DIRETO NO FÍGADO (i) - Quando você bate o pé, chora, e faz nhenhenhém para ser respeitado por outrem não é porque você, necessariamente, mereça a deferência exigida de maneira tão pueril. Ao contrário. Possivelmente está sinalizando, com esse gesto, que todo o respeito que nos é facultado não nos é devido.

DIRETO NO FÍGADO (ii) - Uns clamam para que sua pessoa seja respeitada; outros tantos exigem que certos valores sejam devidamente venerados; e há também aqueles que querem ser reverenciados por considerarem-se representantes desses ou daqueles valores. Diante de toda essa lamúria cívica, vale lembrar: toda pessoa humana deve ser respeitada e, principalmente, dar-se ao respeito; todos os valores devem ser devidamente venerados, desde que sejam realmente dignos disso; e todo aquele que se julga representante de algo reverenciável deve necessariamente elevar-se à altura da dignidade exigida sem querer rebaixá-lo ao nível de sua baixeza inconfessa para, desse modo, dissimular uma grandeza inexistente.

O INDIVÍDUO MORREU (i) - As multidões não apenas devoram o nosso caráter, mas também, e por isso mesmo, corroem nossa inteligência, incapacitando-nos de compreender as mais ululantes obviedades, tamanho o servilismo de nosso limitado entendimento aos ditames ideologicamente delirantes de nossos massificados pares.

O INDIVÍDUO MORREU (ii) – Quando cultivamos, em nosso íntimo, um desejo irascível de estarmos sempre no meio da turba para sentirmo-nos “especiais” é porque, no fundo, não passamos de pessoas miseravelmente medíocres, incapaz de agir dignamente feito gente em nosso dia a dia.

O INDIVÍDUO MORREU (iii) – Para os canalhas, os fins sempre justificam os meios. Os biltres, maquiavelicamente, acreditam que o que eles defendem é tão bom que qualquer coisa que façam os colocará acima do bem e do mal. Uma pessoa razoável pensa de maneira um pouco diferente. Essa sabe que os meios qualificam os fins, porque nada é tão bom que possa justificar qualquer aberração. As pessoas razoáveis sabem que seus direitos têm limites; os infames acreditam histericamente que não ter limite é seu direito.

O INDIVÍDUO MORREU (vi) – O imbecil de carteirinha quando é defrontado com uma reflexão de caráter moral sempre, escorregadiamente, se esquiva da imagem de sua degradante condição apontando para terceiros a responsabilidade que lhe cabe ao mesmo tempo em que se faz de vítima inerme.

O INDIVÍDUO MORREU (v) – O vadio inconfesso sempre consegue encontrar uma boa causa para justificar a vivência sua desídia fundamental.

O INDIVÍDUO MORREU (vi) – Se a literatura foi reduzida a estereótipos, se a música foi diminuída à repetição de chavões, a religião esvaziada de seu sentido original e a educação pervertida numa reles inculcação de preceitos doutrinários rasteiros e estéreis, é impossível que toda e qualquer atividade política não seja escancaradamente corrompida. A alta cultura é a bússola intelectual e moral de um povo. Se essa bússola encontra-se nesse estado, é porque ela está profundamente avariada e, consequentemente, nada de bom pode ser parido no cenário político.

O INDIVÍDUO MORREU (vii) – Na maioria das vezes preferimos as ilusões que nos dão a sensação de grandeza do que as verdades que apresentam nossa real condição. As primeiras nos seduzem e, por isso, facilmente nos rendemos a elas; tamanha é nossa fraqueza. As segundas, por sua natureza, nos educam e, por isso, resistimos tanto às suas evocações; tamanha é nossa rebeldia inconsequente.

O INDIVÍDUO MORREU (viii) – Muitas lições foram-me ensinadas por meus pais. Lições que guardo e cultivo zelosamente no miserável solo de meu peito. Cultivo esse que sempre rendeu-me bons frutos. Desses ensinos, um é-me muito caro. Diziam-me meus pais: antes de exigir algo como sendo seu, por direito, chame para si algo para ser seu dever, sua obrigação. Cumprido o dever auto-impingido o direito será conquistado e reconhecido. E se não o for, a exigência já se encontra justificada moralmente sem carecer de afetação histriônica.

O INDIVÍDUO MORREU (ix) – Podemos pedir, ou exigir, tudo o que quisermos. Podemos, inclusive, imaginar que tal atitude seja toda a lei. Entretanto, vale lembrar que nem tudo convêm ser pedido; outras coisas até é bom que nos sejam negadas e, por fim, nem tudo o que clamamos para nós, com toda força de nossos pulmões, nos é devido, mesmo que custemos a reconhecer isso.