Bem vindo ao blog de Dartagnan da Silva Zanela, Cristão católico por confissão, caipira por convicção, professor por ofício, poeta por teimosia, radialista por insistência, palestrante por zoeira, bebedor de café irredutível e escrevinhador por não ter mais o que fazer.

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O RISO É A MELHOR ARMA




Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
O SILÊNCIO QUE INVADE NOSSA ALMA numa noite solitária tem lá o seu charme, pouco importando qual seja a estação do ano em que nos encontramos com ele. E seu charme permanece a coroar-nos até o momento em que a silente soledade é quebrada, sem a menor cerimônia, por uma companhia – por uma má companhia – tão inesperada quanto indesejada, com sua luminosidade eletrônica manifesta através do brilho duma tela fria, sem vida, com seus inconvenientes sinais sonoros que tem o claro intento de nos inebriar com suas efêmeras ilusões digitais.

(ii)
QUANDO SE AFIRMA QUE O TRABALHO FILOSÓFICO de Judith Butler é um trem lindo de doer é porque se tem uma noção muito caipora do que seja o tal do filosofar, e do que seja a dita cuja da filosofia, ou porque se possui uma desconjuntada compreensão do que seja a tal da boniteza. Das duas, uma. Ou as duas.

(iii)
A GRANDEZA QUE PODERÁ COROAR o amanhã pode muito bem ser parida pelos erros de ontem. Tudo depende do que nós estamos fazendo com os ditos cujos no presente. Depende do que estamos fazendo com o nosso hoje.

(iv)
AQUELES QUE NÃO QUEREM SER conquistados pelo esplendor da verdade acabarão, cedo ou tarde, escravizados pelas sombras do erro e da farsa.


(*) Professor, caipira, escrevinhador e bebedor inveterado de café.

NÃO SOU BOM COM NOMES




Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

PROCURO ESFORÇAR-ME PARA SER UM HOMEM DE FÉ, temente a Deus, confessando a religião que herdei de meus pais, cônscio das limitações inerentes a mim e dos limites que constituem minha herança.

Sei que sou um ser restrito. Sei que que o acumulo de experiências humanas no intento de se reencontrar com Deus tem seus contornos. Sei também que o poder e o amor infinito do Divino não cabem, de jeito algum, em nossa limitadíssima capacidade de compreensão, como também não cabem dentro das fronteiras da criação; por isso, procuro não me esquecer que minha fé, e a religião que herdei, não abarcam a totalidade da realidade e, muito menos, que elas não podem tomar o lugar do fundamento último desta, que é Deus.

Por essas e outras que rio, rio muito e por misericórdia, da tigrada que diz, com a boca cheia de não sei o que, que apenas acredita nisso ou naquilo porque seja suposta e cientificamente provado, ou comprovado, ou demonstrado, ou que tenha remotas evidências de o sê-lo.

Essas pobres almas ignoram que, gostem ou não, a ciência, enquanto via de conhecimento, e principalmente enquanto um reles símbolo de auto afirmação pueril, é tão limitada, se não mais restrita, que qualquer religião ou doutrina sapiencial. Mais limitada, inclusive e principalmente, que a religião Cristã.

Também ignoram, ou não o sabem, ou fingem não saber, que eles também são criaturinhas limitadas e, possivelmente, assim procedem, devido a soberba em que elas encontram-se embebidas que não lhes permite enxergar essa obviedade ululante: que elas são limitadas tanto quanto, senão mais, em alguns casos, que uma pessoa que se ajoelha em sinal de humildade perante o Criador da criação.

Aliás, tão limitadas quando o tongo que escrevinhou essas linhas e, talvez, essa última observação, seja justamente a que lhes cause mais desconforto e indignação.


(*) Professor, caipira, cronista e bebedor inveterado de café.

ATÉ A ÚLTIMA GOTA


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
VOU TE DIZER UMA COISA: amor não é uma cocegazinha que dá na barriga, nem um friozinho que sobe pela espinha. O nome disso é queredeira. Não amor.

Amor é a disposição graciosa de sacrificar-se abnegadamente pelo bem amado. Confundir isso com excitação é perversão mundana.

E te digo mais uma: por essas e outras que o amar é tão mal compreendido hoje em dia. Ele foi mutilado pela mentalidade hedonista moderna que doentiamente imagina que o saciar de todos os nossos desejos e apetites seja algo equivalente ao sublime dom.

Enfim, resumindo o entrevero: o sexo faz parte do amor, porém está muitíssimo longe de poder sê-lo em sua totalidade.

Se bobear, até os cães sabem disso, menos a humanidade do terceiro milênio.

(ii)
UMA COISA É AMAR ALGO E, COM humildade e dedicação, procurar reforma-lo na medida de nossas limitações e nos limites da coisa amada, para não acabar deformando-a. Outra, bem diferente, é ansiar por reduzir a coisa amada a imagem e semelhança de nossa mesquinhez e, não conseguindo fazê-lo, revoltar-se contra ela, afastando-se dela e criando uma caricatura daquilo que o soberbo aspirante a amador não conseguiu reduzir ao tamanho de sua incapacidade de amar.

(iii)
O QUE ESPERAR DO ANO QUE ESTÁ POR VIR? Que ele chegue com modéstia e parta com discrição e, se possível for, sem criar muita confusão.

(iv)
SABER COMO LER PESSOAS É ALGO tão importante quanto ser capaz de interpretar uma linha escrita. Ler um olhar é tão imprescindível no mundo atual quanto saber analisar uma imagem.

(v)
COM TODO RESPEITO, MAS FASCISTA é o fiote da sua progenitora e o fiofó do seu genitor. Ponto.


(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café.

O ROSTO REFLETIDO NO ESPELHO




Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
QUANDO MOLEQUE, SEMPRE QUE eu via na escola o mapa mundi, imaginava que metade do globo terrestre era ainda desconhecido, haja vista que, para mim, apenas metade do globo teria sido mapeado, e que, um dia, eu poderia explorá-lo e, quem sabe, descobrir novas terras e novos mundos.

Minha imaginação procedia de modo similar quando via o mapa do Brasil ou do Estado do Paraná. Imaginava, na inocência de minha meninice, que um município era apenas o pontinho que representava a cidade e que, todo o restante da área multicolor do mapa representava áreas ainda inexploradas que estavam apenas esperando pela ousadia dum Darta veio da vida.

Enfim, confusões cognitivas da tenra infância que, ao seu modo, até hoje me ensinam uma preciosa e imorredoura lição que me vacinou contra as tentações ideológicas e delírios utópicos que tão facilmente pervertem o velho e bom senso das proporções.

Lembro-me sempre, quando rememoro essa doce lembrança de meus idos pueris, que a realidade é sempre muito mais ampla, profunda e complexa que as nossas vãs racionalizações sobre ela. Racionalizações que são paridas por meio das confusas sínteses feitas por nós através de nossa desordenada percepção e preguiçosa apreciação de tudo e a respeito (ou despeito) de todos.


(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café.

APENAS UMA ÂNFORA QUEBRADA


Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
AMIGOS SÃO AQUELAS PESSOAS QUE riem-se umas das outras, sem a menor cerimônia, porque se amam. E se amam não por causa de suas possíveis virtudes, mas sim, apesar de seus inumeráveis defeitos. Qualquer um que não compreenda isso, provavelmente, nunca teve um amigo de verdade e não sabe sê-lo verdadeiramente.

(ii)
NÃO HÁ PROBLEMA ALGUM EM DEFENDER uma causa política, como não há entrevero nenhum em filiar-se a um partido e, muito menos, em advogar a favor de uma ideologia política. Não mesmo.

Aliás, qualquer pessoa minimamente razoável sabe muito bem disso.

O grandessíssimo problema reside no fato de que, em muitíssimos casos, o sujeito que advoga em favor de uma causa, que adere a um partido e que defende com unhas e dentes uma ideologia, acaba colocando essas coisinhas acima da verdade, no lugar da realidade e num lugarzinho muito além do bem e do mal.

Aí, meu amigo, idiotia pouca é bobagem e, qualquer um com um mínimo de bom senso, percebe isso de longe.

(iii)
DOIS DE NOVEMBRO. FOMOS AO CEMITÉRIO. Todos nós. Acendemos velas pelas almas de nossos finados e levamos flores em honra de suas memórias. Feito isso, segui só, por entre as lápides, recitando, silenciosamente, o Santo Rosário, meditando sobre o grande mistério da morte e rememorando alguns momentos que compartilhei com aqueles que já partiram desse vale de lágrimas.

Ao fim, quando decidimos partir, vejo ao longe minha princesinha Helena sentada no chão, com as perninhas cruzadas, de frente para a lápide da sepultura da vovó que partiu antes de poder conhecê-la. Confesso: uma cena que imortalizou-se em minha alma.

Aproximei-me vagarosamente dela, flexionei meus joelhos e coloquei minhas mãos sobre seus ombrinhos. Ela não levantou seus olhos nem disse nada.

Perguntei-lhe se estava bem e ela disse que sim. Perguntei se queria que eu levasse-a no colo até o carro e ela disse que não. Apenas levantou-se e segurou firme em minha mão direita para irmos ao outro cemitério de nossa cidade.

E assim ela foi, inocente como uma perdiz e firme feito uma rocha, silente e altiva como alguém que muito cedo mergulha e familiariza-se com os grandes mistérios da vida. Vida que não finda aqui.


(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café.

TODO DIA É DIA DE CRISTO



Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

Desde longa data, um dos traços característicos da brasilidade é a mimetização de tudo o que vem de fora. Não que a imitação seja algo ruim. Não mesmo. O probleminha aqui, com esse quesito, é que temos por hábito imitar tudo o que não presta, haja vista o péssimo costume que temos de considerar bonito ser feio.

Porém, não escrevinho essas linhas para apontar esse óbvio ululante. Escrevo-as para indicar um sinal jubiloso de mudança dessa mentalidade.

Nessa semana, a Escola Municipal Monteiro Lobato, onde meu filho mais velho estudou e que, agora, minha filhota estuda, promoveu uma palestra com os infantes sobre o dito cujo “dia das bruxas”, instruindo-as para não celebrá-lo, haja vista que virou modinha a macaqueação desse folguedo popular estrangeiro aqui nessas plagas verde-amarela.

Bem, quando vi minha pequenina, com seu semblante serenamente iluminado, falando-me das inúmeras razões pelas quais não seria conveniente, nem desejável, comemorar a referida dada, senti-me tocado e, naturalmente, profundamente agradecido.

Bom seria se mais instituições de ensino procedessem desse modo. Aliás, não sei se seria um pouco ousado de minha parte, mas, consideraria extremante interessante ver as instituições de ensino convidando os mancebos a celebrar o “dia de ação de graças” (a quarta quinta-feira do mês de novembro) ao invés do tal do “dia das bruxas.

Enfim, como havia dito, não há nada de errado em imitar algo, pois, imitando se aprende. Então, que imitemos o que é sumamente bom, e paremos, o mais rápido possível, com essa modinha de querermos ensinar as crianças a imitar toda e qualquer gambiarra de caráter duvidoso, pouco importando o que seja e de onde venha.


(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café.

NADANDO CONTRA A MARÉ





Por Dartagnan da Silva Zanela (*)

(i)
ANTES, MUITO ANTES DE USARMOS UM argumento que imaginamos ser fundamentado historicamente é importantíssimo que estudemos a dita cuja da história para sabermos, de fato, se o que estaremos dizendo sobre isso ou aquilo realmente tem o requerido fundamento nas envelhecidas e amarelada páginas da mestra da vida.

(ii)
O ESTUDO É UM ATO SIMILAR A PRÁTICA de uma oração. É um ato de doação, de entrega do nosso tempo, de oferta de nossa vontade e atenção, de ordenação das intenções e inclinações de nossa alma. Quanto maior for a entrega, maior será o nosso crescimento. Melhor será a colheita. Quanto menor for a oferta, maior será o desperdício de tempo, energia e talento.

(iii)
TUDO AQUILO QUE DIZEMOS E QUE, de antemão, não exigiu de nós um mínimo de esforço, de reflexão e estudo, pode até ser bonitinho e ter toda a nossa afeição, mas, gostemos ou não, esses ditos continuarão a ter um valor equivalente ao estudo e reflexão que não foram realizamos de antemão para dizê-los. Trocando em miúdos: nenhum.

(iv)
O PARALELO QUE, PENSO EU, podemos estabelecer entre a Era Lula/Dilma com o governo Temer, seria a comparação entre um tumor e um furúnculo. O segundo é um incômodo terrível e, o primeiro, por sua natureza, pode nos levar a óbito. E a solução em ambos os casos é uma só: extirpá-los, todinhos, com as metástases de um e com todas as pustulências do outro.

(v)
QUANDO CONSIDERAMOS QUE A RESPONSABILIDADE por todos os males que pesam sobre nossos ombros seriam dos outros, cuidado! Muito cuidado porque estamos abdicando daquilo que nos dignifica enquanto pessoa. Estamos negando a autonomia de nossa consciência individual.

Resumindo, quando não assumimos as consequências e inconsequências de nossas escolhas e decisões estamos abjurando de nossa autonomia enquanto pessoa e reconhecendo, publicamente, que somos apenas uma espécie de gado dalguma manada massificada e desorientada, mas não gente madura que assume a responsabilidade pelas tortuosas linhas de sua vida.


(*) Professor, caipira, cronista e bebedor de café.